Sócrates e a recessão


Patrícia Reis,

21 de Março de 2005, apresentação do programa do Governo na Assembleia da República:

«Começámos o ano de 2005 com a notícia de que Portugal reentrou em recessão. Desde 2002 que estamos a empobrecer significativamente face aos nossos parceiros europeus, sendo este o maior período de divergência das últimas décadas. O investimento caiu de forma drástica, o desemprego disparou, a confiança atingiu mínimos históricos.»

Outubro de 2008:

O primeiro-ministro José Sócrates afirmou esta quarta-feira em Bruxelas que a principal preocupação do Governo é que Portugal «não entre em recessão», como aconteceu no «ano de 2003», quando a actual líder do PSD era ministra das Finanças.

Outubro de 2008:

José Sócrates destacou ontem que apesar de o FMI ter revisto em baixa as previsões do crescimento económico português, mantém Portugal fora da lista dos países que vão entrar em recessão. “As previsões do FMI dividem-se em dois grupos: o grupo que vai entrar em recessão e o grupo de países que não entra em recessão. Onde é que está Portugal? No segundo”, afirmou José Sócrates no debate no Parlamento.

Novembro de 2008:

O primeiro-ministro, José Sócrates, garantiu esta sexta-feira que a economia portuguesa «resiste e continuará a resistir» à actual crise financeira internacional. O chefe do Governo reagiu assim aos dados divulgados pelo Instituto Nacional de Estatística (INE) sobre o crescimento económico nacional. Segundo o primeiro-ministro, «há um abrandamento da economia, mas não é um abrandamento que tenha colocado o país em recessão».

Janeiro de 2009:

Na primeira entrevista do ano, José Sócrates admitiu que o país vai entrar em recessão, mas que irá pedir aos eleitores uma maioria absoluta nas próximas eleições, porque, disse, "a estabilidade governativa é essencial para enfrentar a crise".

Hoje, no debate quinzenal no Parlamento:

O primeiro-ministro, José Sócrates, disse hoje ser impossível qualquer Estado impedir a recessão, considerando que o dever do Governo deve ser limitar as consequências da crise. "Não é possível a nenhum Estado impedir a recessão. O nosso dever é limitar as consequências desta gravíssima crise financeira", afirmou José Sócrates.

 

5 comentários em “Sócrates e a recessão”

    1. Como é que um homem que já disse tudo e o seu contrário sobre um tema como a recessão, e que tentou até ao último minuto negar a sua existência em Portugal, pode continuar a tentar dar pretensas lições de moral aos outros? Não há nele um pingo de humildade. É incapaz de pedir desculpa aos portugueses. É incapaz de dizer ‘Enganei-me’.

  1. E para o próximo mês será bem provável que Sócrates, como Obama, Brown ou Merkel, venha a reforçar que, afinal, a «nossa» recessão é bem menor do que a do vizinho. E, you know why?, porque é impossível perceber como se comportará no futuro, mesmo o muito próximo, esta primeira grande crise global. Comparar com o passado é um erro, pois tratava-se de uma realidade que já não é. Anyway, o futuro está óptimo para os cartomantes…

  2. E o que dizer daquele número idiota de fim de tarde sobre o ordenado que ganha e o dinheiro que está disposto a “dar” à plebe??
    Noutros era populismo e demagogia, mas num arraçado de esquerda “fica sempre bem”. Aliás, foram essas as palavras da Jornalista que se presta a olhar para Marcelo, o adivinhador, aos Domingos na RTP…
    É pá, fechem esta coisa (país) e o último apague a luz!!

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