56 comentários em “Tugal, 2022”

  1. Não entendo a relação. Onde quer chegar ?
    Que as pessoas que vivem longe do trabalho devem desperdiçar tempo do seu dia, que provavelmente é uma merda, a andar em transportes públicos?

        1. E o autocarro só não o é precisamente pelo trânsito criado pela enorme quantidade de carros. Mas ainda assim quem anda de autocarro não tem que se preocupar com coisas como estacionar ou o preço da gasolina.

          1. Exacto. Quanto menos carros houver a entupir as ruas, estacionados nos passeios, parados em segunda fila e a impedir o fluxo normal do trânsito, melhor os autocarros circulam e mais depressa chegam ao seu destino.

  2. Num comentário apressado eu diria que metade dos que vão para o trabalho de carro têm que reduzir o consumo de carne o que até talvez lhes faça bem, além de reduzir a quantidade de metano produzida pelo gado vacum.

  3. O empobrecimento dos tugas obriga ao consumo de menos carne (tendo em conta que, o PS se preocupa imensamente com o povo e que tudo faz para o seu bem, deve ser uma forma de contribuir para a salvação dos animas e do planeta assim como para uma menor incidência de doenças cardiovasculares e de cancros do reto na pop tuga, só pode!). Contudo, o transporte individual continua em altas, sintoma de que o transporte coletivo está mal e porcamente organizado mas eventualmente também de que os tugas não são muito receptivos a ele. Bem sobretudo fora dos 2 grandes centros urbanos do país e, à medida que nos distanciamos deles é um facto de que os transportes públicos são uma anedota, não há como negar.

    1. Cascais, Ericeira, Lagos, Évora – exemplos de vilas e/ou cidades onde os transportes funcionam bem.
      Demasiada gente continua a usar viatura individual sem qualquer necessidade imperiosa. Incluindo pessoas que dizem “adorar andar de metro em Paris ou Nova Iorque” mas nunca usaram o metro em Lisboa ou Porto.

  4. A pirâmide invertida das prioridades tugas.
    Não me admira.
    Sempre foi assim. O pópó sempre foi símbolo exterior do status (seja lá o que isso for)

  5. Numa família de 4 adultos ( exemplo de 3 famílias no prédio onde moro) um está reformado, dois trabalham um ainda estuda. Todos os dias saem quatro carros.
    Nós não temos carro. As filhas ficaram com eles quando saíram de casa. O meu marido tem o passe dos reformados, eu tenho passe normal e transporte público de 30 em 30 minutos a 10 minutos de caminhada e tenho os TVDEs uma vez por outra, principalmente quando saio tarde e quando há greves. Não é um descanso, mas é muito stressante e demorado andar à procura de lugar para estacionar todos os dias e com tendência a piorar de dia para dia. A minha filha mais nova que também trabalha em Belém, trocou o carro que lhe demos por um Smart, porque detestava chegar atrasada ao trabalho e não adiantava chegar cada vez mais cedo.

    1. Sim, todos conhecemos casos de famílias em que cada um tem o seu popó e usa tal “bem individual” aplicando o princípio à letra. Com crise ou sem crise.
      Alguns devem berrar contra o aumento dos preços dos combustíveis sem alterarem um milímetro o padrão de vida neste particular.

  6. Fora das grandes cidades é impossível ter uma vida activa sem carro.
    Quem vive na periferia das grandes cidades nem sempre tem ligações de transportes públicos racionais. A opção é passar 2 horas de manhã e outras 2 horas ao fim do dia em transportes públicos congestionados ou dentro da sua viatura no pára arranca.

    1. A opção é queimar combustível, cada vez mais caro, nas filas de trânsito, no pára-arranca, nos brutais engarrafamentos que congestionam as periferias de grandes cidades – e até de médias cidades. O ministro das Finanças agradece. O ministro do Ambiente assobia para o lado.

      1. Até que pode ser essa a razão para o dito post não estar a ser republicado cada dia, como de costume…

  7. Quando os socialistas nacionalizarem os automoveis e estes só poderem circular cheio de camaradas autorizados pelo partido, então será o paraíso na cidade.

