Temos os melhores professores


João Carvalho,

Acabámos de ouvir Marcelo Rebelo de Sousa prestar uma homenagem aos professores que o primeiro-ministro e a ministra da Educação não tiveram o cuidado — e até a lisura — de fazer em devido tempo. Embandeiraram em arco sobre a qualidade do ensino e a melhoria de qualidade dos alunos portugueses na avaliação apresentada pelo badalado Relatório PISA (Programme for International Student Assessment), mas esqueceram-se (?) de dar conta de outro dado focado no documento: os professores portugueses são os docentes mais cotados pelos alunos nos vários parâmetros considerados, entre os 33 países avaliados para aquele relatório.

É com gosto que aqui contribuímos para este este gesto de justiça a que assistimos agora. O primeiro-ministro e a ministra da tutela podem limpar as mãos à parede com o mau papel que quiseram assumir, mas é possível que, mesmo tarde, o DELITO ajude a ampliar aquilo que é devido.

18 comentários em “Temos os melhores professores”

  1. Não haveria melhoria no ensino sem bons professores, e os professores portugueses bem merecem reconhecimento público. Nas condições em que trabalham, são uns heróis.

  2. Concordo com Ana Vidal, acrescentando: os professores/formadores (desculpem-me, mas “puxo um pouco à brasa à minha sardinha”) merecem outro reconhecimento público pelo trabalho que desenvolvem. Nem mais! Sei, por experiência própria, as (péssimas) condições em que, muitas vezes, tenho de desenvolver o meu trabalho, da melhor maneira possível.

    1. Sou professora há 22 anos. Na semana passada, durante uma visita de estudo, um dos meus alunos perguntou-me: Gosta de ser professora? Respondi-lhe: Adoro.
      Adoro mesmo. Gosto de os ensinar, de os formar, de lhes abrir os horizontes.
      Há muita gente que se esquece que aos professores é confiada uma missão que vai muito para além de ensinar.
      Especialmente nos dias de hoje, em que no meio de tanta tecnologia e modernidade, falta o essencial: o afecto, a atenção, os valores, as regras.
      Dou aulas numa escola do interior, de grande pobreza sócio-cultural.
      É na escola que vão ao museu, que vão a Lisboa, que vão ao teatro, que vão a Paris, que os ensinam as maneiras à mesa. Alguns é na escola que tomam banho e é na escola que a sua roupa é lavada.
      Por eles esquecemos os ministros, a papelada inútil, a legislação incompreensível.
      Já agora aqui fica o link do jornal da minha escola…
      http://agrupamentoalcanede.eu/jornal

    1. Grato, Nuno. O que possa ter-me escapado (como a tanta gente) só fica de certeza a dever-se ao modo desproporcionado como o Relatório PISA foi oficialmente apresentado. Acho que este ‘post’ ajuda a dar o seu a seu dono, na tentativa de equilibrar a publicidade governamental, e nesse ponto ainda me parece que é ajustado mantê-lo aqui.

      Um abraço para si também.

      1. João, discordo em absoluto.
        Neste caso o governo não se fez rogado em auto-elogio, mas também sempre disse que os principais responsáveis eram os professores! Se isso foi amplamente noticiado.

        Mas a vontade de sempre criticar o governo é maior!

        Repare, elogiar MRS por elogiar os professores passado 2 meses do relatório ter sido conhecido e aproveitar isso para criticar o governo não será “delito” a mais? 🙂

        Abraço.

        1. Até pode ser, mas elogiar MRS não é o meu forte e criticar este governo nunca me parece excessivo. Que quer? São fraquezas minhas. Por isso é que também gosto de não estar sempre de acordo com outros. E vice-versa. O que não significa falta de consideração — não me entenda mal.

          Um abraço.

            1. Claro que não, meu caro. Mas a minha fraqueza explica-se: por mim, este governo já tinha ido de vela há muito — sem mais e por muito menos.

              Abraço, Nuno.

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