Se queres muito o Prémio Nobel da Paz… refunda o Departamento da Guerra


Pedro Correia,

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Sonha com o Nobel da Paz: não suporta que tenham premiado o seu antecessor Barack Obama enquanto a ele ainda não tocou nada. Omissão injusticíssima: todos sabemos que é um pacifista militante. Nem dorme bem à noite se souber que subsistem conflitos armados no planeta.

Perante isto, o que fez ele?

Com a habitual clarividência, decidiu alterar por decreto a designação do Departamento da Defesa dos EUA, que há 76 anos ostentava este nome, mudando-a para Departamento da Guerra, velho nome que vigorou entre 1789 e 1947, tendo sido considerado obsoleto pelo presidente Harry Truman.

Talvez seja este o argumento que faltava para convencer o júri de Oslo. Ou talvez não. 

 

Leitura complementar:

Obsceno (27 de Fevereiro)

Trump já encontrou a sua Ucrânia (27 de Março)

50 comentários em “Se queres muito o Prémio Nobel da Paz… refunda o Departamento da Guerra”

  1. Acabou com 7 guerras, que na realidade foram 10.
    É um tipo perigoso, mas não tanto como o grupito que se lhe juntou na última jantarada.

    1. Acabou com 20 guerras. Incluindo as guerras que ele próprio lançou contra a Dinamarca por querer anexar a Gronelândia, contra o Canadá por pretender transformar o país vizinho no “51.° estado” dos EUA e contra o Panamá pela súbita vontade que lhe deu de recolonizar o canal. Guerras verbais apenas. E como é fofinho limitou-se a lançar contra nós, seus aliados, uma feroz guerra tarifária – tal como contra a Índia, que levou este país a aproximar-se da China.
      Um amor de criatura. E um génio da geopolítica.

  2. Faz ele muto bem. Os EUA estão (quase) sempre em guerra, mas nunca para se defenderem. Portanto, deve ser departamento da guerra, não da defesa.
    Deixam-se de eufemismos.

    1. É um meio muito eficiente e expedito de garantir o Nobel da Paz, como o futuro demonstrará. O homem é um visionário. Aliás merece também o Nobel da Química por ter alterado a fórmula da Coca Cola (bebe mais de dez por dia).

      1. garantir o Nobel da Paz, como o futuro demonstrará

        O futuro não demonstrará tal coisa.

        Donald Trump tem uma política externa oposta à da Europa e portanto, por mais paz que ele promova, um comité composto por europeus (noruegueses, creio) jamais lhe atribuirá o Nobel da Paz.

        Os noruegueses só atribuirão o Nobel da Paz a quem promova uma “paz justa”, o que, em jargão europeu, significa uma paz de acordo com os desejos dos europeus.

        1. Ó balio, e em jargão europeu havia de significar o quê? Uma paz de acordo com os desejos cazaques ou quirguizes, ou por aí? Mas esses já têm uma paz de acordo com o eucalipto do jargão moscovita, não é? Vá lá, não seja açambarcador das pazes, na Europa sê europeu, já lá diz o velho ditado.
          Não é a primeira vez que suspeito que o balio é uzbeque…

          1. em jargão europeu havia de significar o quê?

            A expressão “paz justa” é disparatada. A paz que se acorda no fim de uma guerra não é justa nem injusta – ela traduz o resultado obtido no campo de batalha.

            Por exemplo, em 1668 a paz acordada entre Portugal e Espanha não foi justa nem injusta – ela foi simplesmente o resultado de Portugal ter vencido a guerra.

            Os europeus, através desta expressão disparatada, estão a pretender negar o facto de que quem vence a guerra é quem acaba por fixar os termos da paz.

            Trata-se de um jargão através do qual os líderes europeus procuram lançar areia para os olhos da população, tentando convencê-la de que o acordo de paz deverá ser ditado por princípios morais (“justiça”) e não pelo resultado da contenda bélica.

            O resultado dessa contenda foi (é) muito simples: a Rússia ganhou, os EUA e a Europa perderam. Como resultado, o acordo de paz deverá fazer prevalecer os desejos russos, e frustrar os desejos americanos e europeus.

            Os principais líderes dos EUA já perceberam isto. Infelizmente, os líderes europeus (e ucranianos) permanecem em negação da realidade. Desta forma prolongando o sofrimento dos ucranianos (e dos europeus).

            1. Eu estou absolutamente convicta de que o balio não pensa nada disso que por aqui escreve – tem uma agenda qualquer que me escapa, é como aquelas pessoas que defendem cegamente o tio pedófilo só porque ele era muito bonzinho para eles quando eram crianças.

              E não há nada a fazer em termos racionais, porque o que esse tipo de cegueira pretende é uma validação do indefensável em nome de um afecto monstruoso. Exactamente o mesmo mecanismo mental, na minha opinião, dos putinistas militantes que, nem russos sendo!, defendem e ameaçam com a destruição dos seus mais próximos e até de si mesmos: não são maus nem estúpidos, precisam é de manter vivo um afecto monstruoso. No caso por uma ideologia, e seja a que preço seja, mesmo do colaboracionismo e da traição aos seus, que não hesitam em sacrificar a uma figura sinistra e torpe, ladrão, assassino e péssimo cabo de guerra, Putin-pois-claro.
              São assim como Torquemada que, cego pelo amor que tinha a Cristo, arrancava tripas e línguas nem que fosse ao próprio pai e mãe. Tudo pela Causa!

