Sobre a ordem, que se atreve a existir para lá do que é observável


Paulo Sousa,

A cosmologia contemporânea diz-nos que a realidade não se esgota no processo de expansão iniciado pelo Big Bang. O universo em expansão e a história do avanço do espaço-tempo determinam o limite do universo observável, sem que isso coincida com as fronteiras externas da realidade.

É, por isso, aceitável afirmar que para lá de tudo o que pode ser observado e medido, continua a existir realidade e que a matemática, enquanto linguagem da razão e estrutura racional, continua igualmente a existir e a aplicar-se. Sendo assim, a razão e a inteligência não podem ser apenas meros acidentes tardios do cosmos em expansão, mas algo que lhes é anterior.

Para quem aspirasse a provar por palavras aquilo que a própria Igreja diz ser impossível, e refiro-me à existência de Deus, poderia chegar a esta fase da conversa e afirmar que, se para além do que é observável existe ordem, então isso pressupõe uma inteligência prévia.

A Igreja diz que não é assim, uma vez que Deus é revelado e não provado com recurso à dialéctica.

Já os ateus, que não constituem um grupo coeso ou monolítico, partilham a convicção que Deus não existe, definindo-se assim pela negação do que dizem não existir, o que em termos de lógica não deixa de ser uma dupla negação.

46 comentários em “Sobre a ordem, que se atreve a existir para lá do que é observável”

  1. sou agnóstico:
    «Actitud filosófica que declara inaccesible al entendimiento humano todo conocimiento de lo divino y de lo que trasciende la experiencia.»
    «A origem da palavra “agnóstico” vem do grego a-gnostos, que significa “não-conhecimento” ou “aquele que não conhece”
    «Thomas Henry Huxley, um biólogo inglês, cunhou a palavra “agnóstico”, em 1869.[4][5

      1. conheço mais igrejas e catedrais europeias e li mais livros religiosos que a maior parte dos católicos e outros Cristãos. convivi com colegas da Opus.

          1. nem o que o Artur lhe respondeu é : não tem fé , e a razão não lhe funciona no assunto , não chega lá , portanto toma a posição mais sensata , diz “não sei”.

          1. E o que é opinião no que concerne à alta performance argumentativa (por vezes até omnisciente) dos comentadores se não o contraditar?
            Não sejas burro, não sabes mas contradita que o mundo toma-te por sábio.
            O importante não é sê-lo mas parecê-lo. Haverá sempre uma alminha abençoada que te acreditará.

      1. Foi uma festa do nosso indelével contentamento em 2016, onde um pretinho foi herói
        Oh, yeah!

  2. Cientificamente, é (actualmente) impossível provar a existência de Deus, e a não existência de Deus. Ou seja, os únicos correctos, questões de fé e crença à parte, são os agnósticos.
    A escolha do lado também tem muito a ver com o mundo binário em que vivemos, muito por influência da tecnologia ubíqua e dos algoritmos. Mas é preciso lembrar que mesmo nos sistemas binários as variáveis têm 3 estados, e não 2.

    1. Os agnósticos são os apreciadores de futebol que tanto aplaudem os golos de uma equipa como da outra. Existem também os adeptos que nunca têm dúvidas, com cotas em dia e lugar cativo, capazes até de aplaudir o árbito quando ele rouba o adversário.
      E há quem gosta de dar uns pontapés no esférico, não por clubismo, mas pela alegria de correr, driblar, ser driblado.

      1. “cotas”?
        Diz-se e escreve-se quotas.

        “cotas” usa-se em relação a altitude.
        “cotas” também se usa, na gíria, para designar pessoas
        com alguma idade.

        João Barros da Costa

        1. Segundo a IA:

          Ambas as formas, cotas e quotas, estão corretas e são aceites na língua portuguesa, sendo variantes gráficas para o mesmo significado principal: uma parte, porção ou percentagem de um todo (como cotas de mercado ou quotas de pagamento). O Priberam lista “quotas” como a forma principal, mas também define “cotas” com os mesmos significados (derivados do latim quota), e “cota” pode ter outros significados (como túnica militar ou pessoa velha em Portugal).

      2. Sim, é possível ver futebol (ou outro qualquer desporto) sem torcer torcer por um dos participantes. Mesmo sendo visto como algo depreciativo.

  3. Qual «ordem para lá do que é observável», se é a observação que confere ‘ordem’ aquilo que existe?
    É o acto de observar que colapsa e contamina a existência com uma ‘ordem’.

