A 12 de Novembro de 1288 foi redigida, em Montemor-o-Novo, a carta ao papa Nicolau IV, pedindo autorização para a criação do Estudo Geral das Ciências em Lisboa (percursor da Universidade). Além de D. Dinis, assinaram a carta o abade do mosteiro de Alcobaça, os priores de Santa Cruz de Coimbra e de São Vicente de Lisboa e os superiores de vinte e quatro igrejas e conventos do reino. Suplicaram a aprovação e «confirmação de uma obra tão pia e louvável», pois o Estudo Geral deveria albergar estudantes que, por falta de posses, não podiam estudar em universidades estrangeiras.
O Estudo Geral das Ciências de Lisboa foi aprovado pelo papa em Agosto de 1290.
Terá sido igualmente nesta altura que D. Dinis resolveu usar o Português nos documentos oficiais da chancelaria, normalmente redigidos em latim ou em galaico-português. Esta língua, falada no início da fundação do reino e ainda usada na poesia trovadoresca, já não correspondia ao falar do dia-a-dia, no tempo de D. Dinis.

Nesse tempo até para criar uma universidade era preciso pedir autorização ao papa. Não fosse ensinar-se nessa universidade coisas que mais valia ficarem secretas…
A Europa era uma verdadeira teocracia.
Todo o ensino estava, nessa altura, nas mãos da Igreja. Só os clérigos tinham formação para ensinar.
Todo o ensino estava, nessa altura, nas mãos da Igreja.
Outra coisa que li há uns dias foi que a atividade de crédito também era um monopólio da Igreja. Ou seja, que somente a Igreja podia emprestar dinheiro a alguém. E que era para preservar esse monopólio que a Igreja andava às turras com os judeus.
(Estou a vender o peixe pelo preço a que o comprei.)
E agora não é o mesmo?
Agora os padres do ensino não vestem togas pretas, e continuam a pregar a mesma Fé (agora, na dita ‘ciência), usando um ritual?
Cristina…
A criação dos Estudos Gerais foi uma das mais importantes
obras do Dom Dinis (1261-1325, Rei em 1279) e devia ter
o estatuto de primeira Universidade portuguesa.
O local onde existiu fica perto do Campo das Cebolas
e da adulterada Casa dos Bicos, infelizmente usada
pela Fundação José Saramago.
Os edifícios históricos e classificados não deviam
ser entregues a instituições privadas.
As obras só podem ser feitas em situações de recuperação
e não para grandes alterações, como estão a ser feitas
no Museu Nacional de Arqueologia (Lisboa).
Querem um grande museu digno da designação de nacional?
Esvaziem o Centro Cultural de Belém e façam o grande
Museu Nacional de Arqueologia que Portugal merece…
Portugal tem Ministério da Cultura?…
Não parece…
Dom Dinis, um dos melhores reis de Portugal, mandou plantar
o pinhal de Leiria. Certamente a pensar nas navegações futuras
(ao fim de trinta ou quarenta anos, dependendo da espécie,
um pinheiro tem diâmetro suficiente para ser cortado e transformado
em tábuas resistentes).
Portugal devia de ter um grande Museu Nacional dos Descobrimentos.
Objectos para pôr lá? Alguns estão em museus portugueses, em exibição
e em reserva (são os que não são vistos). Outros estão em colecções…
Existem muitos objectos que foram roubados durante as invasões de que
Portugal foi vítima e que nunca foram devolvidos. As muito célebres
tapeçarias de Pastrana, umas armaduras do Dom Sebastião, por exemplo,
que estão em “Espanha”. Há uns anos, as tapeçarias de Pastrana estiveram
em exposição em Portugal e regressaram à “Espanha”. Deviam ter ficado cá.
Deveria ser publicado um livro com a lista de todos os objectos que se sabe que foram roubados e com fotografias, na medida do possível.
Exigir a devolução desses objectos é uma necessidade nacional.
