(Antonio Banderas lleva a Málaga y Ceuta a su discurso en los Premios Juventud)
Há meses o Papa veio à Península. No âmbito da visita o actor Antonio Banderas fez um discurso substantivo. Foi muito aclamado. Também por cá (por exemplo, neste FB vi muitos “progressistas” partilhando excertos ou elogios, em publicações que foram apetecíveis aos “gostos” alheios).
Agora Banderas recebeu um prémio (Juventud 2026). Faz um discurso … substantivo. E dedica o Prémio (no final deste breve minuto e picos de filme) aos cidadãos de Ceuta.
Seria interessante que esses nossos “progressistas”, que nestas últimas semanas sobre os acontecimentos em Ceuta vêm perorando indignas inanidades defendendo o PS(OE) – esse último biombo que aparta os nossos “socialistas” da evidência “o partido vai nu” – conseguissem apreender isto.

As posições espanholas sobre Ceuta e Gibraltar são curiosas, embora algo incompatíveis.
Se os nossos nacionalistas de pacotilha não gostassem tanto de guardar os troféus de uma colonização que não conseguiram sustentar talvez estes problemas fossem menores.
Gostava de saber a sua opnião sobre como um governo de outra cor política teria resolvido o prooblema, invadia Marrocos? Atirava a matar sobre os migrantes? Enviáva-os para Lampedusa?
É fácil dizer que foi mal feito, dizer como se fazia bem é que custa.
Bem, ao longo dos últimos largos tempos a imprensa tem debatido a peculiar política desta governação do PSOE face à imigração, que poderemos sintetizar – sem sarcasmo ou ironia – como de “portas abertas”. Mais, apoiantes do governo, integrantes desse miríade que é a coalizão que o suporta no parlamento, defendem mesmo a estratégia de “mudança demográfica” com intuitos de crescimento politico-partidário [Aliás, um ideal que recentemente vi, até surpreendido, aludido de modo crítico (pois defendido por “esquerdista” maoísta) num romance de Carlos Brito escrito há décadas – se tiver interesse: https://alterjpt.substack.com/p/o-anticomunista-primario ]
A imprensa também referiu as mudanças recentes na legislação espanhola que acicataram as já exaltadas vontades de imigração ilegal. Mais ainda, tam´bém foram referidas alterações – até da estruturação física – da fronteira em Ceuta que implicaram a facilidade do acontecido. Mais ainda, a imprensa também vem referindo com abundância que esta vaga ia sendo anunciada e que o governo (dotado de serviços de informações e policiais) fez “orelhas moucas” aos avisos de que aquilo se preparava.
Mais ainda – e aqui mais explicitamente ligado com as declarações de Banderas – também vem sendo referido a inacção do Estado na reinstalação da ordem pública, ameaçada de forma brutal pela manutenção de inúmeros imigrantes ilegais.
Quanto a essa afirmação da contradição espanhola face às questões de Gibraltar e de Ceuta, ela de facto não existe (a não ser que se queira afirmá-la, de modo voluntarista). Cherchez la ONU, bastaria dizer. Ainda que mesmo face à questão das categorizações da ONU, que não consagra Ceuta como território colonial mas fá-lo face a Gibraltar, haja que considerar a soberana vontade das populações residentes – as quais, em meu entender, deveriam suspender a vontade espanhola de requerer Gibraltar, mas isso é apenas a minha opinião.
Quanto à alusão aos “nossos nacionalistas de pacotilha etc” é também o fruto do que refiro no texto (e no outro ao qual deixo ligação no postal): só resta aos adeptos do PS louvar o que se passa na vizinhança mais próxima…
Quanto à sua alusão a uma minha hipotética adesão a um abrir fogo com munição real sobre imigrantes ilegais. Eu não sou um pacifista fundamentalista. Pois considero (infelizmente) necessária a melhor preparação (logística, jurídica e de recursos humanos) para o exercício legítimo da força (um monopólio estatal). E nesse enquadramento abrir fogo real sobre civis, sem esgotar todas as outras hipóteses, ofenderá princípios jurídicos de um Estado democrático – nacionais e internacionais. Bem como destoará eticamente.
Mas todos os princípios têm excepção: se eu estivesse incumbido de poder, mandaria abrir fogo real sobre comentadores anónimos disparatados.
Faz várias afirmações sobre o governo espanhol que são estranhas: Parece que este sabia que vinha aí uma invasão e não tentou impedi-la, talvez porque precisava de criar um problema nacional e dar uma ajuda à extrema direita racista; a Espanha segue um sistema de “portas abertas”, os emigrantes são precisos para trabalharem barato, mas só se voltarem à noite para o país deles, se não puderem voltar sempre podem ficar como clandestinos sem direitos. Citar a ONU é bom, mas um enclave é um enclave, diga a ONU o que quiser.
Tem muita graça na sua alusão ao fogo real, mas não responde à pergunta: o que são outros métodos que não o fogo real? (refiro-me ao fogo sobre emigrantes, claro).
O governo espanhol tinha obrigação de saber que o abracinho à Argélia não ia ficar sem resposta. E Marrocos já tinha mostrado não ter grandes pruridos em usar a cartada da migração.
O resto foi caldinho.
Jo julgo que a minha primeira resposta lhe é suficiente para as angústias noticiosas que aqui repete. E as quais, de facto, não se prendem com o teor do postal – a situação em Ceuta é má, o governo de Madrid não está a ser competente e é a isso que Banderas alude (muito explicitamente).
Quanto à sua inquietação sobre os métodos a ter face à imigração em massa que eu proporia: é desconversa sua. Mesmo. Repito, o paleio (compreensivo, justificativo, etc.) da política deste governo PSOE só tem um fito: escovar o nosso PS. E é patético. Além de ser suicidário para os apoiantes dos respectivos partidos.
Quanto à outra excêntrica matéria que decidiu trazer, a da comparação de Ceuta com Gibraltar. Outra desconversa, típica do comentariado anónimo em vontade de “contraposição”. É excêntrica porque a matéria da soberania espanhola ou marroquina de Ceuta não foi colocada por este “incidente” (ou seja, Marrocos não a reclama, implícita ou explicitamente, como causa deste acontecimento). É excêntrica também porque a matéria é, de facto, a emigração para Espanha/UE e não a tal matéria.
Eu não cito a ONU. Refiro-a. Apenas porque V. entendeu levantar a questão afirmando-as similares: “As posições espanholas sobre Ceuta e Gibraltar são curiosas, embora algo incompatíveis.” Responde você segundo a sua opinião “Um enclave é um enclave”, é apenas a sua opinião. Eu dignei-me a responder-lhe: são questões diferentes face ao Direito Internacional. O que pode ser discutido, claro, ele não é sagrado nem eterno – mas são, de facto, diferentes. Tais como os processos históricos da sua constituição. E não me restringi a “citar” (“amandar”) a ONU, acresci que o sentimento dos habitantes (que não são “colonos”, recentes ou anteriores, ainda por cima) deve ser fundamental. E em nenhum dos casos eles querem uma transformação.
Mas que debatam essas situações – e se lembrem que Kadafi também reclamava a Madeira como africana, a anexar pela OUA, a seguir aquilo que V. aqui me aparece a defender, a despropósito. Mas, acima de tudo, que se tenha consciência (à sua excepção, pois lhe apetece vir aqui ao DO brincar `às contraposições) de que isso nada tem a ver com os fluxos migratórios ilegais e as políticas governamentais, a sul e a norte, para os dirimirem.