Desafiado pelo Pedro e a Teresa, ora aqui vão seis algumas particularidades minhas:
- De todas as cidades que conheço, Nova Iorque é a que mais gosto e, blasfémia, não gostei de Paris. Lisboa não deixa de ser uma segunda casa a que retorno sempre com gosto e no Algarve sinto-me em casa em qualquer local.
- Marco Pantani no ciclismo, Ayrton Senna no automobilismo e Pete Sampras no ténis foram as figuras que me fizeram apaixonar pelas modalidades em causa. Lance Armstrong, Michael Schumacher e Roger Federer foram desportistas que me conquistaram após resistência natural por estarem a ocupar um lugar que antes pertencia como que ao primeiro amor. No golfe estou em fase de namoro e a culpa é do Tiger Woods. De futebol gosto muito e cada vez mais à medida que a paixão pelo Benfica desvanece.
- Se me obrigassem a optar por um dos escritores clássicos, seria uma decisão dificil entre Dostoiévski e Kafka, mas era por este último que muito provavelmente optava. Ao contrário de boa parte dos britânicos, eu efectivamente li o 1984 de George Orwell e esse é um dos livros da minha vida. Ficando pelos contemporâneos, Roth está no topo das minhas preferências.
- Não gosto particularmente de música portuguesa, sou um fã confesso dos Beatles e há quem diga que o meu gosto pela música da Norah Jones é um tanto ou quanto exagerado (ao vivo, tive a felicidade de assistir ao Paul McCartney no Rock in Rio e à Norah Jones no Coliseu dos Recreios, ambos em 2004).
- O primeiro filme que assisti no cinema foi O Parque Jurássico e o último foi o Watchmen. Tenho todos os filmes que vi, no cinema e fora dele, pontuados no IMDB, num total a rondar o milhar. De todos esses, as minhas pontuações que mais se distanciam da média dos restantes utilizadores do site foram para O Fabuloso Destino de Amélie Poulain e As Virgens Suicidas. Um deles está sobrevalorizado, o outro subvalorizado – mais não digo.

Registo, com agrado, o seu gosto pelo ciclismo. Atento há mais tempo, teria gostado de ver Eddy Merckx. Ocaña. Agostinho, Hinault e Indurain, entre nuitos outros.
Agostinho, Livramento, Carlos Lopes: trilogia de campeões que me fez torcer desde pequenino pelo Sporting. Nenhum deles futebolista.
Tudo nomes que fazem parte da história da modalidade. Mas enquanto fruto da colheira de 83, não tive oportunidade de ver muitos deles pedalarem.
Contudo, a primeira volta a França que acompanhei foi a que Indurain tentava a sexta vitória em nome da equipa Banesto (nesse ano fez mesmo a volta ao Algarve, acompanhado pelo Orlando Rodrigues). Mas, sinceramente, eu sou um fã de trepadores e pouco de especialistas em contra-relógios. Também por isso demorei a gostar de Lance Armstrong.
Em Portugal, recordo sempre com gosto o Joaquim Gomes (lá está, a minha preferência por trepadores). Inclusive de uma volta onde, devido ao nevoeiro da serra da Estrela, este e o Orlando Rodrigues discutiram taco a taco a vitória na prova sem que a RTP conseguisse transmitir boa parte do final da etapa.
Recentemente, com os casos de doping, confesso que afastei-me um pouco do acompanhamento da modalidade.
Indurain, tal como Armstrong (e Joaquim Gomes) eram bons contra-relogistas e bons trepadores. Pantani só era bom trepador.Daí que não tenha sido um campeão à medida dos outros dois, apesar de ser um trepador do melhor que já houve.
Quanto ao doping, não se iluda: se nas outras modalidades houvsse tanto escrutínio como no ciclismo o drama era o mesmo.
Vocês, com o ciclismo, a estas horas, estão a fazer-me lembrar que ainda vi correr o Poulidor, eterno segundo. Foram os tempos áureos do ciclismo, modalidade que hoje está totalmente desacreditada pelo uso e abuso de drogas. Deixei de me interessar por causa disso.
“Daí que não tenha sido um campeão à medida dos outros dois”
É certo, mas Pantani, no ano em que venceu a volta a França, garantiu-me a melhor etapa que alguma vez assisti em ciclismo (embora seja impossível não pensar que na altura estava dopado, mas como todos os outros também deviam estar…).
“Quanto ao doping, não se iluda: se nas outras modalidades houvsse tanto escrutínio como no ciclismo o drama era o mesmo.”
Pode ser verdade, mas em muitas outras modalidades o doping não afecta tanto a performance como no ciclismo.
Sim, sim o velho Pirata dava espectáculo…
Quanto ao doping, mantenho o mesmo.
Esse gosto pelo ciclismo é a prova científica do que o cérebro dos homens é diferente do das mulheres. Francamente… Ainda por cima, soube que os ciclistas em competição não param para resolver necessidades fisiológicas. Ora fiquem lá com esta!
Pois a minha opinião sobre as bicicletas é muito linear: o motor de combustão deu origem ao automóvel e desapareceram os coches; o mesmo motor deu origem às motos e não desapareceram os velocípedes a pedal. Nunca entendi isto…
“Esse gosto pelo ciclismo é a prova científica do que o cérebro dos homens é diferente do das mulheres.”