Um museu com os objectos roubados, com a indicação dos países
responsáveis também teria interesse.
De vez em quando, são vendidos objectos medievais, alguns mais
antigos, outros mais recentes, todos com interesse histórico.
Onde? Em leilões presenciais.
Os objectos de mais fácil aquisição são as moedas,
incluindo moedas do reinado do Dom Dinis…
Desde a Feira da Ladra (na parte dos comerciantes de Numismática),
passando pelos antiquários (Rua Dom Pedro V, Rua de São Bento)
e pelas lojas especializadas em Numismática, até à leiloeira Numisma
e à Associação Numismática de Portugal, com localização em Lisboa,
há muito por onde escolher…
P. S.: Chegou a contactar o Rainer Daehnhardt? Veja na Internet.
Cumprimentos.
João Barros da Costa
JOAO.BARROS.DA.COSTA@SAPO.PT
Sim, caro João, a primeira Universidade portuguesa foi de facto fundada em Lisboa! Na origem, chamava-se Estudo Geral das Ciências. Não sei quando passou a chamar-se Universidade. O Estudo Geral andou, durante mais de duzentos anos, entre Lisboa e Coimbra. A primeira mudança aconteceu ainda durante o reinado de D. Dinis e, sobre as razões, nada se sabe em concreto. Só a partir de 1537 se estabeleceu definitivamente em Coimbra. Penso que a ideia de a Universidade haver sido fundada nesta cidade tenha a ver com o facto de que, a partir de 1537, e durante alguns séculos, a coimbrã era a única que existia.
O pinhal de Leiria não deve ter sido o único que D. Dinis mandou plantar. Mas terá sido a pensar nas navegações futuras? Estudando o reinado de D. Dinis, nada indica que ele prevesse os Descobrimentos. Na biografia do Rei Lavrador, de autoria de José Augusto Pizarro, a desflorestação já era um problema, em fins do século XIII. Na Idade Média, o consumo de madeira era exorbitante. Teria sido essa a razão principal para D. Dinis se decidir pela plantação de uma árvore de crescimento rápido. Pode ter igualmente pensado na construção náutica, até porque ele incrementou a pesca. Mas daí a prever os Descobrimentos à escala em que eles aconteceram…
Ainda não contactei o Rainer Daehnhardt. A ver se, desta vez, não me esqueço.
Quanto mais se tenta procurar a ‘origem’ de alguma coisa no passado, mais se perde a ‘identidade’ dela.
É assim na escala Cultural, como nas escala Cultural, Social, Biológica, Química, ou Física.
Quando se procura a identidade dos protões e neutrões, encontramos uma coisa diferente deles, que a Física designa por quarks, neutrinos, leptões, bosões ou fermiões. Quando se procura a identidade do hidrogénio, do carbono ou do oxigénio, encontramos átomos (respectivamente, com 1, 6 e 8 protões). Quando se procura a identidade biológica de uma espécie de vida não-humana, encontramos células, proteínas, moléculas e ADN. Quando se procura a identidade e origem da vida humana (‘homo sapiens sapiens’), encontramos hominídeos não-humanos desde ‘erectus’. Quando se procura a identidade social de um país, ou a pureza rácica de um grupo humano, encontramos uma miscigenação étnica, na qual a identidade desse país se esfarela em identidades totalmente diferentes. Quando se procura a identidade cultural de uma nação, encontramos um agregado de diferenças incompatíveis em permanente tensão e conflito.
Perante esta evidência, a História de Portugal, tal como as outras, não serão um acto político perpetrado por quem lhe convém que a realidade seja aquilo que lhe interessa? Quando estão a falar do passado e das origens não estarão a mentir, sobre aquilo que de facto estão a fazer, que é construir um presente e um futuro à sua medida?
