
(Fotografia de Miguel Valle de Figueiredo)
Logo após o acidente do Elevador da Glória gerou-se uma polémica sobre a “culpa” (“responsabilidades” é um mero eufemismo, dado o teor das invectivas). Trata-se apenas de uma entrincheirada guerra de narrativas – pois sobre a vontade de apear Moedas ninguém será convencido de que não tem a razão apriorística que decidiu ter.
Alguns doutos apontaram como causa evidente o “neoliberalismo” (evidente pseudónimo de “capitalismo”). No Facebook um Prof. douto sistematizou que independentemente das causas técnicas as tais “responsabilidades” (a culpa, entenda-se) cabem a Moedas. Outro douto, artista não Prof., meu amigo, ainda ontem esclareceu que foi “uma decisão gravosa” de Moedas que causou aquilo. Outros doutos resolvem o assunto devido a ser ele – Moedas – o “pior presidente de sempre”. E (muita) gente menos douta comprova essa mácula do autarca devido a ser ele uma “figurinha”, e até portador de uma “vozinha” – mas, de antemão, será possível imaginar os impropérios que dedicarão a alguém que aluda em termos também pejorativos às características físicas da candidata do PS.
Entretando as notícias vão saindo: a “externalização” (como agora se diz) do trabalho de fiscalização foi decidida por um governo, e do PS, e manteve-se durante o longo período da domínio do PS na Câmara. Tal como a já recuada contratação da empresa de fiscalização. Agora a imprensa divulga que as transformações no Elevador que terão (“terão” sublinho) provocado o desastre foram decididas pelo anterior executivo PS e pela anterior administração da CARRIS, por aquele nomeado, e que o material que se degradou foi fornecido/aprovado pela empresa para-estatal (necessariamente “virtuosa”, nas doutas considerações).
Também se disse que à CARRIS foram retirados meios financeiros para a fiscalização. Ao que parece… não foram.
Entretanto muitos brandiram que Moedas pedira a demissão do anterior presidente Medina, por considerar que ele tinha responsabilidades no “Russiagate” (nome insuficiente para a abrangência de miseráveis delações que a CML fez). Esquecendo não só que esse caso era estritamente político, mas também que a imprensa noticiara essa situação com detalhe anos antes de qualquer medida de Medina, assim tornado responsável inequívoco.
E também brandiram o caso, dito “exemplar”, de Jorge Coelho, que assumiu “responsabilidade política” após um desastre. Esquecendo duas coisas: a falácia da analogia – Coelho era ministro, ou seja “vereador” do governo, e Guterres (o homólogo, à escala, de Moedas) não se demitiu. E, segunda e mais importante, o Estado estava muito informado da situação gravosa da ponte de Entre-os-Rios e não actuou, sendo irresponsável, motivo suficiente para a queda de Coelho, por “irresponsabilidade política”. Este artigo do antigo presidente daquela Câmara, Paulo Teixeira – “Quando a verdade é inconveniente” no Observador, em acesso livre – então tornado célebre, é amplamente elucidativo. Ao invés do inopinado do caso de agora.
Nada disto convencerá os doutos, os menos doutos, nem o meu amigo. Para eles é indubitável que a responsabilidade é de Moedas – que ainda para mais é franzino e não tem voz cava. E, já agora, também do “neoliberalismo”. E segue esta gente ciosa de si-mesma…

Experiência pessoal, uma certa reunião com uma empresa externa que ia iniciar um processo de auditoria iniciou com “quais são os resultados finais a obter ?”
E…?
Essa malta só deve andar em companhias aéreas cuja manutenção é garantida por empresas públicas. O que equivale a dizer que, se fossem coerentes, nunca andavam de avião.
Pois, argumento irrefutável.
Comparar um ministro com um vereador ou um presidente de câmara com um primeiro ministro é o mesmo que comparar alhos com bugalhos. O problema é que Carlos Moedas é incapaz de se responsabilizar seja pelo o que for. Lisboa é uma cidade suja e ao Deus dará. O presidente de Câmara gosta muito de utilizar a palavra “pessoas”, mas a verdade é que as suas ambições políticas superam em larga medida qualquer preocupação com os Lisboetas. Um verdadeiro líder dá a cara e não busca subterfúgios sejam eles da natureza que forem. Infelizmente, o problema é o partidarismo e os interesses,que lesam e muito toda a capacidade imparcial de analisar seja o que for. Carlos Moedas é o presidente da câmara de Lisboa e por isso é o responsável político. Ao fim de quatro anos, que preocupações é que este senhor teve com a segurança ou a limpeza da cidade? Se no passado ouve más opções, então Carlos Moedas teve a oportunidade de denunciar e corrigir, mas não limitou- se a passear a vaidade pessoal e até a tomar louros de trabalhos que nem sequer foram começados por si. Responsabilidade é assumir o bom e o mau sem medos de qualquer espécie. A mentira tem perna curta e Carlos Moedas não é, não foi, nem será um digno presidente de câmara se for eleito. Por mim está na altura de termos um novo/a presidente de câmara.