      1. E a matemática não é uma invenção humana que contamina com a sua ‘ordem’ a Existência? Logo, tal como ‘deus’, impõe à Existência uma ‘ordem’.

        Qual é a ‘ordem’ que a actual Física encontra na escala quântica dos quarks, que opôs violentamente Einstein e Böhr?

        Em 2025 Jack Murtagh, no artigo “The paradox of 1-1+1-1+1-1 +…. How do we resolve a centuries-old paradox?”, publicado na revista ‘Scientific American’, volume 34, number 4, Fall-Winter 2025, special edition, subordinada ao tema “Ultimate Math”, escreveu:
        — “1+1-1+1-1+ … What is the resulting sum? The question seems simple, silly even, but ir puzzled some the greatest mathematicians of the 18th century. Paradoxes surround the problem because multiple seemingly sound arguments about the sum reach radically different conclusions. The first person to deeply investigate it throught it explained how God create the universe.” (p.26).

        “Sobre a ordem, que se atreve a existir para lá do que é observável” existe um belo livro, escrito pelo português Fernando Gil em 1996, intitulado “Tratado da Evidência”.
        Essa questão entre o positivismo e a fenomenologia é tão velha como a ‘humanidade’. O que nos leva a pensar que é uma ilusão inventada pelo «ser-humano».

        O Impronuncialismo conseguiu criar um programa (software) que induz o sentimento e a crença em quaisquer ‘deuses’, que corresponde à «capacidade n.º12» do ‘robot Impronuncia’

  4. APENAS MENTIRAS… Fiéis, Crentes, Agnósticos, Ateus, e o mais que há-de vir.

    ‘Deus’ não é um personagem (avatar) criado à imagem e semelhança daquilo que desejamos e imaginamos? A religião não é a crença em nós próprios enquanto deuses?
    Deus «existe», ou «foi inventado pela espécie humana»?
    Deus «existe», ou é apenas «o mistério de o que poderá ser»?
    Deus «existe», ou é «a consciência humana de que poderá existir»?
    Deus foi inventado para os ‘humanos’ serem capazes de tolerar a repetição e o absurdo, transformando-os em evidência ou verdade?

    O ‘ateísmo’, o ‘agnosticismo’, e o ‘laicismo’ serão também religiões?

    A axiologia, ciência, cosmologia, epistemologia, ética, estética, metafísica, ontologia, política, teologia, e o mais que há-de vir enquanto o «ser-humano» existir, não serão religiões (crenças, fés, verdades, certezas, etc)?

    Em 1917, Rudölf Otto escreveu o livro referencial: “O Sagrado: o elemento não-racional na ideia de divino, e a sua relação com o racional”. André Comte-Sponville, em 2008, escreveu: “Se alguém vos disser que sabe que deus não existe, esse não é um ateu, é um imbecil”. Karl Marx, ao invés, defendeu que «a religião é o ópio do povo». Michel Onfray acredita que a religião é um «instrumento de Poder que serve para dominar as pessoas». Ludwig Feuerbach acredita que «deus é uma invenção genial do ser-humano para se valorizar a si próprio, e dotar a sua vida com um sentido». Em 1992, M. Bloch escreveu: “O sentimento religioso para se constituir e institucionalizar recorre à violência, e essa necessidade religiosa de violência emana de uma perpetração política” (M. Bloch, 1992, “A Violência do Religioso”, Universidade de Cambridge, UK). ‘Deus’ será «uma alucinação que inventou a ‘verdade’ e a ‘evidência’», como sugere Fernando Gil? Em 2025, Laurent Testot escreveu: “Pour autant, ce serait une illusion de croire que ses pensées ne sont que question de modes. Elles s’appuient souvent sur des millénaires de réflexions philosophiques, elles ont nourri des milliers de livres oubliés, des courants entiers qui ont parfois disparu.” (Laurent Testot, 2025, “Les Sagesses Orientales: hindouisme, boudhisme, taoïsme, shintô”, in ‘La Recherche’, Sciences Humaines, hors-série n.º 19, octobre-novembre 2025, Paris, p.3).

    Sendo assim, porque na actual ‘Constituição Portuguesa’ está escrito o que lá está escrito acerca da ‘religião’?

