O Público e José Manuel Fernandes prosseguem a sua campanha de visceral ódio ao Partido Socialista e a José Sócrates. Sinto-me acima de qualquer suspeita uma vez que sou assinante da sua edição online, sendo um jornal que muito aprecio.
Começa no entanto a ficar demasiado óbvia esta conduta, patente na distorção de notícias, fazendo com que a sua missão comece a ficar comprometida pelo manto negro da deturpação e má informação.
Na análise à moção de José Sócrates, onde se lê que "a segunda prioridade na promoção da igualdade é o combate a todas as formas de discriminação e a remoção, na próxima legislatura, das barreiras jurídicas à realização do casamento civil entre pessoas do mesmo sexo", o Público depreende, e cito a edição online, que "implicitamente o texto promete reconhecer, de acordo com a lei, o pleno dos direitos do casamento civil: direito a constituir família e direito a constituir património comum. Logo, a adopção e a inseminação artificial feita por homossexuais deverão ser contempladas".
Esta é uma extensão inadmissível do alcance das palavras de José Sócrates. Visa pura e simplesmente semear o boato, colhendo as reacções tanto daqueles que são a favor do casamento e contra a adopção (a maioria), como dos que entrarão numa autêntica jihad homofóbica contra a possibilidade de tamanho salto legislativo. Vergonhoso.

André, lamento estar, hoje, em desacordo consigo. Li a notícia, assinada por uma excelente profissional que jamais escreveria algo “a pedido” de alguém, fosse do director do jornal ou de um político.
Confesso que ainda não tive acesso à moção (texto original), não posso, portanto, saber se está clarificado ou não que os casais homossexuais vão ter “todos os direitos civis” atribuídos aos heterossexuais , como a adopção ou inseminação . Possivelmente, como não está explicado, quiçá, deliberadamente, na moção, antes, há que fazer sondagens, para não se dizer nada que a maioria da gente não queira…a jornalista, concluiu, antecipadamente (?) que, a adopção e inseminação, não foram afastadas para prever todas as possibilidades.
E, possibilidades não são obrigações. Ninguém tem que fazer algo só porque a lei permite. Já o contrário…
Sabe o que é que a mim me deixou muito preocupada? Concordar com a Alice Vieira, sobre o estado da educação, em Portugal. Esse, sim, é vergonhoso.
Bia, felizmente não estamos sempre de acordo, doutra forma isto não teria piada nenhuma! Não pretendi colocar em questão a honra da jornalista. Constatei o facto em especial por vir no seguimento de muitos outros que tenho tido oportunidade de detectar. O Público tem guinado claramente para cima do PS. Compreendo que os jornais tenham tendências, na linha do que acontece nos Estados Unidos, sistema com o qual simpatizo muito. Não posso é deixar de detectar este facto e de o denunciar. Está em causa a boa informação! O link que tenho no corpo do post leva-a ao texto integral da moção de José Sócrates, onde poderá tirar as suas dúvidas, apesar de eu ter tido o cuidado de citar a moção em toda a extensão que fala do casamento.
Creio que é sobejamente sabido, porque esta é uma questão há muito debatida na Europa, que uma coisa é o casamento e um passo completamente diferente é a adopção, basta ver que no segundo ponto entramos nos direitos de terceiros, os dos menores. Posso dizer-lhe com sou a favor do primeiro e frontalmente contra o segundo. Acredito que tenha sido uma distracção da jornalista do Público, mas está bem expresso na moção que apenas está em questão o casamento, em lado algum se afirma que “a adopção e a inseminação artificial feita por homossexuais deverão ser contempladas”, sendo ponto que pura e simplesmente não são focados.
Em relação à educação estamos completamente de acordo. Novamente. É um problema estrutural o da nossa educação. As crianças são educadas numa onda absurda de estupidificação e de total ausência de espírito crítico, o que terá graves consequências no futuro.
André, é um prazer discordar de si. Principalmente, pela forma como o faz.. Continuo a ter dúvidas se o direito ao “casamento civil “, entre duas pessoas do mesmo sexo, não aparece in dubio “. A seu tempo veremos. Os inquéritos de opinião também existem para ajudar os políticos a fundamentar ideias in actu “…
No que toca à adopção já pensei como você. Agora prefiro não ter axiomas sobre o assunto. Será preferível uma criança viver num orfanato toda a vida, podendo viver com dois pais ou duas mães ? Os homossexuais têm menos capacidades para dar carinho e amor a uma criança?
