Sócrates, o mártir


José Gomes André,

Começa agora a perceber-se porque insistiu Sócrates tantas vezes nas últimas semanas no tema das “campanhas negras”. Mais do que uma excelente manobra de diversão num caso complexo e ainda por esclarecer, esta é uma óptima estratégia para desacreditar a oposição. O triste espectáculo de ontem no Parlamento foi disto prova. A uma pergunta legítima de Paulo Rangel sobre os métodos operativos dos serviços de informação, Sócrates respondeu com indignação, sentindo-se “insultado”, voltando à famosa tese da cabala e remetendo o seu interlocutor para um grupo de perigosos malandros que apenas querem difamar o seu bom nome.

Sob a capa da vitimização, Sócrates procura libertar-se de quaisquer críticas ou questões incómodas num dos períodos mais negros da sua governação (e não, não é por causa do Freeport). Ao mesmo tempo, lança publicamente dúvidas sobre as intenções dos seus adversários políticos. Não sei se esta táctica produzirá bons resultados para a imagem de Sócrates. Mas uma coisa é certa: tudo isto só contribui para descredibilizar e enfraquecer ainda mais as instituições democráticas do nosso regime político.

4 comentários em “Sócrates, o mártir”

  1. Viva. E chamaram palhaço. Não percebi se ao Sócrates. Mas a verdade é quem se vangloriou no Natal porque as taxas de juro desceram foi ele. O BCE teme-o. Ouviu dizer que é um animal feroz. Mas infelizmente isto vai-nos distraindo do mundo a caír aos pedaços. Terça a crise conheceu um revés. Deixo-te um convite:
    http://ovalordasideias.blogspot.com/2009/02/3-milhoes-de-milhoes-de-usd-por-falta.html
    Abraço amigo,
    carlos

  2. “A uma pergunta legítima de Paulo Rangel “.
    Apesar da legitimidade da pergunta, ela levava segundas intenções e claro o caldo entornou pelo parlamento.
    Haja coragem para interpelar quem quer que seja! Cara a cara, olhos nos olhos. Sócrates não está imune a ser questionado sob assuntos onde é figura relevante. haja coragem!
    Se assim fosse a Democracia saía prestigiada e o parlamento não virava uma zanga de comadres!

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