
Como salientei há dias na caixa de comentários, o tango foi considerado, pela UNESCO, “Património Imaterial da Humanidade”. Embora seja amante do tango e veja neste reconhecimento mais um sinal da crescente importância da América do Sul no mundo, encaro-o com algum cepticismo. Ou, pelo menos, com a cautela com que o tango foi recebido em Portugal no início do século passado.

Estamos lixados! Agora já não nos basta preservar o património material, teremos que cuidar também do património imaterial.
Os concertos de tango e a edição de discos de tango passarão a ser obrigatórios. As aulas de tango nas escolas, também. Os contribuintes obedientes serão forçados a pagar para preservar essa imaterialidade.
Desculpe lá, ó Luís, mas esse é o comentário mais estapafúrdio que eu esperava encontrar aqui. Os contribuintes pagam o património arquitectónico e os alunos visitam o património histórico material. Mas o que V. diz é totalmente destituído de senso.
A classificação do património imaterial considerado de valor cultural funciona como um incentivo à sua preservação e manutenção, ao mesmo tempo que chama a atenção de outros para esse espaço. Acho eu. Mas, pelos vistos, não acha o Luís.
Eu sei, eu sei: ainda me lembro do que V. pensa sobre o ensino do Português. Para si, também não é património cultural…
Não estou nada céptica, Carlos. Cautela porquê? Essa sociedade portuense e portuguesa miserável está enterrada ou a caminho do cemitério.