Sou o José dos Olivais, tenho 58 anos e já fui emigrante…


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Acabo de conhecer este episódio parlamentar. É o da “Ana dos Olivais” – uma historieta sobre uma imaginada “Ana de 25 anos” do meu bairro lisboeta, narrada como se exemplar por um deputado do PSD, Alexandre Poço, que assim a quis projéctil endereçado ao primeiro-ministro António Costa.

 

O breve episódio (na ligação estão as duas curtas intervenções) causa-me duas constatações: 1) Alexandre Poço, um ex-jotinha PSD agora já adulto deputado, e que foi conhecido por nós-vulgo através de uma fruste candidatura autárquica que quis “engraçadista”, nem televisão vê. Pois se o fizesse em qualquer “filme de tribunal” americano teria aprendido o célebre mandamento: nunca fazer perguntas para as quais não se está preparado para a resposta. E como tal foi-se ele à bancada fazer uma pirueta retórica – um ademane engraçadista -, e em resposta levou “pela medida grande”. Para melhor me fazer entender direi que Poço, a putativa “jovem estrela PSD”, esteve para Costa como há dois dias Flávio Nazinho esteve para Harry Kane… Encomende-se o rapazola ao VAR ou ao gongo, a ver se se safa nos seus próximos atrevimentos no hemiciclo que, pelos vistos, imagina qual campo da bola ou ringue.

 

2) O episódio chamou-me a atenção por ter sido invocado o meu bairro. No qual cresci até aos 25 anos, ao qual voltei aos 50. Conheço alguma coisa do que se passa. Várias vezes botei sobre os Olivais: notando os maus efeitos de uma atrapalhada, pois voluntarista, reforma da administração autárquica; notando a ausência de políticas de “reanimação” urbana; vendo o predomínio de uma visão assistencialista de paternalismo clientelar; clamando contra o – de facto – boçalismo das lideranças que o PS implantou numa freguesia central da capital (com 32 mil eleitores, repito-me até à exaustão). E sublinhando, com a ênfase que me foi possível, que só aquilo que o PS perdeu nos Olivais nas últimas autárquicas foi suficiente para derrotar Medina (malvada a Sorte, pois a este lhe serviu para chegar a ministro, e sorridente como se vê nestas gravações…).

 

Mas notei também, e botei-o, a total irrelevância, a candura ignorante, das restantes candidaturas autárquicas, das atenções partidárias, sobre este meu bairro (o tal dos 32 mil eleitores sitos no centro da capital). Nem à esquerda, nem à direita, nem ao centro, nada foi proposto, nada foi pensado e discursado, um vácuo completo. Mais surpreendente ainda num partido com traquejo, experiência de poder nacional e autárquico, como o é o PSD e que tinha uma candidatura municipal pujante. Nada mesmo, apenas umas candidaturas fundidas, uns candidatos mudos e quedos.

 

Avançaram alguma coisa no último ano? Ouviram o real, pensaram-no, projectaram algo? Que se saiba nada disso aconteceu, nada disso foi divulgado. Resta apenas este jotinha engraçadista, qual um galamba psd, a invocar o bairro e seu universo num destemperada patetice… Convirá perceber que não há pior, não há rumo mais eunuco, do que o engraçadismo (o que serve para o PSD deste jotinha e também para a IL, a qual, ou muito me engano, ou com Rui Rocha ainda mais perseguirá esse aparente trunfo). E, acima de tudo, convirá que o PSD (e não só) perceba que “o que é preciso é pensar a malta”. Não é animá-la…

 

Enfim, sou “o José dos Olivais, tenho 58 anos e já fui emigrante…”. E não tenho paciência para estes jotinhas vácuos.

9 comentários em “Sou o José dos Olivais, tenho 58 anos e já fui emigrante…”

  1. Chamo-me Vasco, sou dos Olivais e já fui emigrante. E já nada espero da classe política, da sociedade em geral que os tolera.

  2. O jotinha falou dos Olivais com ar jocoso. Completamente inadmissível. Mais um idiota desprezível da política.

    1. É. E o evidente talento retórico que tem é um factor que muito me faz torcer o nariz à sua ascensão à liderança daquele partido. Votei na IL duas vezes mas já aqui resmunguei contra o engraçadismo que ali grassou (derrapando num qual “Bloco de Direita”) – bem como na gigantesca contradição, e absolutamente inaceitável, de ter um ex-candidato presidencial a defender com unhas e dentes a direcção do FCP, o exemplo maior em Portugal de aversão à concorrência e livre mercado, à mentalidade liberal e ao predomínio do Estado de Direito. Desta gentinha, destes mayan gonçalves, está o mundo feito e estão os partidos feitos e poluídos. Mas neste caso é algo diferente, é o apego à mensagem sonante, “bem-sacada”. Mas enfim, isso é o mesmo assunto do que está no postal mas é outro partido. No caso do PSD aqui demonstrado é o predomínio da falta de pensamento e de ponderação – e o caso é tão patético que amigos me reenviam, depois de terem lido o postal, uma mensagem whatsapp emanada do psd, ou pelo menos com a sua sigla, com a gravação fílmica da tropelia de Poço como se essa fosse algo conseguido. Deixemo-nos de coisas, não é particularmente grave o caso mas denota bem o “grau zero” em que aquilo está a vegetar.

  3. A resposta à lá PM… não acho que tenha sido maravilhosa, dá pano para mangas. Mas incomoda-me ver o Medina, parece o Noddy. Que figurinha triste!

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