D. Dinis faleceu a 7 de Janeiro de 1325, com sessenta e três anos, sendo aclamado seu filho Afonso IV rei de Portugal.
O Rei Lavrador teve um reinado preenchido. Durou quarenta e seis anos, dos quais cerca de quarenta terão sido felizes, pois o soberano estava, desde o início, perfeitamente vocacionado para a sua tarefa, sentindo-se, por assim dizer, como peixe na água.
Os últimos anos foram, porém, marcados pela guerra civil contra o seu próprio herdeiro, o que muito o amargurou e tanto desgastou, que o conflito bem pode ter acelerado a sua morte.
Conforme sua vontade, D. Dinis foi sepultado no mosteiro de Odivelas, mandado construir por ele próprio.

O estado degradado em que se encontrava a sua sepultura, levou um grupo de cidadãos a criar uma página no Facebook, a fim de alertar quem de direito para a necessidade da sua recuperação.
A iniciativa foi um sucesso! O túmulo foi inteiramente restaurado, foi feita uma reconstituição do rosto de D. Dinis (contestada por muitos, sem razão, diria eu; explico aqui, porquê), e foram apurados vários elementos para estudo, entre os quais, a espada funerária.

No ano passado, o do 700º aniversário da sua morte, estavam, aliás, previstas várias iniciativas:
Não sei se todos este planos foram cumpridos. Se sim, não tiveram o impacto que calculava, pois não dei conta de nada. Interessava-me, sobretudo, o “livro monográfico/catálogo”. Será que existe? E, claro, a apresentação da espada, em todo o seu esplendor.
Enfim, muitos projectos se atrasam, no nosso país. Aguardemos, pois!

Pedro Barroso cantava ” a perninha da menina”
Cara Cristina Torrão…
Parabéns pelos seus textos sobre o Rei Dom Dinis.
Na minha vasta biblioteca, de mais de dez mil volumes,
possuo um desdobrável com resumos históricos de todos
os Reis e Presidentes de Portugal até ao Américo Tomás.
O interessante e muito raro desdobrável, também tem
resumos sobre os povos pré-históricos, históricos,
Condado Portucalense, uma “Galeria Nacional” com as mais
importantes portuguesas e os mais importantes portugueses
desde o Egas Moniz até ao António de Oliveira Salazar.
O desdobrável também tem um resumo intitulado
“Alguns monumentos nacionais”. Escrito e ilustrado nas duas
faces, tem as seguintes medidas: 35,2 cms. x 47,8 cms..
Em relação ao Rei Dom Dinis tem o seguinte texto:
“1279
D. Dinis
O LAVRADOR
Nasceu em Lisboa, em 1261, de D. Afonso III e D. Beatriz. —————————————- ——
Casou com D. Isabel (Rainha Santa), filha de Pedro III de Aragão
e foi sepultado em Odivelas.
—————————————-
Guerra civil contra o irmão D. Afonso que lhe disputava o trono,
apaziguada por D. Isabel.
Além da fundação e concessão de forais a numerosas povoações,
Portugal deve-lhe o início da sua organização interna, pelo impulso
que deu não só à agricultura, comércio e indústria, como ainda às
letras, que ele próprio cultivou como poeta.
Constituem prova eficiente os seguintes factos:
Sementeira dos pinhais de Leiria e Azambuja, criação de várias
herdades, abertura de canais tanto para irrigação como para enxugo
de paúis, fundação da Bolsa do Comércio do Porto, instituição de mais
feiras e mercados e a exploração de minas de ouro, prata e cobre.
Criação em Lisboa, com o nome de Estudos Gerais, da actual
Universidade de Coimbra; interdição do Latim nos documentos oficiais;
fundação da Ordem de Cristo em substituição da dos Templários
extinta pelo papa e a construção do Convento de Odivelas, onde jaz.”