1. Não comparo um ministro com um vereador nem um primeiro-ministro com um presidente da câmara. E isso é evidente, pelo que esse seu começo de comentário é uma mera atoarda. 2. Ana Magalhães, V. não gosta do exercício camarário de Moedas. É normal que isso aconteça. Critica-se o homem e o seu desempenho. E, de quando em vez, vota-se. E é, de certa forma, normal que – ainda por cima tão perto das eleições – a propósito de um postal destes se escreva um comentário como o seu, crítico do homem. Mas, como é também evidente, não põe em causa o que aqui escrevi.
Jpt,
Eu não sei quem é que está ou não atordoado. Eu também não disse ou melhor escrevi que o jpt comparou um ministro com um vereador ou um presidente de câmara com um primeiro ministro. Apenas critiquei de certa maneira quem pensa assim, tudo o resto que escrevi é de facto uma crítica ao presidente da câmara de Lisboa, que aliás até podia ser muito mais extensiva. Lisboa como qualquer cidade é demasiado importante para ser negligenciada de responsabilidade por isso o meu desejo de mudança.
Sim, Moedas é decerto muito criticável, também será elogiável ou contextualizável. É (também) para isso que cá andamos. Agora que cidadãos venham clamar as responsabilidades “evidentes” e “irrefutáveis” do homem sobre este acidente? Pior, que funcionários públicos que são pagos para investigar, leccionar e criar, o venham dizer? É sobre isso o meu postal. Do funcionamento da Câmara não falo, já me basto o que ando a perorar sobre a minha Junta de Freguesia.
Por acaso vai para 32 anos que passei por Lisboa a caminho de Anaheim desde aí “jamais-fr” ir em Lisboa. Lisboa era assim uma espécie de “Solheiro”, que faz lembrar os costumes de outros tempos, “Mulheres de Solheiro”. Passarm os tempos:
E assim voltou Lisboa aos tempos de outrora e voltam ao velho costume do “Milho Rei”.
Lisboa ficou mais atraente; o diabo foi quando o Poderoso Moedas resolveu passar pelas Américas, pelas Áfricas, pelas Índias e fazendo um desvio pelo Pacífico a convidar toda a Humanidade: ” Vinde, vinde Portugal é o caminho do Futuro!
Aguenta, vê bem com que pé usas a caneta!
Pois, o homem é demiurgo
Apaguei um miserável comentário anónimo, não só pela sua sabujice PS, como pelo facto de nessa ladainha socialista vir negar o fundamentado artigo que aqui ligo, de Paulo Teixeira, bem como por minorar o abjecto de traição nacional de um dirigente do PS. É lixo, vai para a lixeira.
Será por isso que eu agora não consigo ler esse artigo?
Este é um pequeno exemplo dos comentários ditos de “contraditório”. O texto do Observador está em acesso livre (eu não sou assinante). Por razões que desconheço a ligação (“link”) ao texto não funciona aqui colocada. Portanto alterei e identifiquei o texto, que será legível através de busca – não há um comentário, nem o seu, a referir o ponto, apenas o azedume, manso. E a abjecta dissertação socialista, negando – sem sequer ter lido o texto do antigo presidente da Câmara, no afã de defender o PS – tudo o que ele ali escreve, e fundamentando-se por ter apresentado toda aquela argumentação (item a item) no tribunal.
ainda espero ouvir um técnico altamente qualificado sobre
”ciências ocultas, bruxedo e mau olhado”
Há muitos
Moedas não tem cara de ter feito a tropa. Dá pena ver este coitado feito calimero.
Que profundo pensamento lisboeta
Virou-se o feitiço contra o feiticeiro: Medina, PNS e cias perderam uma grande oportunidade de ficarem calados.
O que admira é o PS ainda estar em terceiro lugar nas sondagens.
Com gente destas Ventura é um génio.
O Prof. acentua-se o triste panorama
Logo após o acidente o menino Moedas, foi ter com o professor, pôs-se em cima da cadeira e gritou:
Não fui eu! Quem diz o contrário mente!
Se alguém diz que fui é um malandro!
E se alguém não diz que fui eu é um cíinico!
Independentemente de ter alguma culpa no acidente a atitude parece ridícula.
Para que serve um legume destes aos Alfacinhas ?
Que extraordinária reflexão
O cabo mudou há 6 anos.
Ou assim. Não convém referir, pois já não pega com a narrativa ..
Só mesmo a cegueira ideologica vê no famoso artigo algo diferente do que os socialistas disseram, Jorge Coelho sabia do mau estado do tabuleiro da ponte, foi determinado no seu mandato a construção de uma nova, visitou a ponte para se inteirar e concerteza que não fechou a ponte porque a entidade que tutelava as vias de comunicação rodoviárias não fez esse juízo. Ficou provado em tribunal, sendo todos os engenheiros absolvidos, que os mesmos não sabiam da perigosidade da ponte relativamente à sua estrutura, sendo o conhecimento do mau estado limitado ao tabuleiro. Jorge Coelho que tutelava politicamente a JAE demitiu-se. Jamais Jorge Coelho, ou qualquer outro politico com uma comunicação desfavorável manteria a ponte aberta, que é isso que Moedas pretende dizer o que demonstra o quão execrável é.