      1. Quem fala em ‘deus’ (tag do Post) fala de ‘teologia’ e de ‘religião’.
        Quem fala de ‘cosmologia’ fala de uma das outras partes da «relação humana com o Desconhecido» (axiologia, ciência, cosmologia, epistemologia, ética, estética, metafísica, ontologia, política, teologia, e o mais que há-de vir enquanto o «ser-humano» existir). Pois, são todas «crenças, fés, verdades, certezas, etc» que procuram resolver (ou responder, ou coexistir) essa «relação com o Desconhecido».

      2. Afinal em que é que ficamos?
        Se o seu texto não é sobre religião,
        é sobre o quê?
        A relação entre a cosmogonia e o divino, não?
        Sem esquecer a Matemática, claro.
        Afinal, trata-se da linguagem primordial
        e, já agora, universal.
        Quanto ao Universo…
        Fica para o meu comentário.
        Talvez…

        João Barros da Costa

    1. “avatar” é uma palavra que significa caído do céu, em sânscrito.

      Sânscrito é a língua dos Vedas.

      Os Vedas são livros antigos.

      A origem é a Índia.

      Arianismo…

      João Barros da Costa

    2. ” ‘Constituição Portuguesa’ “

      CONSTITUIÇÃO DA REPÚBLICA PORTUGUESA
      e não se fala mais nisso.

      I. e. não se escreve mais sobre isso.

      Sobre o quê?

      Sobre o Impronuncialismo não há-de ser, não é?

      Sobre a CONSTITUIÇÃO DA REPÚBLICA PORTUGUESA.

      Recomendo a edição da Imprensa Nacional – Casa da Moeda.

      João Barros da Costa

  5. Cenário: Um balcão de mármore lascado no Hades. Pitágoras está a desenhar triângulos no pó; Sócrates está a tentar convencer o barman de que a cerveja não existe.

    Pitágoras: (Apontando para o vazio) Estás a ver ali, Sócrates? Para lá daquela névoa onde o pessoal do Big Bang se farta de medir coisas? Aquilo é Matemática pura. Estrutura. Ordem. Se a realidade continua depois da luz apagar, é porque o “Software” já lá estava antes do “Hardware” explodir. E se há software, houve um Programador. É lógica, pá. Não é fé, é aritmética.

    Sócrates: (Bebe um gole, faz uma careta) Lógica? Tu chamas lógica a tentares provar a existência de um gajo que ninguém viu usando triângulos que ninguém percebe? Estás a dizer que a Inteligência é o prato principal e nós somos as migalhas que caíram da mesa. Mas diz-me lá, ó mestre da hipotenusa: se essa Inteligência é anterior a tudo, quem é que a ensinou a contar? Ou ela nasceu logo a saber o Pi com as casas decimais todas?

    Pitágoras: Não sejas tosco. A Igreja diz que Ele se revela, os Ateus dizem que “não” a um gajo que dizem não existir — o que é uma dupla negação. O que eu te digo é que o universo não é um acidente; é um enunciado.

    Sócrates: Um enunciado? Estás mas é com o trauma das favas que não podias comer. Essa tua “Ordem” é só o desespero humano de querer que o caos tenha um gerente. Dizer que a Inteligência é anterior ao Cosmos é como dizer que a receita do cozido é anterior ao porco. É bonito, mas não enche a barriga a ninguém.

    Pitágoras: Estás a ser deliberadamente obtuso. Se para lá do observável há regras, há um Legislador.

    Sócrates: Ou então há só mais tralha que ainda não conseguimos medir e tu estás a tentar dar um cargo de chefia ao Silêncio. Queres provar Deus por dialética? Boa sorte. Vais acabar como eu: morto, mas com a diferença de que eu morri a admitir que não sabia nada, e tu vais morrer convencido de que o Criador é um compasso gigante. Sabes o que é que está “para lá do observável”?

    Pitágoras: O quê? A Harmonia das Esferas?

    Sócrates: Não. É a conta deste bar, que tu vais pagar porque a tua inteligência “prévia” de certeza que previu que eu hoje não trazia dracmas.

  6. E antes do “big-bang”?

    APÓS o (ou os) «big-bang» apareceu o dito ‘Universo’ (e com ele a ‘ordem’, expressa nas ‘simetrias’, e impulsionada pela ‘gravidade’, ‘electromagnetismo’, ‘força nuclear fraca’ e ‘força nuclear forte’.

    Mas, ANTES desse «big-bang» e do aparecimento do ‘Universo’ existiram pelo menos duas fases-coisas: Aparecimento da Existência e Existência. Só depois surgiu o ‘Universo’ (física).