      1. Pois. Agora os europeus que adquiriram veículos elétricos estão a aperceber-se de que praticamente toda a eletricidade que o seu veículo consome é produzida queimando gás natural, um combustível fóssil. E devem estar a perguntar-se, de cada vez que carregam o seu veículo com caríssima eletricidade, para que raio estão a usar um veículo que, de facto, funciona a combustível fóssil.
        Mais valera ter comprado um carro a gasolina.

  8. Usar o carro muitas vezes não é uma opção, é uma necessiade.
    Fora dos meios urbanos não há transportes coletivos. As pessoas vão para o trabalho ou de carro ou, eventualmente, numa motorizada.
    A única possibilidade para muita gente deixar de usar o carro seria, ou mudar de casa, ou mudar de emprego.

    1. Todos conhecemos gente que se desloca diariamente em viatura própria quando poderia usar transportes públicos.
      Todos conhecemos também a enorme relutância dos portugueses em partilharem carro, em boleias alternadas com colegas de trabalho, como é usual fazer-se noutras sociedades, e até muitas vezes com pessoas de família.
      Em tempo de grave crise inflacionária, com os preços em alta e o poder de compra cada vez mais diminuído, este cenário de partilha de viatura continua a não ser opção.

  9. Consumir menos carne não é grave, em muitos casos será até benéfico. O consumo de carne médio dos portugueses é muito excessivo.
    Li uma vez que, de 1970 até 2000 ou coisa parecida, o consumo médio de carne de vaca em Portugal aumentou 6 vezes. Por alturas do 25 de Abril consumia-se em média 6 vezes menos carne de vaca que atualmente.

    1. Não há nenhuma necessidade imperiosa de tanta gente usar viatura própria na deslocação casa/trabalho. A esmagadora percentagem de carros que entope os principais centros urbanos transportando apenas o condutor é quase chocante, sobretudo em tempo de grave crise energética e inflação galopante.

  10. E ainda dizem que a vida está má.
    Se 41% dos portugueses leva marmita quer dizer que 59% vai ao restaurante.
    Se 32% consome menos carne quer dizer que 68% come carne à fartazana.
    Se 66% usam o carro quer dizer que 34% está em teletrabalho.
    A língua portuguesa é muito traiçoeira.

      1. E ainda você não sabe a percentagem de portugueses que come bacalhau à Brás, para ser proibido comer em Agosto, veja lá!
        E o criativo sou eu…

    1. “Se 66% usam o carro quer dizer que 34% está em teletrabalho.”
      Sim, porque ZERO pessoas vão para o trabalho a pé ou de transportes públicos… Num teste de estatística o comentador Carlos Sousa teria 0…

  11. Ontem, se o autor do post foi para Alvalade de metro, até poderá ter tido o privilégio de palmilhar entre Entrecampos e o Estádio (duas vezes, naturalmente), dado o encerramento desse troço. No meu caso, complementei esse aprazível passeio (feito em passo de corrida na direcção do estádio, e mais dolente no regresso), com a usual descida e subida da Joaquim António de Aguiar, sempre agradável, dado o seu ligeiro pendente – sempre sem me cruzar com qualquer transporte público (salvo as trotinetes eléctricas – estrategicamente colocadas junto ao metro de Entrecampos e do Campo Grande – com uns utentes fermosos mas não seguros, de cachecol ao vento na ida, e com ele mais recolhidos na vinda – porque, entretanto, arrefeceu). Ah, as maravilhas do transporte público lisboeta!

    1. Sou utente diário dos transportes públicos lisboetas. São acessíveis, frequentes e baratos. Excepto em dias de greve, que prejudicam essencialmente quem trabalha e não tem meios para se deslocar em viatura própria e muito menos para gastar dinheiro em táxis ou seus sucedâneos.
      Excepto nestes dias, por motivos óbvios, é para mim quase inexplicável que residentes em Lisboa que também trabalham na capital em zonas servidas pelo metro prefiram fazer estas deslocações em carro particular. Pagam combustível, estacionamento, às vezes reboque e oficina, gastam ainda mais tempo e dinheiro – e contribuem para encher o baú do doutor Medina.

