Sobrevalorizado


Jorge Assunção,

Este ano seremos convidados a ir votar em três ocasiões, para as europeias, as legislativas e as autárquicas. Como o histórico sugere, o valor da abstenção será relativamente elevado em qualquer uma delas. O certo é que em muitos casos a decisão de não votar aparenta ser a escolha certa do ponto de vista racional. Isto é tão mais verdade quanto mais o benefício do voto individual restringir-se à possibilidade de decidir o resultado das eleições. Dado isto, o estranho não é tanto a quantidade de eleitores que não votam, mas antes o que motiva quem vota?

12 comentários em “Sobrevalorizado”

  1. Jorge, nem que mais não seja pela simples razão de todos os que andam a viver à custa do colinho do papá estatal irem todos votar para defender o seu lugarzinho ao sol. E quem não for votar fica à mercê das suas decisões. Isto é, fica a sustentá-los enquanto eles decidem das nossas vidinhas… Mais decepções e frustações do que eu já sofri ao longo destes 30 e tal anos de so called democracia… desafio quem me possa ganhar. Só vi um único President ser eleito (Eanes em 76), a AD com Sá Carneiro (pouco depois tudo se esvaneceu com a sua morte violenta), e o governo de coligação psd/cds (que também foi abandonado pelo “big chief” e apeado por outro “big chief”). E no entanto lá estarei se não me der um treco antes… E vê bem, até os nossos emigrantes querem exercer o seu direito de voto…

    1. Ana,

      “E quem não for votar fica à mercê das suas decisões.”

      mas eu contesto essa tese. Porque não existe uma única eleição das três que cito que tenha sido decidida por um só voto (e a probabilidade que tal aconteça é muito reduzida).

      “até os nossos emigrantes querem exercer o seu direito de voto…”

      É essa a minha pergunta, o que os motiva? Qual é o beneficio de votar, se decidir quem ganha ou perde não o é certamente?

      1. Jorge, como disse o “último imperador” desde criança, no fabuloso filme de Bertolucci: “I don’t understand”… Hoje, desde que vi ali “a melhor line de sempre do cinema”, só me ocorrem lines de filmes…

          1. Li o artigo atentamente e até está engraçado. Ainda bem que os economistas têm sentido de humor e não se levam demasiado a sério… mas insisto que, mesmo que pouco racional, “a esperança é a última a morrer”. Penso que o principal argumento está na gestão das expectativas…
            E aí vai outra line: “It´s a mystery…” (produtor teatral do “Shakespeare in love”)

            1. Como diria Agatha Christie, “It is completely unimportant. That is why it is so interesting!”, mas de facto este é um assunto que nunca vi levantado por outra espécie que se não a dos economistas. 🙂

      1. Porque votamos? Porque esse é o nosso direito mais básico de cidadania e se nos tirarem isso – porque, renunciamos a ir votar e podem achar que não precisamos de ir votar se tanta gente deixar de o fazer – o que nos resta? Ficarmos irremediavelmente calados.
        E acho que não é isso que se defende na blogosfera…
        E não está em causa UM voto, estão em causa muitos votos.

        1. Mas não está em causa o direito a votar, mas tão só o exercício desse direito. Quanto ao ficarmos calados, o voto é uma forma muito redutora de dizer o que quer que seja e a participação cívica está longe de poder ser restringida só a este. É exactamente por estarem em causa muitos votos que a decisão individual de votar pode não fazer sentido – o votos dos restantes é independente do meu voto individual, não é por eu votar ou deixar de o fazer que consigo influenciar os restantes votantes (quer na decisão de votar, quer na opção por quem votam), por essa via, dada a improbabilidade de um único voto decidir as eleições, o que nos motiva a votar?

            1. O conceito não tem nada de egoísta Livia. Não confundas o ego com a tomada de decisão individual. Se souberes à partida que ninguém vai votar, a decisão racional é votar.

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