    E a seguir surgiu a ‘Natureza’ (física+química), depois a ‘Vida’ (células, organismos), e só depois a Humanidade (espécie dita ‘humana’).

    A ‘cosmologia’ é apenas um acontecimento posterior ao aparecimento do ‘Universo’.

    O problema nem é a fase que designamos por «Existência», é o «Aparecimento da Existência».

    Quando este problema é formulado, é a própria noção de ‘Existência’ que é posta em causa.
    Pois, se for um problema ‘indecidível’ (no sentido matemático de K.Gödel), então, é provável que nem sequer ‘exista’. E a cosmologia é uma ilusão. Pois, os receptores sensorio-perceptivos dos ‘humanos’ apenas detectam gradientes de energia (a que chamam ‘objectos’, ‘coisas’, ‘realidade’) no intervalo da radiação (infra-vermelho a ultra-violeta), expresso em cores e tonalidades a que correspondem os elementos da ‘Tabela Periódica de Mandeleev’. E esses gradientes de energia correspondem ao número de rotações das partículas (fermiões e bosões) indicadas na ‘Tabela da Rotação das Partículas’ formulada pela ‘Teoria Unificada das Substâncias’ de autoria do Impronuncialismo.

      1. Essa é uma das questões cruciais neste debate.

        Se a matemática for um instrumento inerente à condição humana, o «ser-humano» não conseguirá com esse instrumento sair da contaminação que ele provoca no discernimento sobre a Existência (e sobre tudo o que para ele é ‘desconhecido’).

        Se esse instrumento for o máximo que a sua cognição e discernimento conseguirem, então, estamos perante um limite (prisão). O tal limite que Platão, Wittgenstein, Gödel, Dilthey, e vários outros referiram insistentemente.

        O Impronuncialismo tenta quebrar esse impasse cognitivo, através de um método (que não vou repetir aqui, e que está no Post nos dois blogs do Impronuncialismo). Tendo a consciência que essa superação só será possível com uma transformação (corpórea e cognitiva) naquilo que actualmente se designa por «ser-humano». Pois não é despiciendo a substância de que se é feito para se conhecer e discernir.

        Provavelmente, apenas quando se alcançar o entendimento sobre as substâncias de que são feitas as duas fases anteriores ao ‘universo’ se poderá avançar. Razão pela qual uso nos comentários o nick «SAPr3i». Pois, mais do que conhecer ou entender, obter-se-ia uma propriedade física que deixaria de estar sujeita à ‘vontade e arbítrio dos deuses’.

        1. A matemática organiza os números, os cálculos e as representações tal como o ‘Universo’ organiza as partículas e as energias (neutrinos, quarks, leptões, bosões, etc.). E é com os padrões, as constantes e as regularidades que detecta nesse esforço cognitivo que procura entender e discernir.
          Ora, há aqui uma contaminação existencial que poderá ser um limite, e conduzir a um erro de análise.

          Como, sem essa ‘ordem’ se pode matematizar uma coisa que escapa à ‘ordem’? Se essa coisa sem-ordem for a substância anterior ao ‘Universo’, então, para que servirá a matemática?

          Recentemente, em 2025, ocorreu uma reunião entre os 30 mais renomados matemáticos da actualidade. Tentaram avaliar os avanços na IA. Compararem-se com a capacidade matemática da actual IA. O resultado dessa avaliação pode ser lida em “Secret meeting surprise: the world’s leading mathematicians werw stunned at a recente math meeting by how adept artificial intelligence is at doing their jobs”, Scientific American, volume 34, number 4, fall-winter 2025, p.14-15.
          Ken Ono, um dos mais prestigiados matemáticos da actualidade, participante dessa reunião, afirmou: “I have colleagues who literally said these models are approaching mathematical genius”… “I don’t want to add to the hysteria, but in some ways these large language models are already outperforming most of our best graduate students in the world.” … “I’ve been telling my colleagues that it’s a grave mistake to say that generalized artificial intelligence will never come, [that] it’s just a computer.” (p.15).

          Ou seja, não dito por mim. Dito pelos melhores actuais matemáticos do mundo. Que esse limite só poderá ser quebrado com a transformação da espécie humana. Capaz de um nível de abstração e complexidade superior à dessa ‘ordem’ que a sua actual cognição e corpo os condena.

