Ainda a propósito do post aqui de baixo, vejo agora em reportagem televisiva que os partidos que aprovaram a nova lei de financiamento partidário – isto é, todos – alegaram que para o PCP, que tem todos os anos a Festa do Avante para organizar e um eleitorado envelhecido (eventualmente avesso a cartões de crédito e cheques), esta alteração é conveniente. Foi bonito ver este gesto de solidariedade para com os camaradas da assembleia!
Solidariedade comovente
Teresa Ribeiro,

É. Tão amigos que eles se tornaram…
Entre tanta panelinha e camaradagem de ocasião, resta-nos, ao menos, o consolo de sabermos que há ainda há alguém consciente no meio de toda esta carneirada. E que além dessa consciência, é também alguém ‘Seguro’ a quem, neste caso, o nome assenta que nem uma luva. Valha-nos ao menos isso…
Seguro merece, neste caso, a nossa vénia
Suprema hipocrisia. Como escreve o Pedro Picoito no Cachimbo de Magritte, aqui não houve bloco central – houve bloco total. Salvou-se António José Seguro pela sua posição digna. Um deputado deve ser assim: pensar pela sua cabeça e não como manda o directório do partido.
I Parte
Todos os partidos políticos
bem alinhadinhos estão,
com os seus ideais monolíticos
em busca de qualquer tostão.
A argumentação é risível
em torno da transparência,
esta atitude desprezível
de uma escandalosa incoerência!
O interesse é total
em negócios nauseabundos,
a degradação é brutal
nestes políticos vagabundos!
Para o mexilhão honesto,
trabalhando diariamente,
no mínimo, é funesto
este regime demente!
II Parte
Com a memória colectiva pesada
e presa no labirinto da saudade,
a sociedade continua atrasada
esvaziando a sua dignidade.
A natural fruição
da autonomia e dignidade,
é pura ficção
na lusa contemporaneidade.
O mexilhão nacional
vive entristecido,
num regime irracional
que o tem enfraquecido!