A gente gosta ou não gosta de um cardeal, como a gente gosta ou não gosta do que ele possa dizer aqui ou ali. Mas sejamos rigorosos. Não direi que é preciso passar pelo mesmo que passa um político norte-americano para chegar à Casa Branca. Convenhamos, no entanto, que chegar a cardeal, no Vaticano, é assim como chegar a presidente do Senado, na política.
Talvez mal comparado, mas é só para termos presente que vale a pena pararmos para pensar mais um pouco no contexto e nas palavras, quando um cardeal fala. Mais ainda se ele for Patriarca. Ou então não paramos e passamos adiante.

Gosta-se ou não se gosta de um cardeal, como se gosta ou não se gosta do que ele possa dizer aqui ou ali…
A gente?!?
Sim. A gente.
Sim?
Das duas, duas: ou é fruto do acordo ortográfico já em vigor [http://www.tvcultura.com.br/aloescola/l inguaportuguesa/varianteslinguisticas/ad equacaovocabular-gentenos.htm], e mesmo assim eu estarei sempre sempre do lado daqueles para quem o uso da palavra “gente” deveria ser abolido de vez, ou é fruto de uma deficiente aprendizagem de português [talvez numa escola pública na margem sul?] …
Quem
Já devia ter reparado acima que não tencionava dar-lhe atenção, meu caro, mas já que insiste… Não gosta da palavra ‘gente’? Azar seu, porque deu um tom coloquial que me agradou ali.
Eu, por exemplo, não gosto dessa expressão suburbana «das duas, duas». Especialmente quando as duas são disparatadas.
Subscrevo o João Carvalho. O termo “a gente” existe e é correcto (mesmo que haja termos mais bonitos, depende de cada um). Para ficar correcto em português, tal como me foi explicado por professores de línguas e literatura clássicas, tem que se usar o verbo na terceira pessoa do singular. De forma que “a gente é” está correcto, mas “a gente somos” não está.
O termo “a gente” refere-se a um grupo indefinido de pessoas, como tal deve ser usado tal como qualquer outro termo semelhante. Exemplo concreto: o termo “as folhas” está para “as pessoas” tal como “a folhagem” está para “a gente”. Pelo menos é isto que eu entendi na altura.
Haja quem me entenda, João André…
Totalmente de acordo, João.
Ainda bem que o diz, Once.
Eu não estou de acordo por uma razão simples: o presidente do Senado americano é uma mulher. Na Igreja Católica não podem existir cardeais mulheres. E como a mensagem deste “presidente do Senado da Igreja” foi dirigida às mulheres, este pormenor faz uma diferença enorme.
Bem visto, meu caro!