O real raramente é sinónimo de ideal.
Quanto à educação,, há muita falta de respeito e de responsabilização. De todos, sucessivos governos, pais, professores, meninos e meninas. Sem trabalho e exigência tudo termina no caos, que todos vemos, ouvimos e lemos, sem poder ignorar!
O in dubio ” já foi esclarecido in actu “.
Eu preferia uma ampla discussão , um referendo, como ocorreu com o aborto.
Duvido que alguma vez haja uma alteração legislativa neste campo sem referendo prévio…
A adopção é um tema engraçado a tratar num futuro post. Prometo reflectir, investigar e lançar essa discussão daqui a uns dias.
Concordo apenas tendencialmente com o seu argumento. Segundo as estatísticas que me lembro de ver quando fiz um trabalho sobre o assunto, não existe falta de casais heterossexuais a interporem pedidos para adopção de crianças. O problema reside antes nas apertadas malhas burocráticas, em si necessárias, que fazem com que o processo seja muito demorado. Concordaria com a Bia, e daí a anunciada tendencialidade, se houvesse falta de casais heterossexuais a querer adoptar crianças, situação na qual poderíamos ponderar se é preferível a educação institucional ou os (eventuais/supostos) desequilíbrios do crescimento no seio de um casal homossexual.
Há já algum tempo que reparei nessa campanha de JMF e do Publico. Digo de JMF, porque o próprio já reconheceu que não gosta nada do PM. Uma opinião, diga-se, que deveria ter guardado para si. E isso nota-se nos cabeçalhos, nas primeiras páginas e nos textos: fala em manipulação, mas não é a primeira vez. É recorrente. Aliás, se for ao blogue A Pente-fino encontra lá muitos exemplos de falsidades e manipulações, ao arrepio dos mais básicos deveres éticos, como são o rigor e a isenção jornalística.
Cumprimentos.
Pelo contrário, é bem natural que ele tenha preferências, que elas sejam inclinações editoriais e que isso transpareça para os leitores.
João, como disse à Bia, o nosso sistema é diferente do Americano onde os jornais deliberadamente têm partidos. A opinião do director pode transparecer, embora isso não seja tradição em Portugal, o que jamais pode acontecer é a informação surgir viciada…
André, estamos sempre de acordo no essencial, que é o óbvio: independentemente do que seja ou não habitual, refiro-me ao que é correcto (ter opinião e expô-la claramente) e não ao que é indesejável (ignorar princípios éticos e deontológicos).
Sendo assim: temos dito!
No jornalismo como na política tem de haver ética. Não exijo que jornalistas e/ou directores sejam santos ou acríticos, bem pelo contrário, têm toda a liberdade do mundo desde que não influa na qualidade e veracidade da informação oferecida, que é o caso. Em última análise o Público de hoje é uma fraude, por vício na sua notícias principal.
Eu cá não acredito nada na isenção dos jornalistas, mais acho isso impossivel, todos nós somos fruto de “ene” factores e os jornalistas são humanos. mais, essa coisas de jornais independentes só faz com que os nossos jornais nem sejam nem carne nem peixe, sou apologista de jornais parciais,com opiniões parciais,bem escritas e fundamentadas, só assim se pode escolher.Jornais todos iguais não obrigado, por isso é que nós na blogosfera temos tanto sucesso, sabemos ao que vamos quando clicamos ali e acolá.
Sou contra nacionais porreirismos e comida sem sal.
quanto ao JMF, que continue com a sua luta quero lá saber, mas quando quiser sei o que me espera.
Faz sentido.
Concordo, Pedro. Era o que dizia acerca do sistema Americano, a meu ver o ideal. Com aquele ao menos tudo é transparente, não tendo de haver aquele jogo sujo escondido, porque tudo é feito em cima da mesa e todos sabem à partida com o que se conta.
Ainda assim o que aqui trago não é tanto a opinião dos jornalistas mas antes a forma como a notícia é transmitida. Num meio de comunicação há espaços de opinião e espaços de informação, haja liberdade no primeiro mas ética no segundo. Com liberdade ou não uma notícia tem pouco de subjectivo, informar é um exercício de muita responsabilidade e na sua essência é completamente diferente de manipular.
Tal como disse no CC:
1 – haja ao menos um jornal que não esteja “ás ordens” do regime
2 – o Publico talvez esteja apenas a transmitir o sentimento da maioria dos portugueses.
Não lhe parece?