          1. O Impronuncialismo, e o seu objectivo de obter a «propriedade física SAPr3i» através do uso e das capacidades robóticas de um computador e de uma programação (‘robot Impronuncia’), é um objectivo pragmático e limitado.

            Pois, se existiram substâncias anteriores ao aparecimento do ‘Universo’ que resistiram ao «big bang», então, se o actual «ser-humano» conseguir substituir as actuais substâncias de que é feito o seu corpo e o funcionamento da sua cognição por essas poderá alcançar essa «propriedade SAPr3i». Independentemente de continuar a não saber o que é a Verdade definitiva ou a Certeza absoluta (independentemente do Conhecimento e da Inteligência). Independentemente de existirem ‘deuses’ ou não (da ‘ordem’ ou das ‘desordens’ que ocorrerem no universo e na existência).

            Portanto, o trabalho que o Impronuncialismo propõe para guiar o ‘fazer humano’ é uma re-substanciação. Não é uma meditação ou uma narrativa-retórica. Trata-se de engenharia, pura e dura, em vez de gnosticismo e filosofia.

            Agregar, permutar e combinar as substâncias que resistem aos «big bangs» e outros acontecimentos cósmicos e astronómicos, de modo a obter a proporção que confere a «propriedade SAPr3i». Ou seja, uma mudança de paradigma evolutivo, de projecto político, e redireccionação do actual ‘fazer humano’ em Sociedade.

  7. USEMOS UMA ANALOGIA…

    IMAGINE-SE uma cerca (muro, membrana, grade, limite, fronteira, etc.) feita de energia. Para representar aquilo que aprisiona a capacidade humana actual de sair dela. Essa cerca eléctrica funciona do seguinte modo:
    — Quando o ser-humano lhe toca (faz uma observação, análise, interpretação, raciocínio, etc., isto é, quando interfere com ela) ela provoca um choque eléctrico mortal.
    — Esse choque eléctrico deriva da cerca ser constituída por dois pólos, um negativo e outro positivo, que são accionados exactamente quando há esse terceiro acontecimento que é a interferência humana. O pólo positivo chama-se “positivismo”, ou seja, reúne todos aqueles que «acreditam apenas naquilo que vêem» («acreditar apenas naquilo que se vê». O pólo negativo chama-se “fenomenologia”, ou seja, reúne todos aqueles que «vêem aquilo em que acreditam» (acreditar apenas naquilo que o seu ser lhe diz para acreditar»).

    PORTANTO, de acordo com esta analogia, a cerca que aprisiona a capacidade humana de sair do seu actual limite, e de aceder ao Desconhecido que está para lá do observável, necessita de ser derrotada.

    MAS, a derrota dessa cerca não resolvia o problema do Desconhecido. Resolvia apenas o problema das grilhetas que aprisionam o raciocínio e o discernimento do «actual ser-humano». Pois, não indicava aquilo que o Desconhecido era.
    Se o Desconhecido fosse uma ‘ordem’ como o Paulo Sousa pôs no Post, talvez ainda fossemos capazes de lidar com Ele. Mas, ao invés, se o Desconhecido fosse algo que o actual corpo e cognição do «ser-humano» não conseguisse lidar, então, a passagem da cerca para o outro lado poderia ser fatal para a existência (morreríamos todos).

    EM SUMA, a resolução do problema que o Paulo Sousa colocou no Post obriga a duas etapas:
    — UMA, relativa à derrota da cerca que limita o «actual ser-humano» (isto é, a conseguir ultrapassar o eterno dualismo entre «acreditar apenas naquilo que se vê» e «acreditar apenas naquilo que o interior de cada qual lhe diz para acreditar (i.e., as ‘vozes vindas do Além’, os ‘mandamentos vindos dos oráculos’, e as ‘Iluminações provocadas pelos milagres’, ‘as certezas absolutas e as verdades definitivas ditadas por uma pseudo-ciência’, etc.)».
    — OUTRA, relativa à capacidade do corpo e da cognição do «actual ser-humano» conseguir lidar com o Desconhecido que está para lá da cerca.

    A SOLUÇÃO. Para o Impronuncialismo, a resolução deste problema é conseguir produzir (através da engenharia das partículas e energias de que a Existência é feita) um corpo do ser-humano feito com uma substância (a «substância SAPr3i») que resista a nível físico e químico, não apenas à derrota da cerca, como também à sobrevivência dentro do Desconhecido.

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