Leia-se o que escreve Miguel Morgado sobre a arrogância que grassa no meio académico português, sintoma aliás de um complexo cada vez mais disseminado entre nós: o horror à crítica, ao debate de ideias, à consideração de perspectivas diferentes das nossas: "Dizia-me um amigo das andanças académicas que estava preocupado com a incapacidade crescente manifestada pelos académicos portugueses de aceitar críticas ao seu trabalho. Repare-se que estou a falar do meio académico, em que a crítica dos pares desempenha um papel insubstituível na progressão do trabalho científico. E a queixa deste meu amigo pode ser verificada todos os dias, em todas as esferas de actividade. Somos um País de gente medrosa, insegura, freneticamente ciosa do risível quintal que vai assegurando, e em guerra com um conjunto infindável de ameaças que os outros suscitam. No fundo, isto é também um reflexo do País que fomos construindo nos últimos anos. Um País literalmente de bárbaros, isto é, de pessoas incapazes de manter uma conversação racional."Touché!
José Gomes André,
Leia-se o que escreve Miguel Morgado sobre a arrogância que grassa no meio académico português, sintoma aliás de um complexo cada vez mais disseminado entre nós: o horror à crítica, ao debate de ideias, à consideração de perspectivas diferentes das nossas: "Dizia-me um amigo das andanças académicas que estava preocupado com a incapacidade crescente manifestada pelos académicos portugueses de aceitar críticas ao seu trabalho. Repare-se que estou a falar do meio académico, em que a crítica dos pares desempenha um papel insubstituível na progressão do trabalho científico. E a queixa deste meu amigo pode ser verificada todos os dias, em todas as esferas de actividade. Somos um País de gente medrosa, insegura, freneticamente ciosa do risível quintal que vai assegurando, e em guerra com um conjunto infindável de ameaças que os outros suscitam. No fundo, isto é também um reflexo do País que fomos construindo nos últimos anos. Um País literalmente de bárbaros, isto é, de pessoas incapazes de manter uma conversação racional."
Totalmente de acordo. E ainda há o que nem ele, nem eu nem tu nos atrevemos a escrever.
Eu pelo menos não me atrevo. Porque o meio em Portugal pode ser razoavelmente tirano. Um dia pergunta-me o que quis dizer;)
Entretanto para te rires:
http://tinyurl.com/cwrw7e
Excelente reflexão do Miguel Morgado no Cachimbo.
Oh meu caro… dificuldade de aceitar críticas ao seu trabalho, dificuldade de aceitar quem pensa de outro modo, facilitação de percursos aos conformadinhos com a coisa… Xiiii o que por aí se passa…
:))
O Miguel Morgado tem toda a razão. Subscrevo. E tu também, quando assinalas “o horror à crítica, ao debate de ideias, à consideração de perspectivas diferentes das nossas”. Há muito que venho denunciando isto como um dos maiores males da sociedade portuguesa, designadamente na esfera política e mediática.
Somos, de facto, um país incapaz de aceitar críticas. Porque quem as ouve se julga perfeito, imaculado. Enfim, um deus, ainda mais se for académico. Mas vivemos uma época de surdos também porque quem critica não tem medida e confunde reparo com insulto.