Bem sei que não está na moda, não é moderno, nem progressista, nem futurista, e que se calhar até é coisa de negativista, maledicente, retrógrado e provinciano, mas arrisco na mesma: confesso que gosto de Manuela Ferreira Leite.
Gosto da hipótese de ter uma chefe de governo que está mais preocupada com a situação económica, política e social do país do que com estratégias de marketing eleitoral. Gosto de uma pessoa que, se quiser, pode viver de outra coisa que não a política. Gosto de uma pessoa séria. Gosto de uma pessoa que não dá prioridade à "imagem" e às "técnicas de comunicação". Gosto de uma pessoa que muda de ideias se achar que as circunstâncias o justificam. Gosto de uma pessoa que tem idade suficiente para não precisar dos jogos da política para se afirmar, e que pode realmente operar as reformas necessárias sem ter de pensar em reeleições.
E arrisco dizer ainda mais: gosto do programa do PSD. Gosto que se peça mais sociedade e menos Estado. Gosto que se queira reflectir sobre o modelo da segurança social. Gosto que se defina como prioridade o apoio às pequenas e médias empresas. Gosto que não se desvalorize por preconceito a iniciativa privada. Gosto que se fale de investimento de proximidade e de apoio às comunidades locais. Gosto que se promova uma cultura de rigor, disciplina e mérito na educação. Gosto que se suspendam os grandes investimentos públicos se as circunstâncias o recomendarem.
Não sei se é risível ou patético o que acabei de escrever, mas garanto-vos que é sincero. Não chega? Para mim, é quanto basta.

Tal como você, também gosto de muitas das coisas que citou. Agora o que já não acredito é que Ferreira Leite seja aquilo que você diz e muito menos que fosse fazer, se fosse eleita, o que espero não venha acontecer, aquilo que afirma.
Obrigado pelo comentário, não sei que lhe diga a não ser: teríamos de esperar para ver… Abraço!
Gosto que esteja focado nas coisas positivas de MFL.
Agora pondere o reverso sff.
Já fiz esse exercício aqui mesmo no “delito”, nomeadamente a propósito da composição das listas. Um abraço!
Vá lá, não sejamos mauzinhos. Parece-me óbvio que Sócrates tem provado poder sobreviver fora da política. Por exemplo, sendo delegado comercial de determinadas empresas.
🙂
Não está só.
Pelo contrário, está muito (e bem) acompanhado. Como se verá no próximo dia 27.
Deixemos a poeira assentar.
Obrigado pelo comentário, António.
Não é de todo risível
nem tão pouco patético,
não sendo desprezível
esse pensamento ético.
A mais pura sensatez
é apanágio de seriedade,
há gente de rosada tez
vivendo mal com a verdade.
Um Governo perdido
com tanta incerteza,
tem o povo iludido
com “chica-espeteza”.
É, de facto, premonitório
a falta de autenticidade,
este regime persecutório
sofre de falsa veracidade.
O truque de contorcionismo
de quem gosta de enganar,
é puro e desprezível cinismo
na destreza de desgovernar.
Obrigado pelo poema, Manuel 🙂
Gosto de boa parte do que disseste, José. Só tenho dúvidas sobre o que deixaste por dizer. Até talvez não fosse muito importante, mas aquilo do Preto e da Helena qualquer-coisa, do falso candidato Alberto João e do episódio da Madeira, etc., são rótulos que deixam a desejar. E acabo por me ver a olhar para as curvas e contra-curvas de uma linha recta…
Contudo – por falar em recta – fico muito satisfeito por verificar o modo rectilíneo como expões as tuas convicções. Porque rectidão e convicções são duas características que têm casado pouco e quase sempre mal, José.
Qual falso candidato, qual carapuça!
E o Sócrates? Não é candidato a deputado e candidato a primeiro-ministro?
E a Drª Manuela Ferreira Leite? Não é candidata a deputada e candidata a primeira-ministra?
Quando é que o combate político, neste País, passará a ser feito na base da honestidade intelectual?