Tentar justificar a teoria de Moedas em 2025, divulgada pelo mesmo em 2021, com uma mentira é uma ofensa a quem já morreu.
Basta ler as noticias referentes ao assunto nos anos seguintes à queda da ponte para concluir que Jorge Coelho não podia conhecer a perigosidade de a ponte vir a cair, considerando que os engenheiros responsáveis por essa avaliação também desconheciam a situação.
Por essa razão se diz que judicialmente, ao contrário de politicamente, a culpa morreu solteira.
Mas acima de tudo, convém não ecoar mentiras, senão também se é aldrabão.
A vontade anónima de manipular argumentações para defender causas políticas é desprezível, duplamente desprezível – pela manipulação, pelo anonimato sob o qual se mente. Não tenho qualquer interesse em refazer julgamentos após 25 anos. Aquilo que refiro no texto é que a comparação neste caso com a situação que levou à demissão de Jorge Coelho é descabido. Está explícito no texto. E no texto de Paulo Teixeira está bem explícito que o Estado sabia do estado da ponte que caiu e não interveio apesar dos múltiplos avisos, que ele fez, que a imprensa local fez, que a população fez. Mas ainda, contrariaremente ao que o indigno anónimo socialista aqui vem botar, escreve Paulo Teixeira – e nisso avivando a memória de quem acompanhou aquela triste situação: “Tal como disse há vinte e quatro anos, a Administração Central tinha conhecimento dos nossos alertas, sabia do estado do tabuleiro da Ponte Hintze Ribeiro e, mais ainda, soubemos após a tragédia que o organismo que tutelava a ponte, a JAE, sabia do estado em que se encontravam os pilares, conforme um vídeo de uma inspeção subaquática feita nos anos 80 pela JAE, e divulgado pela estação de televisão SIC uns dias após a tragédia.” Sé mesmo um miserável pode vir aqui escrever o que este anónimo socialista escreve a propósito do texto do antigo presidente da cÂmara
Mas o que é que isso interessa passado 24 anos. Não faz sentido Moedas voltar a baila com este assunto. A verdade é que Moedas está a fugir com o rabo a seringa. Isso, sim é completamente desprezível, duplamente desprezível.
Como eu escrevi no postal: “pois sobre a vontade de apear Moedas ninguém será convencido de que não tem a razão apriorística que decidiu ter” – não foi Moedas que levantou a questão, foi um colectivo evocar da situação de Jorge Coelho, apelando a que se demitisse ele como se esta situação seja igual. Não querer perceber isso é exactamente o que refiro no comentário acima, uma torpe manipulação.
Desculpe-lá. Não seja um menino Tonecas, não diga tangas.
O curioso é este ex-autarca de Castelo de Paiva, Paulo Ramalheira Teixeira ser do PSD. Mas que jeitaço.
sim, ó de novo anónimo, é (ou era) do PSD. Foi decerto por isso que aconteceu tudo aquilo lá na terra dele
Há um padrão neste mandato da Câmara de Lisboa: propaganda nas redes sociais e vitimização quando algo não corre bem.
Tá bem anónimo das redes sociais
Não me perguntem porquê, mas mal ouço as palavras Elevador da Glória, imediatamente me vem ao pensamento os Rádio Macau pela voz irrepreensível da Xana.
Ao menos isso
Se o Moedas tivesse crescido nos Olivais tinha aprendido a ser um homem com H grande em vez de o menino que é hoje. Nos Olivais um gajo não bebe leitinho. A jola é logo abençoada pela manhã.
Enfim, ó Marques, se lhe apeteceu dizer isso…
Para mim, a responsabilidade (culpa é outra coisa) é sempre de quem ocupa o cargo. Independente do que anteriormente se tenha passado. Seja na situação aqui relatada ou noutras. Pela simples razão de não ser de ninguém de outra forma.
Quando Moedas diz que só assume responsabilidades se se provar por A+B que é culpado (sim, culpado), está obviamente equivocado e a misturar responsabilidade com culpa.
Sim, por princípio concordo consigo. Até poderei juntar que se pode indagar sobre se houve desde a chegada de Moedas à presidência camarária algum processo criterioso, até mesmo exaustivo, de “auditoria” sobre a segurança de todos os transportes públicos actuantes em Lisboa – coisa que será possível prever agora, após este desastre. É certo que poderei especular sobre o que um processos desses provocaria na oposição (acusações de dispêndios desnecessários, de “caça às bruxas” sobre decisões prévias, etc) mas isso seria apenas isso mesmo: especulação. Mas isso é uma matéria, outra é aquela sobre a qual eu escrevi: a imediata tentativa de políticos e “opinadores” do PS/CHEGA e afins de imputarem a responsabilidade a Moedas (no sentido de “culpa”, pois aludindo explicitamente a relações de causa-efeito a decisões recentes tidas). Bastou pouco tempo e conclusões iniciais dos processos de investigação para evidenciar como esses discursos (repito, oriundos das áreas do CHEGA/PS e afins) são miseravelmente demagógicos.