Há coisas que ninguém precisa de dizer, meu caro.
1. Excepto os que possam e queiram assumi-lo claramente, não é suposto haver jornais às ordens dos poderes.
2. Não vejo qualquer razão para achar mais simpático que um jornal transmita o sentimento das maiorias, porque tenho por igualmente meritório (até mais corajoso) que outros optem por minorias.
Por isso, quando dizemos o óbvio, corremos o risco de ser injustos e redutores…
1. Não é suposto mas há, daí o senhor Sócrates não ter desmentido que telefonou pessoalmente a um director de jornal, a propósito de uma noticia menos abonatória do governo. E também é notória a razão pela qual o governo vem atrasando a concessão da nova licença de canal de TV.
2. Ninguém disse que não era meritório transmitir ideias de maioria ou minoria. Apenas respondi à insinuação de que o jornalista do Público estaria a transmitir a sua própria opinião.
Isto também é obvio para si João?
Concordo inteiramente, João.
Só acrescentaria que o jornalismo, na parte de informação (não da de opinião), é uma missão que exige seriedade e isenção. Relatos de factos não são subjectivos nem passíveis de serem deturpados, são objectivos e devem ser transmitidos como tal.
(Luís, vou transportar a discussão do CC para aqui repetindo a minha resposta e copiando a sua)
De André Couto a 19 de Janeiro de 2009 às 14:56
Luís,
Os órgãos de comunicação social não podem andar às ordens de ninguém. De qualquer forma, essa conversa de andarem “às ordens do regime” é mais que estéril. Com toda a consideração que lhe tenho pergunto quem é que anda às ordens do suposto “regime”? A SIC e o Expresso do fundador do PSD? O Público? A TVI da Manuela Moura Guedes que deita perdigotos de ódio ao PS a cada palavra que diz? O Sol e a sua célebre “fonte de Belém” e da boataria que nunca mais acaba?
Não entre por aí…
De Luis Melo a 19 de Janeiro de 2009 às 15:10
“Os órgãos de comunicação social não podem andar às ordens de ninguém” ??
Então porque é que Sócrates não desmentiu ter telefonado pessoalmente a um director de jornal, a propósito de uma notícia pouco abonatória do seu governo?
E porque é que Sócrates tem adiado a atribuição da licença de mais um canal de televisão?
Não me parece que o André seja assim tão ingénuo… certo?
Obrigado André. Realmente não fazia sentido andarmos a “discutir” em 2 locais diferentes 🙂
Luis, sinceramente já não me lembro qual era a notícia em questão, peço-lhe que me relembre para me poder situar.
Quanto ao facto do PM adiar a atribuição de mais um canal de televisão ser premeditado e grave, faz o Luís cair numa insanável contradição: se a comunicação social está toda ao serviço do “regime”, qual é a dificuldade que existe em atribuir mais uma licença a um grupo próximo do Governo? Até dava jeito, não? Ou será que as coisas afinal não são bem assim?
Veja uma coisa, eu não estou a defender o PM nem a atacar o PSD, eu estou a criticar um órgão de comunicação social que, diariamente, me está a prestar um mau serviço.
André, a discussão que o Luís alimenta já entroncou demasiadas vezes num elemento marginal de desvio: o comportamento de Sócrates em relação a jornais não devia ser chamado ao debate sobre o comportamento de jornais. Desculpa esta minha modesta chamada de atenção.
Estás sempre à vontade, João!
Eu percebi isso. A questão é que o Luís não saltou a primeira parte e eu queria que o fizesse para depois seguirmos para aí.
De qualquer forma repara que estes posts foram trazidos do Câmara de Comuns e têm hora anterior, era uma discussão paralela que copiei para aqui.
“O Público e José Manuel Fernandes prosseguem a sua campanha de visceral ódio ao Partido Socialista e a José Sócrates.”
O Chavez também pensa isso de alguns “media” Venezuelanos.
Gostei particularmente do “visceral ódio”. Respeito no entanto o seu “visceral amor” por Sócrates. Prefiro assim, ao invés do travestismo comunicativo!
Defendo aquilo em que acredito, sempre de forma fundamentada. É um defeito que tenho.
Se se quiser debruçar sobre os meus argumentos conte comigo para o debate, para todos os de mas peditórios não contribuo.
«1 – Podem adoptar plenamente duas pessoas casadas há mais de 4 anos e não separadas judicialmente de pessoas e bens ou de facto, se ambas tiverem mais de 25 anos.»