Cara Cristina,
A Jeannie Longo discordaria de tal tese. 🙂
http://en.wikipedia.org/wiki/Jeannie_Lo ngo
É verdade, sim, Cristina. E nem imagina a ginástica que é preciso fazer… Mas isso é só mesmo em último caso, porque na maior parte dos casos dá para parar e retomar o pelotão.
Isso era no tempo em que desporto significava mais do que futebol…
É. Hoje, em Portugal, assistimos à «futebolização» do desporto, ou melhor, à «clubitização» do futebol. Já não há pachorra.
1. Não gostaste de Paris? C’est domage. Aceita um conselho: tenta outra vez. Eu à primeira também não apreciei muito.
4. Como eu entendo essa tua fixação na Norah Jones…
5. Também anoto todos os filmes que já vi e atribuo-lhes classificações. O mais sobrevalorizado do último ano foi ‘Este País não é para Velhos’, que detestei.
(não eram seis características?)
Abraço, Jorge
Realmente, acho que o Jorge é a primeira pessoa que conheço que não gosta de Paris. Acho que vai mudar de ideias, mais cedo ou mais tarde.
Acho que o Jorge nunca andou pelas noites de Paris.
Haha! Ora cá está algo que, sendo verdade, pode muito bem explicar tudo…
1.Era para ter feito referência a isso – concordo que tal cidade merece segunda oportunidade da minha parte.
5.Eu até gostei do “Este País não é para Velhos” e curiosamente até estive para fazer referência ao Cormac McCarthy a par do Roth…
“não eram seis características?”
Eram. Eu é que apesar de ter separado a coisa em 6 tópicos, acho que no que toca às particularidades fui bem além das 6.
Um abraço.
Tens razão.
Tenho um problema com o Roth neste momento. Comecei com O Animal Moribundo e não estou a gostar particularmente.
Do Roth gostei muito d’ A Mancha Humana. Gostei menos d’ A Conspiração na América. Detestei outro livro dele que deixei a meio e nem me lembro do título.
Deve ser O Animal Moribundo 😉 Está quase, quase a ficar a meio
Quando não gosto de um livro, fica a meio – para sempre. Agora estou a acabar ‘Intelectuais’, de Paul Johnson, que é excelente. E já comecei ‘O Mundo’, de Juan José Millás.
Também já meti outro do Kundera pelo meio mas ainda não desisti do Roth. E A Montanha Mágica já acabaste?
Isso é que é boa memória… Não, ainda não. Faltam-me aí umas 80 páginas. Vou ler dez diariamente e em oito dias, antes do fim do mês, acabo. Depois darei nota aqui. Mas é uma chumbada. Chumbo grosso mesmo.
Uma das minhas características que não enumerei… Quanta disciplina.
Eu gostei d’O Animal Moribundo, mas gostos não se discutem. 😉
Já o A Conspiração Contra a América também gostei, mas está longe do melhor de Roth e A Mancha Humana nunca li. Mas o meu favorito dele é o Todo-o-Mundo, que tem a vantagem de ser leitura rápida.
Vou dar-lhe outra oportunidade, deve ser mesmo de mim 🙂
‘The Beatles’, sempre. Excelente para conduzir sozinho estrada fora, a Norah Jones.
Jamais consegui concluir se o primeiro filme a que assisti foi ‘Os 101 Dálmatas’ ou ‘A Quimera do Ouro’. Sei que tinha cinco anos e que foi num pequeno e já desaparecido cinema de bairro, o Nun’Álvares, muito acolhedor por estar numa área bem frequentada do Porto.
Também ia dizer qualquer coisa sobre desporto, mas de repente senti-me cansado… Fico-me pelo Juan Manuel Fangio, que ainda vi correr no velho Circuito da Boavista, agarrado à mão paterna.
O meu primeiro filme foi ‘Astérix o Gaulês’. Hei-de falar disso um dia destes aqui.
“Excelente para conduzir sozinho estrada fora, a Norah Jones.”
Nem mais. Tantas viagens Lisboa-Algarve na companhia da Norah.
Parece que os comentários a este post se resumiram aos membros da equipa do Delito de Opinião, mas se me permitem vou meter a colher. Quando se fala de Roth não me seguro! Bem, e de Norah Jones também não!
Alexandra,
não posso deixar de reconhecer-lhe o bom gosto. 😉
“E o Parque Jurássico tb foi o meu primeiro filme no cinema – arrisco dizer que devemos ter mais ou menos a mesma idade, Jorge!!”
Será? Eu cá sou colheira de 83, confirma-se?
Claro! Sou de 82!
Então é karma da geração de oitenta, o Jurassic Park. Também foi o primeiro filme que vi em cinema – em cinema ambulante exibido lá na Casa do Povo da aldeia, encostado aos suportes do projector – e sou de oitenta e cinco…
Excelente, esta vossa descoberta sobre o primeiro filme em comum. Está a dar-me uma ideia de lançarmos aqui no blogue um relato sobre a nossa primeira vez… no cinema.
Também estou a achar esta descoberta curiosa. E parece-me uma óptima ideia Pedro. Entretanto, a mim, isto deu-me uma ideia foi para a próxima música de um filme.