Verificou-se, no passado dia 8, o 721º aniversário da Sentença Arbitral de Torrellas, à qual decidi dedicar três “postais”. Esta Sentença Arbitral, que acabou com as quezílias entre Castela e Aragão, devido à sucessão problemática de Afonso X, o Sábio, foi o resultado de um longo processo, no qual D. Dinis foi o principal medianeiro. Permito-me transcrever um excerto do meu romance, onde se pode ler o essencial sobre as suas conclusões:
As sentenças foram proferidas em Torrellas, a 8 de Agosto. Como combinado, o rei de Portugal, o infante Don Juan de Castela e o bispo de Zaragoza Don Ximeno de Luna proferiram a sentença quanto à divisão do reino de Múrcia. Foi estabelecido o rio Segura como linha divisória, solução que estava longe de agradar a muitos nobres castelhanos, apesar de o mais prejudicado ser um português: o próprio irmão de Dinis. Os senhorios de Elda e Novelda, pertencentes à consorte do último, situavam-se na parte destinada ao monarca aragonês, pelo que Afonso e sua esposa Violante lhos teriam de entregar.
Dinis tentou acalmar o irmão:
– Nada pude fazer para o evitar. Mas o meu genro* comprometeu-se a doar-te senhorios de rendimento idêntico em Castela. E sabes que em Portugal, onde igualmente possuis propriedades valiosas, serás sempre bem-vindo.
O irmão limitou-se a encará-lo com o seu olhar amargurado.
Os reis de Portugal e de Aragão e o infante Don Juan de Castela proferiram ainda a sentença quanto às pretensões de Alfonso de la Cerda*, que teria de desistir de certos castelos, deixar de usar o tratamento de rei e selo e armas correspondentes. Em compensação, o monarca castelhano comprometia-se a entregar-lhe senhorios que atingissem a renda anual de quatrocentos mil maravedis.
No dia seguinte, Fernando IV e Jaime II* aprovaram e aceitaram os termos da sentença, seguindo-se um juramento em que participaram os membros das famílias reais, os representantes das Ordens militares e dos concelhos e os ricos-homens castelhanos e aragoneses. Os monarcas de Portugal, Castela e Aragão declararam-se ainda «amigos dos amigos e inimigos dos inimigos», jurando ainda Dinis e Jaime II amizade para com o rei mouro de Granada, que se fizera vassalo de Fernando IV.

*1 Fernando IV de Castela
*2 Achava-se com direito ao trono castelhano, desde a morte de seu avô, Afonso X
*3 Rei de Aragão, irmão de D. Isabel

“O irmão limitou-se a encará-lo com o seu olhar amargurado.”
Pensa-se que estaria instalado naqueles domínios, depois de abandonar Portugal no fim das contendas com o rei e optar por integrar a corte de Castela. Seria necessária agora nova mudança.
Entretanto, a concretização da promessa do rei castelhano passaria ainda por algumas peripécias. E quando se transferiram para a doada em troca Medellin, eis que Violante adoece e têm de rumar a paragens mais salutares, o que nada viria a adiantar à enferma (na versão do enlutado).
O irmão mais novo de D. Dinis pode ser considerado a “figura trágica” do reinado do Rei Poeta. A vida dele dava um bom romance, com tanto rancor, amargura e mistério (nomeadamente, na morte da esposa) à volta dele.
O melhor será que a Cristina o escreva. Já está dentro do tema e sabe da poda:).
Obrigada pela confiança nas minhas capacidades, Bea. Mas seria um empreendimento difícil, pois não penso que haja muitas informações sobre ele. Só se sabe da sua interacção com o irmão mais velho.
Ora, ora, desde quando é que não haver informações é um impedimento.
Este é um país onde qualquer apresentadora de televisão ou “estrela do big brother” escreve um romance histórico (histérico) e é publicado por editoras, supostamente, sérias.
Publicar coisas a que chamam romances históricos é o mais fácil que existe desde que se tenha os contactos certos e se seja “influenciadora”, a temática tem é de ser feminina, tipo: “Violante a cunhada matada pelo irmão de D. Diniz”.
Infelizmente é verdade, Pedro.
> o principal medianeiro
Hoje em dia por cá gasta-se mais “mediador”.
(Só um facto, não tenho explicação
)
As duas palavras existem e são sinónimos.
Aproveito para informar que não tenho publicado os comentários interessantes do nosso comentador João Barros da Costa, porque não os encontro na “Gestão de Comentários”, embora os receba por email. Não faço ideia porque isso acontece! Além de um comentário a este postal, houve outro em relação a este: https://delitodeopiniao.blogs.sapo.pt/u m-ano-com-d-dinis-46-18486584, relativo à fundação da Universidade, que me vi impedida de aprovar, por não o encontrar. As minhas desculpas ao referido comentador.
Cara Cristina…
Obrigado pelo esclarecimento.
Obrigado por considerar os meus comentários interessantes.
Não tem de pedir desculpa pela não publicação dos meus comentários.
Recomendo uma leitura dos meus comentários ao postal “Ao Chiveve” do jpt
e das respostas do jpt aos meus comentários. Segundo o jpt, o coordenador
(Pedro Correia), pode impedir a publicação de comentários feitos a postais
de qualquer autor/a do blogue “Delito de Opinião”. O jpt escreveu umas respostas
a comentários meus ao postal “Ao Chiveve”, a explicar porque não iria aceitar mais comentários meus. Não tenho lido os postais do jpt. Quanto ao postais do Pedro Correia, só leio os que considero terem algum interesse. Comento alguns. Nem
todos os meus comentários têm sido publicados.
P. S.: Chegou a contactar o Rainer Daehnhardt?
P. S.: Contacte a ASSOCIAÇÃO NUMISMÁTICA DE PORTUGAL (Lisboa),
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Nota – Muito ilustrado.
Cumprimentos.
João Barros da Costa
JOAO.BARROS.DA.COSTA@SAPO.PT
Caro João, este estava lá e também o outro, relativo a Porches.
Ainda não contactei o Rainer Daehnhardt, a ver quando tenho ocasião.
Obrigada pelas suas informações.