(FACTOS MAIS NOTÁVEIS da História de Portugal, Jocôndio Salter,
Edição do Autor, Rua D. Sancho I, n.° 7 – 3.° Dto., Almada, 1960)
Nota – Trata-se do n.° 377 da minha biblioteca. Possuo um livro de grande
formato (22 cms. x 33 cms.), pautado, encadernado a cartão mosqueado
preto e cinzento, com a lombada protegida, assim como os cantos, com um
tecido cinzento, muito utilizado em encadernação, conhecido por “pele do
Diabo”, dos que se usavam antigamente no comércio. Foi comprado por 847$50 (oitocentos e quarenta e sete Escudos e cinquenta Centavos), na Papelaria da Moda, na Rua do Ouro (Rua Áurea), em Lisboa, Portugal,
na Sexta-Feira, 12 de Julho de 1991. Nessa mesma data, comecei a carimbar
os meus livros, brochuras, jornais, etc., com um carimbo rectangular com
BIBLIOTECA
VOLUME N.°
JOÃO LUÍS BARROS DA COSTA
O carimbo tem uma cercadura rectangular, com as seguintes medidas:
2,5 cms. x 4 cms..
Simboliza um bloco de pedra para construção (Alta Maçonaria) (Arte Real).
O último volume carimbado é um envelope grande (25 cms. x 35 cms.)
intitulado RECORTES DE JORNAIS – QUELUZ – 1 (é o N.° 5300).
Obrigado pelo seu contributo para a divulgação da História de Portugal.
Cumprimentos.
João Barros da Costa
Caro João Barros da Costa,
muito obrigada pela sua apreciação a estes meus textos e também pelas informações que deu. É interessante saber sobre esses livros, para mim desconhecidos, além de que aprecio a maneira como os trata e organiza a sua biblioteca.
Permita-me, porém, fazer alguns comentários sobre informações desactualizadas.
D. Isabel fez o possível por apaziguar as partes na guerra civil, mas entre D. Dinis e seu filho! Também houve desentendimentos entre o rei e o irmão, pois é verdade que este lhe disputava o trono. Mas, e apesar de alguns combates, tais desentendimentos estiveram longe de provocar uma guerra civil. D. Dinis, no fundo, sempre se esforçou por proteger o irmão, apesar de tudo. Não há notícias da intervenção de D. Isabel, nestes desaguizados. Parece mesmo que ela sentia uma profunda antipatia pelo cunhado. Ora, um sentimento deste tipo não era considerado pela nossa historiografia, até há algumas décadas, pois “manchava” a imagem de uma rainha que foi canonizada.
Não concordo com a frase: “Criação em Lisboa, com o nome de Estudos Gerais, da actual
Universidade de Coimbra”. A Universidade portuguesa (ou Estudo Geral) foi fundada em Lisboa! O facto de ter mudado várias vezes, entre Lisboa e Coimbra, durante cerca de dois séculos, não justifica, na minha opinião, que se diga algo tão confuso, como “criação em Lisboa da actual Universidade de Coimbra”.
Não é verdade que D. Dinis tenha proibido o Latim nos documentos oficiais! Ele autorizou que se usasse o Português, mas muitos documentos continuaram a ser redigidos em Latim. Aliás, ele legalizou uma prática que já vinha sendo utilizada antes de ele ser coroado. D. Dinis seguiu o exemplo de seu avô, D. Afonso X, que, algumas décadas antes, fizera o mesmo com o Castelhano.
Cumprimentos,
Cristina Torrão
Já agora, deixo aqui os “links” de acesso aos meus textos sobre o drama familiar entre o rei e seu filho, que significou uma verdadeira tragédia para o reino, ao provocar uma guerra civil:
https://delitodeopiniao.blogs.sapo.pt/u m-ano-com-d-dinis-3-17832356 m-ano-com-d-dinis-41-18349048 m-ano-com-d-dinis-58-18729029 m-ano-com-d-dinis-59-18729727 m-ano-com-d-dinis-65-18773971
https://delitodeopiniao.blogs.sapo.pt/u
https://delitodeopiniao.blogs.sapo.pt/u
https://delitodeopiniao.blogs.sapo.pt/u
https://delitodeopiniao.blogs.sapo.pt/u
E aqui o “post” sobre o irmão de D. Dinis: m-ano-com-d-dinis-2-17831858
https://delitodeopiniao.blogs.sapo.pt/u
Cara Cristina Torrão…
Obrigado pelos seus esclarecimentos.