Bem, só lhe posso dizer que o Estudo da História se tem modificado, nas últimas décadas. Os historiadores são muito cuidadosos, naquilo que afirmam, procurando provas documentais e nada afirmando que não possa ser provado. Antigamente, era um pouco diferente, a fim de exaltar o nacionalismo. Quantas coisas se disseram sobre a História de Portugal, sem o menor vestígio de provas…
Cristina Torrão,
… o meu comentário tem a ver com a crítica à ‘evidência’. Com essa crença de que os factos e os documentos são a base da explicação e da compreensão. Essa é a fragilidade da História enquanto modo de Conhecimento.
Adiante, em seis exemplos, indico o sentido da minha crítica. Que é, aqui no ‘Delito …’, uma forma de debater e discutir esta questão que o seu Post suscita:
— “Reality only exists for us in the facts of consciousness given by inner experience” (W. Dilthey, 1976, “Dilthey: Selected Writings”, ed. H.P. Rickman, Cambridge University Press, p.161).
— “A raiz desse problema está na aparente contradição entre a «tese fundamental do empirismo» — tese segundo a qual só a experiência pode decidir acerca da verdade ou falsidade de um enunciado científico — e, o facto de D. Hume se ter dado conta da inadmissibilidade de argumentos indutivos.” (K. Popper, 1985).
— “O erro do empirismo é crer que os factos constatados contêm já a explicação do fenómeno. É exactamente ao contrário: é necessário encontrá-la.” (Junqua & Lacouture, 2001).
–“O objeto não possui realidade senão através do ser humano que o exprime e interpreta em função de uma Cultura, ou, de modo mais preciso, através de um indivíduo concreto sem o qual a mensagem jamais existirá.” (J-P. Mohen, 1999 … após toda uma vida consagrada à Conservação e Restauro no Museu do Louvre).”
— “Experiência e Juízo partem do mesmo ponto. A Experiência é «evidência dos objectos individuais», e a Evidência dos objectos individuais constitui «o conceito de experiência no sentido mais lato». Evidência do objecto-facto e Experiência definem-se uma pela outra. A concreção do individual exprime-se por um poder de fascinação, por onde passa a função de ‘apresentação-exposição’: eis o segredo da operação da evidência.” (Fernando Gil, 1986, “Tratado da Evidência”, IN-CM).
Num trabalho que apresentei na Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa escrevi:
— “Perante o mesmo ‘facto-objeto’, onde alguém vê a prova de uma vitória militar, outra pessoa vê um acto criminoso de colonialismo; onde alguém vê no ‘facto-objecto’ o lado positivo, outra pessoa vê o lado negativo. O ‘facto-objecto’ é simultaneamente o verso e o anverso, a afirmação e a negação, a lembrança de algo e o esquecimento de outra parte, e assim sucessivamente.
Por outras palavras, perante um mesmo facto-objecto nunca será possível encontrar uma resposta plena para as perguntas: «Estou a ver o quê? Como, dentro de mim, e por que parte de mim, estou a vê-lo? O que é que sempre vi do que estou a ver, e o que poderei ainda não ter visto? O que é que esse ver não me deixou ver? Qual é a responsabilidade na comunicação que se faz dele à comunidade?”
A única maneira de construir a Identidade de uma coisa é ir ao futuro, não é ir ao passado.
A origem de uma Identidade está no futuro, jamais no passado.
Pois, a Identidade é sempre um «Projecto».
Quando ele é morto, ou dilacerado pela procura de uma sua origem no passado, a Identidade desaparece. Esvai-se no túmulo do esquecimento, como uma história que jaz na memória, arrumada num arquivo, biblioteca ou museu.
Actualmente, o único «Projecto» capaz de reconstruir a Identidade humana (incluindo a dita ‘portuguesa’) é o Impronuncialismo (desde que seja definido de acordo com o que está escrito em «IMPRONUNCIÁVEL (https://www.blogger.com/blog)», ou em «IMPRONUNCIALISMO (https://impronuncialismo.blogs.sapo.pt )».