      1. Assino por baixo na parte de ser preferível utilizar transportes públicos para circular dentro de Lisboa (onde tenho a sorte de residir e trabalhar) aos dias de semana, o que faço, com toda a minha família, e quase sempre fiz. Faço-o apesar da péssima qualidade dos mesmos, apenas superada pela horrenda situação da circulação e estacionamento automóveis. Péssimo, porque, mesmo durante a semana e à hora de ponta, muitas carreiras de autocarro têm intervalos de 20 minutos (o que sucede com quase todas depois das 20h00 e ao fim-de-semana – as que não são suprimidas); o metro – para lá da péssima concepção e do estado miserável em que se encontram as escadas, elevadores e passadeiras – também tem intervalos excessivos fora da hora de ponta ou ao fim-de-semana, em que superam 10 minutos (mesmo quando o SCP ou o SLB jogam em casa, em que o único reforço é nos revisores), e os eléctricos (salvo, por enquanto, o meu 24) e os elevadores estão entupidos com turistas, e inutilizados como meios de transporte. Mais; agora, as faixas “bus”, para lá do ocasional automobilista vândalo, são ocupadas por ciclistas e afins, porque mentes pensantes concluíram que é extremamente ecológico obrigar (múltiplos) de 50 pessoas a circular à velocidade de um qualquer lelé-da-cuca que acha que Avenida da Liberdade é o Hautacam. Ah, pois, e ainda há as greves, os plenários, as avarias, a app fora de serviço, e alguns motoristas (e passageiros) que são autênticos camelos. Por isso, esse paraíso terreal de que fala, eu não conheço.

        1. Uso muito o 27, que liga o Bairro de São Miguel ao Restelo: veículos modernos, impecáveis, atendimento cortês. Ou o eléctrico 28, que vai da Baixa a Campo de Ourique, por exemplo. Passa a todo o momento, não é poluente e percorre um circuito diversificado com rapidez. Tem o risco, claro, de poder ficar bloqueado por causa dos carros particulares mal estacionados em toda a cidade. Esta é uma praga existente sobretudo em Lisboa. Triste sinal “identitário” da urbe alfacinha que nunca vi noutras capitais europeias nem vejo em muitas outras cidades portuguesas (excepto se for algum lisboeta a estacionar lá em transgressão).

      2. “Sou utente diário dos transportes públicos lisboetas. São acessíveis, frequentes e baratos. Excepto em dias de greve…”
        Não são acessíveis para quem viaje com cadeira de rodas, carrinho de bebé ou bagagem pesada. As escadas rolantes e os elevadores não funcionam. A altura dos autocarros é impraticável para carrinhos de bebé ou cadeiras de rodas.
        Não são frequentes: há carreiras de autocarros com intervalos de 30 a 40 minutos entre veículos e o metro tem pouca cobertura. E nunca se sabe quando vão passar, i.e, não cumprem qualquer horário.
        Não são baratos. Se viajar com a minha família toda de metro ou de autocarro gastamos um balurdio. Mais ainda se tivermos de usar metro e autocarro, uma vez que uma entrada no metro implica um bilhete novo. Pagar à ida e à volta. E demorar uma eternidade.
        São mais os dias de greve que os dias sem greve.
        Não sei se vivemos na mesma cidade…

        1. Pela sua descrição não vivemos.
          Mas pode sempre reclamar junto do Carlos Moedas, que teve a “triste ideia” de tornar gratuitos os transportes públicos em todo o concelho de Lisboa aos menores de 23 anos e aos maiores de 65 anos, empurrando assim milhares de pobres munícipes para o “inferno” dos transportes públicos.

        2. “Não são acessíveis para quem viaje com cadeira de rodas, carrinho de bebé ou bagagem pesada. As escadas rolantes e os elevadores não funcionam. A altura dos autocarros é impraticável para carrinhos de bebé ou cadeiras de rodas.”
          Esses são casos excepcionais que justificam o uso do carro. A maioria das pessoas que vivem nas áreas metropolitanas de Lisboa e do Porto não tem motivo para andar de carro.