O desdobrável que eu referi é um resumo
da História e Património de Portugal,
feito por um patriota e a suas expensas.
Cada exemplar custava 3$00. Tem o preço
impresso. É o n.° 1 da “COLECÇÃO ESCOLAR Psi”.
Dobrado, assemelha-se a uma pequena brochura
com as seguintes medidas: 12cms. x 18,3cms..
Na “capa”, tem impressa a seguinte frase:
“Dedicado a minha querida Pátria”.
Infelizmente, não tem a indicação da tiragem.
Mas tem o número de telefone do autor: 07 44 23.
Do autor Jocôndio Salter, não tenho mais nada
e desconheço se é obra única ou se publicou
mais alguma coisa.
Em relação à deslocação dos Estudos Gerais
de Lisboa para Coimbra, provavelmente
terá sido por falta de professores.
O Dom Dinis podia ter mantido os Estudos Gerais
em Lisboa e ter criado a Universidade de Coimbra.
Outro autor, José Carlos Amado, na sua “HISTÓRIA
DE PORTUGAL”, Primeiro Volume, Verbo Juvenil,
Editorial Verbo, Lisboa, Outubro de 1966, p. 30,
sobre o assunto:
“Também no sector intelectual se distinguiu
a acção do rei. Foi ele que fundou a Universidade
em Portugal, no ano de 1290. Criou-se ela primeiro
em Lisboa, mas foi transferida para Coimbra, em 1308.”
O autor refere ser Dom Dinis um Rei preocupado com
os seus súbditos e pretender dar-lhes um “nível
intelectual que era indispensável para que Portugal
tivesse um lugar respeitável entre as nações mais
adiantadas de então. E esse lugar não podia conseguir-se
sem Universidade.”
Cumprimentos.
João Barros da Costa
Sim, estas palavras parecem-me mais esclarecidas. A vontade de alimentar o mito de Coimbra como o primeiro berço da Universidade leva certos autores a manipularem as informações.
A primeira transferència foi em 1308, mas, já depois da morte de D. Dinis, a Universidade iria mudar várias vezes de sítio e só assentou definitivamente em Coimbra no século XVI. Durante alguns séculos, era única que existia, por isso, essa linda cidade se cristalizou como a nossa cidade académica por excelência.
Sim, D. Dinis criou o “Estudo Geral das Ciências de Lisboa” para que os portugueses não precisassem de ir estudar ao estrangeiro. Era, acima de tudo, um rei ciente da importância dos juristas como apoio político. Mas eu teria cuidado com a expressão de elevar o “nível intelectual dos seus súbditos”. Nessa época, os estudantes podiam contar-se quase pelos dedos. Embora adiantado em muita coisa, D. Dinis era também um homem do seu tempo e não lhe passava pela cabeça pôr toda a gente a ler e a escrever
Cara Cristina Torrão…
No Sábado, 22 de Novembro de 2025, estive a ver um documentário
interessante relacionado com o Rei Dom Dinis, a Ordem dos Templários,
a Ordem de Cristo e Dornes (Concelho de Ferreira do Zêzere), onde há
um hotel com decoração templária.
http://www.reinadodinis.com
“Portugal Fenomenal (Temporada 3 – Episódio 5) (R. T. P. 1)”
portugal.fenomena@rtp.pt
http://www.rtp.pt
http://www.rtpplay.pt
O Presidente da Câmara Municipal de Ferreira do Zêzere
é o Miguel Carvalho.
Na R. T. P. Memória tem dado uma série histórica portuguesa
intitulada “A Rainha e a Bastarda”, sobre a Rainha Isabel.
O saudoso Nicolau Breyner faz de Rei Dom Dinis.
P. S.: Obrigado pelos seus textos e respostas aos meus comentários.
Cumprimentos.
João Barros da Costa