A julgar pelo teor da lei da adopção (120/98, cf. http :/ http://www.verbojuridico.net legisl /1998 dl98_120.html ), que certamente, apesar de “engenheiro”, o PM conhece, uma coisa implica a outra. “-De JPG ( Comentario no 31 Armada)
Socrates tambem vai alterar a Lei da adopção ?
1+1= 2
Claro que a nova lei irá alterar todos os diplomas que sejam afectados pelo novo regime. As revogações e as alterações existem para isso mesmo. Não faria sentido que perante um novo regime legal, os efeitos colaterais não pudessem ser controlados.
depois entram os Constitucionalistas e Juristas Gays em acção…é tudo uma questão de tempo!
Caro e prezado Central de Marcação,
Se “os Constitucionalistas e Juristas Gays” entrassem em acção, certamente por si não iriam trabalhar no sentido de alterar a Lei da Adopção de forma a impedir os homossexuais de adoptar menores, certo?
Pense antes de escrever e tente ter mais calma, não há motivo para tanta tensão.
Um ‘stressado’ esse nosso comentador, André. Hehehe…
milho a milho enche a galinha o papo…
Conversa de galinheiro…
…qual galinha poedeira, João.
Não sei, eu leitor esporádico do Publico não vi coisas demasiado relevantes.
Portugal funciona assim, um jornal não mostra claramente ao que vem.
Noutros países, EUA por exemplo até tomam partido publico por um candidato.
Na semana passada aconteceu algo semelhante a propósito da criação do banco de células do cordão umbilical. Já houve outros.
Sem dúvida, os Estados Unidos ditam regras nesse campo.
Por acaso, não acho nada disso.
Trata-se, expressis verbis, de uma “análise à moção”, ou não é assim?
Portanto, é claramente uma interpretação e não uma afirmação a “fazer-se passar” por relato circunstanciado.
Se é análise, é legitimamente subjectiva.
Exigir-se-á, claro, que seja também razoável, que na leitura que faz das premissas, quer das conclusões que daí retira.
Mas quanto às primeiras, não se falsearam um milímetro (aquilo que foi aprovado),
Quanto às segundas, em que é que são excessivas?
Só serão mesmo para quem seja ingénuo ou esteja muito em branco neste tema…
Porque são conclusões prospectivas, mas lúcidas, informadas e completamente legítimas sobre o que se seguirá no médio prazo nesta matéria.
Fundamentáveis, até, do ponto de vista do edifício jurídico.
Isto é informação. Nem mais, nem menos.
Não era para sair anónimo o meu comentário das 21.30
Laura
Laura,
Na sequência do raciocínio que muito lhe agradeço tenho a dizer-lhe que falar em adopção e inseminação por e em homossexuais a propósito da moção de Sócrates é especular. Em ponto algum do texto se fala nessas temáticas. Quanto a isso ser líquido do prisma jurídico, basta algum dia ter tido o Diário da República nas mãos para ver que cada vez que há uma reforma ou diploma legal novo, aparecem antes as revogações e alterações que são feitas colateralmente noutras leis em vigor.
Falamos da primeira página do Público, logo exclusivamente informativa, não falamos de opiniões nem de análises subjectivas de textos, essas são deixadas para o Editorial e para os espaços de opinião. Foi prestado um mau serviço, o que não é nem será caso único, não custa nada admitir e constatar isso.
Não me custaria nada a admitir o que quer que fosse sobre o tema, porque não me fere especialmente o caso do Público, como não fere o do DN , num país onde a regra é a da não isenção jornalística.
Subscrevo até um comentário acima, acerca do exemplo dos USA. Mais valia que se assumisse o princípio.
Quanto à admissibilidade das antevisões feitas no jornal sobre política legislativa na área dos direitos dos homossexuais, e quanto às previsões “de constituendo “, em particular, continuo a achar que são completamente pertinentes.
O reconhecimento do instituto do casamento é um primeiro estádio (o mais importante) para a inevitável extensão, em cascata, a um conjunto de direitos conexos e susidiários do primeiro.
O jornalista não fez mais do que evidenciar essa dimensão sistémica (não há nada de forçado nisso).
Aliás, foi o que quase em simultâneo veio a lume “nos corredores”, pela parte dos próprios autores do projecto (quanto à adopção): “Agora ainda é cedo, mais tarde será”.
Eu acho abusivo e pouco inocente. Fica cada um com a sua!