  12. Isso é o que significa ser livre: escolher de acordo com as suas prioridades.
    Um exemplo pessoal: odeio conduzir em hora de ponta. Também odeio andar de transportes públicos em Lisboa. São péssimos: não os há com a frequência desejada, andam sobrelotados, as escadas e elevadores não funcionam, os painéis que nos permitiriam decidir o melhor trajecto também não funcionam, e se por acaso não temos um titulo de transporte carregado custam um balurdio. Eu ando de transportes públicos muito esporadicamente, e nunca, mas nunca, encontro tudo a funcionar.
    A minha escolha de local para morar tem sobretudo a ver com a parte da cidade onde me movimento, tendo em conta que me movimento maioritariamente a pé. Isto significa que tenho que me contentar com um apartamento mais pequeno e menos espectacular do que se vivesse nos subúrbios. É a minha escolha que pode não servir para outros.
    Quando preciso de me deslocar para mais longe uso o automóvel (porque não tenho tempo a perder) desde que não viaje em hora de ponta e não seja impossível estacionar no destino. Caso viaje sozinha, tenha uma linha de metro directa e não precise de carregar pesos, posso eventualmente ponderar o metro.
    As pessoas que vivem num determinado local, e têm filhos na escola noutro local (lembro que raramente os pais podem escolher a escola dos filhos, seja pública ou privada) e os levam a actividades extracurriculares noutro local, dificilmente conseguem prescindir do automóvel. É mais fácil prescindir do bife.
    PS – Eu levei marmita para o trabalho durante muitos anos (agora venho almoçar a casa). É indiscutivelmente mais racional do que almoçar fora todos os dias. Aliás, colegas meus oriundos de países ricos achavam estranhíssimo que os portugueses comessem no restaurante todos os dias da semana. E é mesmo. 😉

    1. Costa e Medina agradecem a “liberdade” de quem conduz carro particular diariamente em Lisboa, pois aumenta a receita fiscal em ISP, estacionamento fiscalizado pela EMEL, multas diversas.
      “Liberdade” muito duvidosa, essa de passar os dias em engarrafamentos de trânsito numa cidade onde por 30 euros mensais se circula livremente nos transportes públicos de todo o concelho e por 40 euros mensais se circula livremente nos transportes públicos de toda a área metropolitana. Além de que andar de metro, autocarro e eléctrico em Lisboa é gratuito para os residentes com menos de 23 anos e mais de 65 anos.

      Medina e Costa, se pudessem dar este conselho, diriam com gosto: “Andem de popó, meninos, andem de popó…”

      1. É engraçado, eu posso prescindir diariamente do automóvel particular, usando-o apenas pontualmente. Mas sei que sou uma privilegiada. O Pedro parece não ter essa noção. E critica pessoas que têm vidas 100 vezes mais difíceis que a sua. Faz-me confusão.
        Se as minhas opções fossem gastar duas horas, com as crianças pela mão, ao sol e à chuva, ensardinhados nos transportes baratos, ou passar as mesmas duas horas, com as crianças secas e confortáveis a dormitar no carro se calhar escolhia a segunda opção, mesmo que implicasse dar o imposto ao Medina. E mesmo que tivesse que prescindir do bife.

        1. Estas estatísticas não surgem no vácuo, Susana. Todos conhecemos pessoas que, podendo prescindir do carro particular nas suas deslocações diárias, nunca o fazem.
          Algumas, residentes na capital, gabam-se até de nunca terem andado de metro ou autocarro em Lisboa. Mas adoram dizer que andaram de metro em Paris, Londres ou Nova Iorque.

  13. O velho problema da relação dos políticos e dos jornalistas portugueses com a Estatística.

    Eles não a compreendem e não a sabem usar — e Ela, fria e indiferente, nunca faz o que uns ou outros pretendem.

    Aqui no DO, tenho chamado várias vezes a atenção para este fenómeno.

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