Em Junho de 1304, saiu de Portugal uma solene e enorme comitiva, que incluía quase toda a corte portuguesa. A presença da rainha D. Isabel era imprescindível, pois o monarca aragonês Jaime II era seu irmão.

Jaime II de Aragão, por Manuel Aguirre y Monsalbe – [3], Domínio público, https://commons.wikimedia.org/w/index.php?curid=1111454
Isabel e Jaime cumprimentaram-se emocionados. Haviam-se separado há mais de vinte anos, nas idades de onze e catorze respectivamente. Dinis achou-os parecidos, mas Jaime não ostentava a palidez da irmã. Era robusto, nas suas vestes escarlates, bordadas a fio de ouro.
O herdeiro do trono português foi apresentado ao tio, que lhe elogiou a postura, arrancando-lhe um sorriso e espantando Dinis, pois raramente assistia a tal reacção por parte do rebento. O monarca aragonês fez ainda questão de mencionar a parecença do moço com o avô Pedro III, embevecendo Isabel. Dinis, no entanto, apreciaria mais que o príncipe fosse parecido com ele… Como Afonso Sanches.
(Do meu romance D. Dinis, a quem chamaram o Lavrador)
D. Dinis tinha todo o interesse em que a paz fosse estabelecida na Hispânia, pois, embora Portugal não estivesse directamente implicado, esta crise passava pela legitimação dos filhos do falecido D. Sancho IV de Castela. O seu sucessor, Fernando IV, ainda menor, era o noivo da infanta D. Constança de Portugal, filha de D. Dinis e de D. Isabel.
Nota: este assunto vai ser tema de mais dois posts.

Com uma boa lupa, ainda se tirava daqui um “Game of Thrones” como o que tiraram da Guerra das Rosas inglesa.
Sem dúvida. Toda a Europa medieval é fonte inesgotável para enredos desse tipo. Os reinos (e outros territórios, como principados, ducados e condados) eram considerados propriedade privada, que se transmitiam por herança. Está tudo dito.
E é por causa disso – por os reinos serem propriedade privada – que não faz sentido fazê-los coincidir com nações, como os Estados atuais fazem. Muitos reinos abarcavam diversas nações, e muitas nações estavam repartidas entre diversos reinos.
Por exemplo, houve um reino muito grande que abarcava a Polónia, a Lituânia e partes da Bielorrússia. Mas não era nenhuma dessas nações nem nenhum desses Estados atuais – era tão-somente a propriedade privada de um monarca. Não faz sentido a Polónia atual, nem a Lituânia atual, vangloriarem-se de em tempos terem sido esse reino grande e poderoso.
Curiosíssima a posição dos pés do rei na pintura que ilustra o post: um pé apontado para a frente, o outro para o lado. Afinal, para onde se quer dirigir o monarca – para a frente, como um homem, ou para o lado, como um caranguejo?
(Pergunta que também se poderia fazer a Donald Trump.)
Só mesmo o pintor himself para lhe responder a essa pergunta
Ou um livro de esgrima