Embora preferisse não as tomar, não sou contra vacinas. Basta pensar que erradicaram umas doenças e tornaram outras raras, todas elas verdadeiros flagelos, noutros tempos. Por isso, as tomo.
Agora, porém, estou a viver uma má experiência por causa de uma vacina.
Há três semanas, fiz o exame rotineiro de saúde. O médico fartou-se de me elogiar. As análises e os testes deram resultados normalmente atribuídos a pessoas mais novas do que eu. “Não ligue à sua data de nascimento”, disse-me o médico, “o seu organismo é mais novo”.
E aconteceu isto na semana em que completei os 61 anos. Melhor prenda não podia ter.
Talvez me devesse ter guiado pelo meu organismo. Se é uns anos mais novo, não preciso de seguir as recomendações para pessoas a partir dos 60… Ou será melhor?
Na Alemanha, recomenda-se a vacina da zona a partir dos 60 anos. A zona é uma doença provocada pelo vírus varicela-zoster. Quem teve a varicela em criança, não se livra do vírus, ele fica adormecido, na medula, pronto a atacar o corpo, quando o sistema imunitário, por qualquer motivo, fica mais fraco. A zona pode causar dores fortes e complicações de saúde.
Quem teve varicela em criança, já tem o vírus dentro de si. Quem não teve, pode contagiar-se. Nesse caso, a pessoa não contrai a zona, mas sim a varicela, o que é pior, pois costuma decorrer grave na idade adulta. Acresce, porém, dizer que o contágio é raro. Só se dá tendo contacto com o líquido existente nas bolhas que surgem na pele da pessoa doente.
Que eu saiba, não tive varicela. Nunca ouvi contar histórias de varicela, de mim ou do meu irmão, como ouvi do sarampo, ou de infecções da garganta (estive quase a ser operada). Ou seja, não sou, em princípio, portadora do vírus. Ou melhor: não era!
Apanhei a zona cerca de dez dias depois de ter sido vacinada. Estou a tomar um antiviral e alojarei o vírus para sempre. Mesmo que, desta vez, supere bem, posso tornar a adoecer.
O médico diz que foi um acaso infeliz, ou seja, mesmo que não tivesse tomado a vacina, eu adoeceria. Isto porque a zona surgiu onze dias depois da injecção e, segundo ele, o vírus tem um tempo de incubação de duas a três semanas. Conclui, por isso, que já estava a incubar, antes de eu tomar a vacina.
Por outro lado, eu soube que já têm acontecido casos semelhantes. Normalmente, admite-se que se trata de acasos infelizes. Na verdade, porém, ninguém sabe ao certo. Para os próprios especialistas responsáveis pela vacina, esses casos permanecem um mistério e são, normalmente, objecto de estudo.
Para já, está tudo a correr bem. Mas há aquele pensamento a incomodar-me: provavelmente, não tive varicela. E, se não a tive, a doença teve de ser provocada pela vacina.