              Depois, debitar lugares-comuns do tipo de serem os vencedores quem impõe as condições da paz, ou repetir pela enésima vez que os europeus e ucranianos estão em negação, ou repisar no vil cinismo da compaixão pelo sofrimento dos ucranianos, ou da insinuação ameaçadora do sofrimento dos europeus…
              Nada disso, balio, consegue esconder a realidade nua e crua: quem está atolado na guerra que começou há mais de três anos e meio é o Putin, acossado ao ponto de ter que hipotecar o país aos chineses e ser obrigado publicamente a lamber as botas à besta norte-coreana que o ajudou a “libertar Kursk”! De onde se conclui, que sem o apoio norte-coreano Putin nem Kursk tinha conseguido libertar… da invasão da Ucrânia invadida!
              Ou também não viu nem ouviu, aliás como de costume? É natural, a vergonha provoca desses choques psicossomáticos.

              Quanto à paz justa ou injusta, nem precisarei de lhe lembrar os muitos exemplos históricos em que a paz injusta (imposta por um invasor de força desproporcional e cruel nos seus termos) funcionou como uma gangrena, que continuou a lavrar até ao surto de um novo conflito. Só a paz justa é verdadeira paz – a outra é a paz podre dos falcões corruptos.

              Sobre os principais líderes dos EUA, bem sabe que fecharam para balanço dos respectivos negócios privados. Estão muito entretidos a “fazer prevalecer os seus desejos” pessoais, batota no golfe e venda de time-sharings na Riviera do Médio-Oriente. É mesmo com isso que Putin e os putinistas contam para “fazer prevalecer os desejos russos”, não é?

              Mas como diz o velho ditado, primeiro é preciso matar o urso antes de lhe vender a pele.

      2. Caro Pedro, sem dúvida que um Nobel a ser atribuído a Trump devia ser o da Química.
        Com tal galardão o mundo não mais esquecerá a sua receita para a cura do Covid, quando sugeriu injectar um desinfectante, tal como lixívia, para resolver aquilo que não era mais que uma constipação “in disguise”. Sugerido com a maior desfaçatez, enquanto sentado, presumo que algures na Casa Branca. perante uma plateia de basbaques em adoração. Algum Nobel terá que ser inventado para atribuir a este cromo.

          1. Tom Hanks, actor extraordinário, crente na pureza de uma América à imagem dos seus fundadores, tem um defeito: Alinha com os Democratas

            1. É para contrabalançar o Clint Eastwood… Ora faça o favor de substituir o nome do Tom Hanks pelo dele, e “Democratas” por “Republicanos”, e diga lá se não é tirado de chapa?
              E não será por acaso: fundamentalmente, todos os americanos são crentes na pureza de uma América… à imagem de si própria.

            2. Ao referir o alinhamento de Tom Hanks ao lado dos Democratas, apontei-lhe tal opção sarcásticamente como defeito, obviamente na perspectiva do fascistóide do Trump que apelida de comunistas todos aqueles que o criticam, como por exemplo Joe Biden e Kamala Harris.
              Já o Clint , até pelo seu percurso cinematográfico, acredito que ponha as pistolas ao serviço do energúmeno que lança tropas para a rua,apupadas pela população, à caça de gente que reside há décadas nos States.

      3. Então e o da Economia?! Insisto no da Economia, aí é que ele foi definitivamente inovador, as “Tarifas Trump Hiper-Elásticas e Extorsionárias” estão para a Teoria Económica como, sei lá, a “Estratégia Cágada da Tomada de Kiev” do Putin para a Teoria Militar. Cada um no seu campo, dois insuperáveis brilharetes.

        Para mais, as “Tarifas Trump” tiveram um efeito geopolítico muito relevante para o panorama do globo: com cada vez mais países a esconderem-se debaixo das asas da China como pintainhos assustados, até o eixo terrestre está mais inclinado…

  3. Realmente, se o Donald ganhar o Nobel o próximo passo lógico só pode ser a canonização. Porque se isso acontecer, é o sinal de um grande milagre.

      1. Um milagre já lhe pode ser atribuído: a transformação dos States na maior impotência mundial, dedicada a lamber as miudezas aos seus arqui-inimigos. Tal capacidade de perdão merece bem duas beatificações e respectivas promoções, que o chinês já se está a posicionar na fila para também ser perdoado. Next!
        Pobre América.

  4. “Talvez seja este o argumento que faltava para convencer o júri de Oslo. Ou talvez não.”, espero que não, assim como espero que o povo americano ganhe juízo e independentemente de quem eleja, eleja um ser humano e não uma aberração biologica.

