A propósito deste post de Francisco José Viegas.
Nós aqui por esta terrinha gostamos muito de nos fingir sofisticados. Esta história da base de dados de ADN é só mais um exemplo. Ficamos embrenhados nas hipóteses tecnológicas, na vanguarda da ciência, e esquecemos tudo o mais. Afinal, somos um case-study da Nokia. Mesmo desempregados, pobres e lamurientos, compramos LCDs, sistemas surround e discutimos animadamente as vantagens de uma internet de 16 mega. Se podemos fazer entusiasmada figura com uma gigantesca base de dados, cheia de códigos e informação, porque não?
Bom, em Inglaterra foram obrigados a encerrar a parte relativa aos cidadãos "normais", isto é, sem antecedentes criminais. É que parece que há uma coisa pequenina, discreta, chamada direito à privacidade. Implica a não interferência das autoridades, segundo determinados critérios, devidamente especificados. É um equilíbrio complicado, este da vida quotidiana com o progresso científico. E como tal, tem de ser pensado. As liberdades pessoais e políticas sobreviveram à integração das liberdades reais; torna-se cada vez mais complicado discutir o seu estado depois da revolução científica.

Gostei muito da reflexão do Francisco. E da tua também. Subscrevo ambas.