Eu também ouvi esse disparate. O cargo de primeiro-ministro vai a votos, ou emana da Assembleia da República? O líder partidário vencedor não tem capacidade até para apontar um primeiro-ministro que não ele próprio?
Olhe, por exemplo, os britânicos: nos anos 90, o então líder da maioria Chris Patten designou John Major para primeiro-ministro. Porquê? Porque os governos não são eleitos pelos votos.
Para retórica básica chegaram-me alguns debates, meu caro.
E o cargo de presidente do Governo Regional da Madeira vai a votos ou emana do partido mais votado para a Assembleia Regional?
Chiça!!!
É, eu também ouvi esse disparate. Chamo-lhe disparate porque o próprio Alberto João, assim que foi listado, correu a declarar que jamais será deputado. Capice?
Chiça para si também.
Gostaria de dispor de armas iguais a si (que tem a faculdade de cortar-me o pio…) para o poder mandar, muito justamente, a um sítio que me abstenho de referir.
Ficamos, portanto, por aqui.
Pois ficamos. O País está cheio de abstencionistas. E percebe-se, com tantos troca-tintas por aí.
Ah! Antes que me esqueça: não posso (nem queria poder) cortar-lhe o pio. Tem, pois, a faculdade de usar a artilharia toda para dizer aqui tudo o que lhe vai na alma.
Mas corto-lhe o texto, sim, se ultrapassar as marcas da decência. Não é por minha causa, não, que já ganhei estaleca. É por causa dos nossos amigos comentadores e visitantes, gente muito decente que temos o costume de respeitar.
Quanto à sua frase “Para retórica básica chegaram-me alguns debates”, só tenho a perguntar-lhe:
V. conhece-me? Ou apenas tem a pretensão de que os comentadores do blogue são todos analfabetos e pobres de espírito, a quem mais não resta do que vergar-se ante a sabedoria dos autores dos “posts”
Essa ladainha já é velha, meu caro. O livro de reclamações continua em branco. Ficou ressentido? Pois olhe que não tem razão para isso: primeiro, porque não trato mal os comentadores, embora alguns sejam muito sensíveis; depois, porque a retórica básica não é sua, visto que eu ouvi o mesmo que V. reproduziu.
Como sabes, já aqui expus o que considero serem aspectos negativos do PSD, nomeadamente na composição das listas. O episódio Madeira também merece críticas, é claro: fazer de AJJ exemplo parece-me coisa duvidosa. Mas quis dar aqui o contraditório num momento em que toda a gente diz mal de MFL e do PSD.
Já agora: agradeço muito as tuas palavras sobre rectidão e convicção. Faço por isso e fico muito contente por o teres referido. Um abraço!
Um por todos, todos por um.
Abraços.
É impossivel argumentar com um apaixonado. Mas é um estado exaltante.
Porque é que defender uma causa há-de ser risível ou patético? Ora essa, em cada um a opinião é soberana.
Por esse prisma, qualquer um dos seus co-bloggers será então também risível e patético, coisa que, quando discordamos, seríamos de facto tentados a acreditar.
Mais que boas ou más, as opiniões são límpidas ou obscuras, bem fundamentadas ou mal, coerentes ou atrapalhadas, e, sobretudo, honestas ou desonestas.
– Deu a sua e mostrou as cartas todas, não foi?
Parabéns.
E parabéns também por ter contribuído aqui no DO para o falso unanimismo que por aí impera (visível, por exemplo, nas interpretações televisivas dos debates).
Quanto ao que diz no seu post , escusado será dizer-lhe que concordo totalmente consigo.
Obrigado pelo comentário e pelas palavras amáveis. Quanto à questão do unanimismo: é infelizmente comum na TV, felizmente raro aqui no “delito” e na blogosfera. Foi uma das coisas boas que a bloga trouxe ao debate público, creio: a abertura para se confrontarem no mesmo espaço ideias antagónicas. Um abraço!
Errata, palavra engolida!
«Parabéns por ter contribuído aqui no DO para quebrar o falso unanimismo …»