      1. E não só. Aliás, a ironia nunca esteve mesmo na moda, foi sempre uma apetência de nicho, para a qual é preciso nascer com as antenas sintonizadas.

          1. Sem dúvida. Ora repare-se no Venturoso e sua rapaziada: se tivessem a mínima noção do que ironia fosse, eram como os lemingues, tudo a entrar pelo mar dentro, só ir sem voltar…

            Assim, incólumes a qualquer derrisão, vão coleccionando cromos: já têm mais um Pirómano e um Bombeiro Ladrão de Combustível na caderneta.

  5. Há muitas pazes.

    Por exemplo, em 1668 Portugal e Espanha fizeram um tratado de paz. Esse tratado seguiu as aspirações e desejos de Portugal. Mas poderia ter seguido as aspirações e desejos de Espanha. Assim, um tratado de paz diferente poderia ter tido lugar.

    Da mesma forma, para acabar com a guerra na Ucrânia pode-se fazer diferentes tratados de paz: uma “paz justa” (que satisfaria todas as pretensões da Ucrânia), ou uma paz que satisfaça algumas ou todas as pretensões da Rússia.

    Neste mundo toda a gente quer a paz… de acordo com as suas pretensões.

  6. Promove um genocidio em GAZA e ainda sonha com o prémio nobel. …hilariante!! Parece que tem mentalidade europeia, tanto blabla nos valores, depois assobiam para o lado com o extreminio que esta a acontecer na prisão de Gaza!

        1. Tratar a língua portuguesa a pontapé salva alguém em Gaza? Olhe que não, olhe que não. Nem na Ucrânia, nem no Sudão, nem no Haiti. Nem no Afeganistão. Nem no Iémene. Nem na Birmânia. Nem na Etiópia.

        2. “Sim, aqui são palavras em Gaza são seres humanos”

          Seres humanos que odeias. Nem sequer protestas por o Hamas não proteger os civis Palestinianos como os Israelitas protegem os seus civis.

    1. Pelos vistos os Aliados fizeram o genocídio dos Alemães na II Guerra Mundial
      Já o Culto de morte Palestino continua a ser ignorado.

      A aritmética é hoje difícil de aprender…

    1. Eu confesso que não desgostei da aproximação: enfim um tipo mais espadaúdo do que o Xi a avançar em largas passadas para ele de mão estendida! É que ladeado pelo Putin, o Pequeno, e pelo Kim, o Sempre-em-Pé, o Xi até parecia um gigantone. Mas o nosso Montenegro reduziu-o num ápice, eheheh.

      Fui só eu a ver uma leve surpresa na cara do Grande Líder do Império do Meio quando o Montenegro avançou para ele? Se o Xi tivesse um balão como os bonecos da BD, até aposto que estaria a pensar: “Chiça, devia mesmo ter metido as cunhas nos sapatos…”

  7. Soneto de Bocage a Trump, o falso pacifista

    Quer Nobel da Paz o bruto enfatuado,
    Qual macho em cio, de crista revirada;
    Mas só semeia pólvora maldada,
    E caga bombas pelo rabo inchado.

    Troca “Defesa” em “Guerra”, alucinado,
    Crendo que Oslo, em farsa tão safada,
    Lhe beije as nádegas, prenda dourada,
    E o coroe santo, anjo armado.

    Se paz pregasse, era com a pistola,
    Metida em riste, ereta, bruta e tola,
    Tão larga quanto a língua que arrota.

    Ó mundo, ri-te deste obeso bufão,
    Que quer Nobel, mas traz no coração
    Não flor de Paz, senão granada em rota.

      1. Sai então uma redondilha a pedido.

        A Dança dos Senhores

        Trump se empina em caveirão,
        Faz do mundo seu bordão,
        Caga regras, cospe ao vento,
        Ri da dor em sofrimento.

        Israel, cão de cadeia,
        Solta bala, ferro, ideia,
        Na desgraça ergue o troféu,
        Chama sangue de papel.

        Catar ri, mas ri chorando,
        Vê o chão todo sangrando,
        E na mesa dos senhores,
        Vir à cruz só dá horrores.

        Mashaal corre, rato esperto,
        Foge à foice sempre perto,
        Mas a morte não se engana,
        Chega nua, amarga e insana.

        Nesta farsa de embusteiro,
        Rei se farta e povo é poeira,
        Guerra — puta, apocalíptica —
        Dá-se aos velhos por política.

        Cada bomba é um gozar,
        Cada míssil é foder,
        E o que sobra ao povo, enfim,
        É a merda pra comer.

        1. Não sei o que é mais patético, se a preocupação com os dirigentes terroristas no bem-bom do Qatar se a tão elegante poesia.
          Felizmente estou constipado e tenho o nariz entupido.

      2. (a propósito de “A mais recente do “pacifista””)
        Agora que Trump já desmentiu – não beneficia Israel nem os Estados Unidos – suponho que vá pedir ao vate de serviço permanente ao Delito, algo em grande. Talvez, inspirando-se na opositora de Moedas, um alexandrino. Isto, claro, se ele, vate, ainda não esgotou os palavrões.

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