Sinceramente, ao virar da esquina


Sérgio de Almeida Correia,

"Eu não tinha (…), sinceramente, é um assunto que nunca me tinha passado pela cabeça, não me tinha atravessado o espírito";

 

"Esta questão da liderança é uma questão totalmente fora do meu horizonte";

 

"Mas há aqui uma 3ª razão que é muito importante para que eu não seja candidato, uma razão fundamental (…); o PSD está recheado de pessoas que podem exercer esse cargo e podem exercê-lo, e podem exercê-lo bem";

 

"Eu estou a exercer um mandato para o qual fui eleito há três meses, três meses apenas";

 

"Entusiasmo com as questões europeias, carácter recente da eleição e a circunstância de haver outros nomes";

 

"Agora contratualizei com os portugueses fazer este serviço em Bruxelas e é isso que eu quero fazer";

 

"Há vários nomes (…), não tenho dúvidas que estamos muito bem servidos quanto a esse ponto (…)";

 

"Mas eu, sinceramente, queria concentrar-me";

 

"Eleição recente, entusiasmo, necessidade de exercer as funções que estou a exercer" .

 

Estas frases, ditas em 29 de Outubro pp., nesta entrevista a Judite de Sousa, ajudam-nos a perceber um pouco melhor as razões de Paulo Rangel. Não para ficar em Bruxelas, mas para agora avançar. 

Como em Junho do ano passado já existia "asfixia democrática", e o estado de crise de que ele vinha a falar já estava instalado, a ponto da presidente do partido ter afirmado que o país estava condenado, conclui-se facilmente que o entusiasmo esmoreceu, que as pessoas que podiam exercer o cargo debandaram, que ele perdeu concentração, que alargou horizontes e que as funções que exerce em Bruxelas deixaram de ser importantes para o país.

Os portugueses que contratualizaram o contrato europeu que se lixem. Não há nada como a letra "r" para romper e rasgar.

É, afinal, o mesmo "r" de renúncia, de rescisão, de rebolaria, de recalmamento, de repatriamento e de rendição. E também de Rangel. Assim tudo fica mais claro.

8 comentários em “Sinceramente, ao virar da esquina”

  1. Este esmiuçar das contradições de Paulo Rangel é bom sinal – é sinal de que não lhe encontram defeitos piores, mas bem lá no fundo há muito medo de ele ganhar eleições futuramente.
    É-me indiferente a sorte de Rangel, mas acho muito curioso – e significativo – o nervoso miudinho que ele provoca nos seus putativos adversários.

  2. O senhor Sérgio passa o tempo aqui a atacar o PSD. Porque não olha para a sua dama que tem um secretário-geral ditador que dá ordens à justiça e que agora até envergonha todos os socialistas ao ordenar a um tribunal que silencie um jornal. Mude de disco.

    1. Caríssimo anónimo,
      vamos lá a ver se eu entendo uma coisa.
      Sócrates, é todos os dias acusado de MENTIR, de manipular, de oprimir, etc, etc.
      Ok.
      Ele faz isso? Rangel disse, centenas de vezes que sim.
      Já lhe chamou de tudo.
      Assim sendo, sou livre de concluir, que Rangel é IGUALZINHO a Sócrates.
      Com a enorme agravante de tudo isto se ter passado em meia dúzia de meses.

      O que aqui está em causa não é o Rangel, ou o “manel” ou seja quem for.
      Está em causa a cara de pau de gente desta.
      E este fulaninho, está a tomar o Povo, por trouxa.
      Esta falta de carácter é que mete medo.
      Não que Sócrates seja corrido, mas o facto de um bandalho destes poder vir a governar o país.
      Isso é que é verdadeiramente assustador.

      José Gomes Ferreira, jornalista da SIC, disse hoje de manhã, mais ou menos isto: “não pensem que manipulam a comunicação social, porque não conseguem. Seja de que maneira for, as coisas sabem-se”.

      Concordo plenamente com ele.
      Por isso me custa a crer que seja possível alguém querer calar jornalistas nos tempos que correm.
      A internet está hoje acessível a quase todos, é um facto inegável. As redes sociais são a porta aberta para o mundo, para a rápida troca de informação.
      Eles não saberão disto?
      Eu acho que há aqui tanta história mal contada.
      E não só da parte do governo.

      1. Mais uma coisa.
        Rangel vai pedir a demissão do PE e ser substituído por outra pessoa do partido?
        Não?
        Se não for eleito, aquele tacho é garantido e sempre poderá de novo dizer, que está a cumprir a vontade do Povo, que o elegeu para AQUELE cargo.
        Mas e durante a campanha?
        Faz a campanha por tele-conferência?
        Ou vai às feiras e mercados de Bruxelas?
        Deve vir para cá, claro.
        Se não for substituído, estamos a pagar para o menino faltar.
        Faltando, não está a zelar pelos interesses daqueles, pelo menos, que votaram nele.
        A culpa é do Sócrates……

    1. De há uns anos para cá! Não! Não só com governos socialistas. Alguém , nos sucessivos governos se tem preocupado verdadeiramente com o povo? Com o tacho? Sim claro!

  3. Rangel, na melhor linha estratégica definida pelo duo JPP-MFL, optou por fazer politica com base no carácter do primeiro-ministro. A tal ‘politica de verdade’. É uma estratégia que pode fazer ricochete. Rangel acaba de ser atingido por esse ricochete. O seu carácter pode e deve ser avaliado em função das declarações que foi produzindo ao longo dos meses e que acabam por ser desmentidas por ele próprio. É a vida, como dizia o outro.

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