1. Não há a confissão de um erro, sequer um simulacro de humildade: só o permanente auto-elogio. Em entrevista à SIC, esta noite, José Sócrates foi igual a ele próprio: encheu a boca de propaganda, usou e abusou do pronome "eu" e até pretendeu dar uma lição de Direito Constitucional. O que diz tudo sobre o seu estilo de governação.
2. Muito bem conduzida por Ricardo Costa e José Gomes Ferreira, a entrevista foi percorrida pelos habituais chavões socráticos, quase tão repetitivos como a velha cassete do PCP. Lá vieram as inevitáveis referências à "banda larga", à "protecção do emprego", ao "investimento nas rodovias". E as "medidas", as célebres "medidas" repetidas até à náusea. Como os "seiscentos quilómetros de auto-estrada", eventualmente destinados a esvaziar ainda mais o interior do País. E também a "reduzir as mortes" no asfalto, alegação que merece figurar em qualquer manual de demagogia. Vai longe o tempo em que o PS clamava contra a "política do betão" praticada por outros.
3. Do essencial, quase nada ficou respondido. É certo que "tudo aponta para um cenário de recessão", reconheceu o primeiro-ministro com o ar casual de quem anuncia que amanhã vai chover. Também é verdade que em Setembro, quando elaborou o Orçamento de Estado para 2009, este governo tão perspicaz não fazia a mais pálida ideia da "profundidade da crise". E é inegável que desde 2005 o investimento estrangeiro em Portugal caiu, a dívida externa atinge hoje uns astronómicos 150 mil milhões de euros e a cada trimestre há mais 63 mil pessoas a acorrerem aos centros de emprego. Nada disto rouba por um instante a estudada convicção de Sócrates, que pedirá a maioria absoluta nas próximas legislativas: "A única certeza que tenho é a de merecer a vitória." Porreiro, pá.

O Zé é um indivíduo feito de palavras gritadas, exasperadas, extenuadas e vazias. Não tem identidade, não tem nem determinações de espaço nem de tempo, esvaziando-se num débito verbal sem fim. É um apelo evidente ao nada.
Sócrates demonstrou a sua insensibilidade e incapacidade de governar (alías, características já vistas aquando da sua passagem por Min. Ambiente).
Sócrates demonstrou que tem mentido aos portugueses nos últimos 6 meses. Dizia que não havia crise nem iamos entrar em recessão. Afinal… havia outra.
Fez tudo isto com um ar de quem se sente cansado e sacrificado pelos esforços que tem feito em prol dos portugueses… coitado.
Respondeu a algumas questões mais incómodas com um ar de quem é incompreendido e iinjustiçado.
Enfim… foi mais do mesmo. Alguém que não tem rumo, estratégia ou solução.
Não me parece que, ao contrário do que para aí se diz, a entrevista tenha sido bem conduzida. Costa e Ferreira deviam ter dividido as áreas: a «política» para o primeiro, a «economia» para o segundo. Pareceram por vezes a defesa de algum dos clubes ali da segunda circular: atrapalhavam-se um ao outro.
Caro anónimo, pense como é difícil entrevistar o primeiro-ministro, cheio de truque e artimanhas retóricas. Sobretudo em directo. Esta foi a melhor entrevista que lhe vi alguma vez ser feita em televisão. Sem o “sô engenheiro” a servir de muleta a cada pergunta, como já sucedeu em entrevistas anteriores.
…e também não gostei das declarações de circunstância de representantes dos partidos no final da entrevista (quem raio era aquele do PCP?).
Deviam mas era ter ouvido o Cavaco e o Alegre, que tinham sido os dois mais visados…
Ao contrário do que afirma um comentador anterior, não creio que o Primeiro-Ministro tenha mentido SÓ nos últimos seis meses.
Caro Pedro, antes de mais boa sorte e que venham muitos delitos de opinião.
Se quanto à entrevista propriamente dita, esta não correu nem bem nem mal ao PM (quem gosta de Sócrates, diz que correu bem, quem detesta-o diz que correu mal, basta dar uma olhada na blogosfera), já quanto à sua análise aos entrevistadores não posso deixar de discordar dela.
Se Gomes Ferreira esteve bem e fez o seu papel de jornalista crítico e que confronta o entrevistado, já Ricardo Costa esteve mal. Mais parecia um deputado da oposição, tal era a agressividade com que atacava e mostrava a sua divergência de opinião com Sócrates. Aliás, como jornalista e em respeito aos deveres deontológicos, Ricardo Costa deveria manter as suas opiniões pessoais para si e limitar-se às opiniões de outros políticos. Poderia confrontar o PM com os argumentos válidos de outras autoridades, mas preferiu confrontar com a sua própria. Como jornalista, ignorou por completo o dever de imparcialidade e rigor. Na questão do Estatuto dos Açores até chegou a dizer, em tom agressivo, que ele próprio percebia umas coisas de Dto. Constitucional e considerava serem os dois polémicos artigos inconstitucionais! Absurdo.
O Pedro escreveu que Sócrates quis dar uma lição de Dto. Const., mas eu acrescento que Ricardo Costa também o quis, quando nunca o deveria ter feito.
No outro post, o Pedro escreve ainda que Sócrates não referiu nenhum constitucionalista que não considere os dois artigos do Estatuto inconstitucionais, em contraponto com os nomes apontados (Vital Moreira e Jorge Miranda). Pois acontece que Sócrates também tem direito a ter opinião, depois de (como é óbvio) ter sido informado pelos seus acessores especialistas em Direito, tal como a própria Assembleia da República.
De qualquer das formas, também considero, como jurista, que as normas em causa violam a Constituição, isto para aqueles comentadores que mal leem um comentário a defender Sócrates pensam, de imediato, que sou um acessor ou um “socratino”…
Cumprimentos e, mais uma vez, boa sorte.
É a sua opinião, Ricardo, que respeito embora discorde dela, nomeadamente em relação ao desempenho de Ricardo Costa, que tem aquele estilo de entrevistar não de agora mas de há muitos anos, e com todos os políticos. Anoto uma convergência: você considera que aquelas normas violam a Constituição. Penso o mesmo: já o escrevi no Corta-Fitas. E nem é preciso ser constitucionalista para entender facilmente os argumentos de Vital Moreira e Jorge Miranda, secundando os do PR.
Obrigado pela visita e pelos votos que formulou. Apareça sempre.
“Acessores” há muitos, diria o Vasco Santana.
Assessores, sr. jurista.
Reparaste na triangulação fato-camisa-gravata? O homem é sempre o mesmo. Para ser o sexto mais bem vestido do mundo, basta-lhe sê-lo uma vez. Depois, é só nunca mais trocar de roupa…
Já vomito aquelas gravatinhas monocolores, compadre. E o pior é que está a propagar moda com isso. Não há empregado bancário que não use o mesmo agora.
E o pior é que sem merecê-la vai tê-la. Ou seja, quem merece o que tem são os portugueses.
Não podiam substituir esta foto por outro… animal mais meigo? Faz-me mal à vista…
Grrrrrr… Temos animal feroz!