Sol e livros


Patrícia Reis,

         

 

Acabo de regressar da primeira incursão do ano à Feira do Livro. Ainda bem que lá fui: estava uma tarde fantástica, inundada de sol, e apetecia passear pelas alamedas do Parque. Muita gente teve a mesma ideia que eu: havia centenas de pessoas a deambular entre os pavilhões, encosta abaixo encosta acima. Gente de todas as idades. Muitos casais jovens com carrinhos de bebé. A Feira é um local de reencontros. Cruzei-me com o Vítor logo à chegada, depois vi a Ana, a seguir o Pedro. O Nuno Simas dava autógrafos na esplanada da Alêtheia, à conversa com a editora, Zita Seabra. Na Leya, adensava-se a multidão: filas de admiradores à cata das cobiçadas assinaturas de Pepetela e sobretudo de António Lobo Antunes, ali presentes. Passei ao largo da aglomeração. Demorei-me mais do lado oposto, onde estão três das minhas editoras favoritas: Cotovia, Relógio d’ Água (dirigida pelo eterno Francisco Vale, que lá estava, no seu posto) e Assírio & Alvim.

Como já esperava, vim de lá com vários sacos de livros e vários géneros de obras. Romance: Um Punhado de Pó, de Evelyn Waugh (Dona Raposa). Conto: Gatos e Mais Gatos, de Doris Lessing (Cotovia), Quando Fui Mortal de Javier Marías e Contos de Dorothy Parker (Relógio d’ Água). Crónica: Passaporte, de Maria Filomena Mónica (Alêtheia). Dois livros de viagens da Civilização (sobre Roma e Barcelona), quatro policiais dos Livros do Brasil para reforçar a minha colecção da Vampiro (Frank Gruber, Nicholas Freeling, Mickey Spillane e Hartley Howard). A Tinta da China fazia sucesso com muitos exemplares da Penguin Books, em estreia na Feira. Já o pavilhão do El Corte Inglés, com excelentes títulos em castelhano, muitos e bons, estava às moscas: continuamos de espaldas para Espanha. Aproveitei para trazer La Guerra que Ganó Franco, de César Vidal. Da Quidnovi, trouxe As Três Vidas, com uma simpática dedicatória do João Tordo, que estava à conversa com o pai, Fernando Tordo.

Uma menina entregou-me um folheto de propaganda eleitoral do Movimento Esperança Portugal, com um retrato de Laurinda Alves grande de mais para o meu gosto. E comi o primeiro gelado do ano, um Magnum Classic. Saí de lá com vontade de regressar sem demora para uma nova colheita de livros. E agora segue-se o dilema de todos os anos: qual deles começo já a ler?

9 comentários em “Sol e livros”

  1. Tanto quanto sei, é a primeira vez que um jornalista português menciona uma obra do historiador César Vidal – um dos poucos que não repete a vulgata “Komintern” da Guerra Civil Espanhola. Parabéns por isso.
    Não leve a mal esta sugestão (e não mais do que isso) : dê uma vista de olhos a ” Los Mitos de la Guerra Civil” , de Pio Moa.
    Quanto a Vidal , é “quase obrigatório” ler “Checas de Madrid”.
    Cpmts.

    1. Acho que vou mesmo começar pelo César Vidal. É um tema que me interessa muito. E o facto de saber que não repete os lugares-comuns do género ainda me aumenta mais o apetite por esta obra.

  2. Tenho os “Gatos” da Doris, ali na minha pilha a desbastar e não sei porquê, é livro que me apetece ler no Outono.

    As “Três Vidas” do João já li, mas gostei mais do 2º livro dele, o “Hotel Memória”.

    Quanto ao César Vidal, só conheço “Yo, Isabel la Católica”, onde ele é exímio em descrever os costumes e o ambiente vivido na corte da época, assim como as estratégias políticas daquela rainha.

    Boas leituras, Pedro.

  3. Naturalmente, eu começaria por La Guerra que Ganó Franco.
    O tema, que me interessa muito, está seriamente tratado e é uma análise de uma vitória militar, não um livro pró ou contra.
    No meu entender, indispensável. Mas peco muito por correr atrás da história ou a história vir ao meu encontro, o que sistematicamente acontece. Atracção!
    Muito interessante, a sua descrição da ida à Feira do Livro. Excelente análise também.

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