Em Dezembro, Miguel Cabrita ironizava com o "plebiscito" no CDS que entronizou Paulo Portas novamente como líder do partido. As palavras que então usou poderiam ser utilizadas agora para o PS, onde José Sócrates acaba também de ser "plebiscitado" como Líder Supremo. Mas – surpresa ou talvez não – o bom do Miguel agora usa um critério diferente. Foi-se a ironia, foi-se a ilustração com o Rato Mickey, instalou-se o respeitinho muito cordato. E o dedo deixa de ser apontado ao dirigente máximo do partido – passa a visar a oposição interna. Reparem nesta pérola, que isenta Sócrates invertendo o raciocínio usado em relação a Portas: "A legitimidade das oposições internas, e em particular de quem se assume como tal semana sim, semana não, fica fortemente diminuída quando a sistemática contestação e a ruidosa proclamação de divergências não se materializa numa alternativa real."
Cada vez mais admiráveis, estas "análises de fim de semana", como muito bem lhes chamou o Tiago Barbosa Ribeiro.


Não entendo estes sinais cada vez mais visíveis de lata crescente, de que Miguel Cabrita é apenas um dos portadores.
É legítimo haver quem defenda as suas cores contra tudo e contra todos, mas façam-no à mesa do café. Nunca hei-de entender por que raio insistem em opinar pubicamente sem pudor, quando são incapazes de manter o distanciamento mínimo que a coerência aconselha.
Só pode ser masoquismo: conseguem reduzir a pó a consideração que qualquer um merece à partida.
A democracia interna nos partidos é assim mesmo, sabendo nós (penso que aqui não há dúvidas) que os partidos são o pilar da democracia, sejam eles de esquerda ou de direita, excluindo naturalmente o PCP que aí o unanimismo é palavra sagrada.
o que é que ele disse?