Este ano seremos convidados a ir votar em três ocasiões, para as europeias, as legislativas e as autárquicas. Como o histórico sugere, o valor da abstenção será relativamente elevado em qualquer uma delas. O certo é que em muitos casos a decisão de não votar aparenta ser a escolha certa do ponto de vista racional. Isto é tão mais verdade quanto mais o benefício do voto individual restringir-se à possibilidade de decidir o resultado das eleições. Dado isto, o estranho não é tanto a quantidade de eleitores que não votam, mas antes o que motiva quem vota?
Sobrevalorizado
Jorge Assunção,

Jorge, nem que mais não seja pela simples razão de todos os que andam a viver à custa do colinho do papá estatal irem todos votar para defender o seu lugarzinho ao sol. E quem não for votar fica à mercê das suas decisões. Isto é, fica a sustentá-los enquanto eles decidem das nossas vidinhas… Mais decepções e frustações do que eu já sofri ao longo destes 30 e tal anos de so called democracia… desafio quem me possa ganhar. Só vi um único President ser eleito (Eanes em 76), a AD com Sá Carneiro (pouco depois tudo se esvaneceu com a sua morte violenta), e o governo de coligação psd/cds (que também foi abandonado pelo “big chief” e apeado por outro “big chief”). E no entanto lá estarei se não me der um treco antes… E vê bem, até os nossos emigrantes querem exercer o seu direito de voto…
Ana,
“E quem não for votar fica à mercê das suas decisões.”
mas eu contesto essa tese. Porque não existe uma única eleição das três que cito que tenha sido decidida por um só voto (e a probabilidade que tal aconteça é muito reduzida).
“até os nossos emigrantes querem exercer o seu direito de voto…”
É essa a minha pergunta, o que os motiva? Qual é o beneficio de votar, se decidir quem ganha ou perde não o é certamente?
Jorge, como disse o “último imperador” desde criança, no fabuloso filme de Bertolucci: “I don’t understand”… Hoje, desde que vi ali “a melhor line de sempre do cinema”, só me ocorrem lines de filmes…
Ana,
“Hoje, desde que vi ali “a melhor line de sempre do cinema”, só me ocorrem lines de filmes…”
🙂
É a isto que me refiro: ine/06freak.html?pagewanted=1&_r=1
http://www.nytimes.com/2005/11/06/magaz
Li o artigo atentamente e até está engraçado. Ainda bem que os economistas têm sentido de humor e não se levam demasiado a sério… mas insisto que, mesmo que pouco racional, “a esperança é a última a morrer”. Penso que o principal argumento está na gestão das expectativas…
E aí vai outra line: “It´s a mystery…” (produtor teatral do “Shakespeare in love”)
Como diria Agatha Christie, “It is completely unimportant. That is why it is so interesting!”, mas de facto este é um assunto que nunca vi levantado por outra espécie que se não a dos economistas. 🙂
Eu agradeço o convite, mas dadas as perspectivas recuso ir lá votar.
Ah, mas o meu post remete para uma situação independente das perspectivas. Independentemente das perspectivas, porque votamos?
Porque votamos? Porque esse é o nosso direito mais básico de cidadania e se nos tirarem isso – porque, renunciamos a ir votar e podem achar que não precisamos de ir votar se tanta gente deixar de o fazer – o que nos resta? Ficarmos irremediavelmente calados.
E acho que não é isso que se defende na blogosfera…
E não está em causa UM voto, estão em causa muitos votos.
Mas não está em causa o direito a votar, mas tão só o exercício desse direito. Quanto ao ficarmos calados, o voto é uma forma muito redutora de dizer o que quer que seja e a participação cívica está longe de poder ser restringida só a este. É exactamente por estarem em causa muitos votos que a decisão individual de votar pode não fazer sentido – o votos dos restantes é independente do meu voto individual, não é por eu votar ou deixar de o fazer que consigo influenciar os restantes votantes (quer na decisão de votar, quer na opção por quem votam), por essa via, dada a improbabilidade de um único voto decidir as eleições, o que nos motiva a votar?
Isso é um conceito egoísta, centrado no eu.
E se toda a gente pensar assim?
O conceito não tem nada de egoísta Livia. Não confundas o ego com a tomada de decisão individual. Se souberes à partida que ninguém vai votar, a decisão racional é votar.