Um ano com D. Dinis (69)


Cristina Torrão,

D. Dinis faleceu a 7 de Janeiro de 1325, com sessenta e três anos, sendo aclamado seu filho Afonso IV rei de Portugal.

O Rei Lavrador teve um reinado preenchido. Durou quarenta e seis anos, dos quais cerca de quarenta terão sido felizes, pois o soberano estava, desde o início, perfeitamente vocacionado para a sua tarefa, sentindo-se, por assim dizer, como peixe na água.

Os últimos anos foram, porém, marcados pela guerra civil contra o seu próprio herdeiro, o que muito o amargurou e tanto desgastou, que o conflito bem pode ter acelerado a sua morte.

Conforme sua vontade, D. Dinis foi sepultado no mosteiro de Odivelas, mandado construir por ele próprio.

Túmulo jacente.jpg

O estado degradado em que se encontrava a sua sepultura, levou um grupo de cidadãos a criar uma página no Facebook, a fim de alertar quem de direito para a necessidade da sua recuperação.

A iniciativa foi um sucesso! O túmulo foi inteiramente restaurado, foi feita uma reconstituição do rosto de D. Dinis (contestada por muitos, sem razão, diria eu; explico aqui, porquê), e foram apurados vários elementos para estudo, entre os quais, a espada funerária.

A descoberta desta espada foi mesmo uma sensação arqueológica mundial. Agitou a comunidade internacional, tanto de profissionais, como de entusiastas e amantes da época medieval. Trata-se de uma espada lindíssima, que, espero, esteja a ser restaurada (pelo menos, assim estava planeado) e dará informações preciosas sobre a arte e a estética medievais ibéricas.

Espada Funerária.jpg

No ano passado, o do 700º aniversário da sua morte, estavam, aliás, previstas várias iniciativas:

Está prevista uma “exposição itinerante dedicada à divulgação dos resultados do Projecto de Conservação e Restauro do Túmulo D. Dinis, a inaugurar a 18 de Abril”. Vai ainda haver um “Congresso Internacional, a decorrer dias 27 e 28 de Junho, no Mosteiro de Odivelas”, e vai ser lançado um “livro monográfico/catálogo que reunirá o conjunto de estudos interdisciplinares desenvolvidos”, com data prevista em Outubro.

Não sei se todos este planos foram cumpridos. Se sim, não tiveram o impacto que calculava, pois não dei conta de nada. Interessava-me, sobretudo, o “livro monográfico/catálogo”. Será que existe? E, claro, a apresentação da espada, em todo o seu esplendor.

Enfim, muitos projectos se atrasam, no nosso país. Aguardemos, pois!

7 comentários em “Um ano com D. Dinis (69)”

  1. Cara Cristina Torrão…

    Parabéns pelos seus textos sobre o Rei Dom Dinis.

    Na minha vasta biblioteca, de mais de dez mil volumes,
    possuo um desdobrável com resumos históricos de todos
    os Reis e Presidentes de Portugal até ao Américo Tomás.
    O interessante e muito raro desdobrável, também tem
    resumos sobre os povos pré-históricos, históricos,
    Condado Portucalense, uma “Galeria Nacional” com as mais
    importantes portuguesas e os mais importantes portugueses
    desde o Egas Moniz até ao António de Oliveira Salazar.
    O desdobrável também tem um resumo intitulado
    “Alguns monumentos nacionais”. Escrito e ilustrado nas duas
    faces, tem as seguintes medidas: 35,2 cms. x 47,8 cms..

    Em relação ao Rei Dom Dinis tem o seguinte texto:

    “1279
    D. Dinis
    O LAVRADOR

    Nasceu em Lisboa, em 1261, de D. Afonso III e D. Beatriz.
    Casou com D. Isabel (Rainha Santa), filha de Pedro III de Aragão
    e foi sepultado em Odivelas.
    —————————————-—————————————-——
    Guerra civil contra o irmão D. Afonso que lhe disputava o trono,
    apaziguada por D. Isabel.
    Além da fundação e concessão de forais a numerosas povoações,
    Portugal deve-lhe o início da sua organização interna, pelo impulso
    que deu não só à agricultura, comércio e indústria, como ainda às
    letras, que ele próprio cultivou como poeta.
    Constituem prova eficiente os seguintes factos:
    Sementeira dos pinhais de Leiria e Azambuja, criação de várias
    herdades, abertura de canais tanto para irrigação como para enxugo
    de paúis, fundação da Bolsa do Comércio do Porto, instituição de mais
    feiras e mercados e a exploração de minas de ouro, prata e cobre.
    Criação em Lisboa, com o nome de Estudos Gerais, da actual
    Universidade de Coimbra; interdição do Latim nos documentos oficiais;
    fundação da Ordem de Cristo em substituição da dos Templários
    extinta pelo papa e a construção do Convento de Odivelas, onde jaz.”
    (FACTOS MAIS NOTÁVEIS da História de Portugal, Jocôndio Salter,
    Edição do Autor, Rua D. Sancho I, n.° 7 – 3.° Dto., Almada, 1960)

    Nota – Trata-se do n.° 377 da minha biblioteca. Possuo um livro de grande
    formato (22 cms. x 33 cms.), pautado, encadernado a cartão mosqueado
    preto e cinzento, com a lombada protegida, assim como os cantos, com um
    tecido cinzento, muito utilizado em encadernação, conhecido por “pele do
    Diabo”, dos que se usavam antigamente no comércio. Foi comprado por 847$50 (oitocentos e quarenta e sete Escudos e cinquenta Centavos), na Papelaria da Moda, na Rua do Ouro (Rua Áurea), em Lisboa, Portugal,
    na Sexta-Feira, 12 de Julho de 1991. Nessa mesma data, comecei a carimbar
    os meus livros, brochuras, jornais, etc., com um carimbo rectangular com

    BIBLIOTECA
    VOLUME N.°
    JOÃO LUÍS BARROS DA COSTA

    O carimbo tem uma cercadura rectangular, com as seguintes medidas:
    2,5 cms. x 4 cms..
    Simboliza um bloco de pedra para construção (Alta Maçonaria) (Arte Real).
    O último volume carimbado é um envelope grande (25 cms. x 35 cms.)
    intitulado RECORTES DE JORNAIS – QUELUZ – 1 (é o N.° 5300).

    Obrigado pelo seu contributo para a divulgação da História de Portugal.

    Cumprimentos.

    João Barros da Costa

    1. Caro João Barros da Costa,

      muito obrigada pela sua apreciação a estes meus textos e também pelas informações que deu. É interessante saber sobre esses livros, para mim desconhecidos, além de que aprecio a maneira como os trata e organiza a sua biblioteca.

      Permita-me, porém, fazer alguns comentários sobre informações desactualizadas.

      D. Isabel fez o possível por apaziguar as partes na guerra civil, mas entre D. Dinis e seu filho! Também houve desentendimentos entre o rei e o irmão, pois é verdade que este lhe disputava o trono. Mas, e apesar de alguns combates, tais desentendimentos estiveram longe de provocar uma guerra civil. D. Dinis, no fundo, sempre se esforçou por proteger o irmão, apesar de tudo. Não há notícias da intervenção de D. Isabel, nestes desaguizados. Parece mesmo que ela sentia uma profunda antipatia pelo cunhado. Ora, um sentimento deste tipo não era considerado pela nossa historiografia, até há algumas décadas, pois “manchava” a imagem de uma rainha que foi canonizada.

      Não concordo com a frase: “Criação em Lisboa, com o nome de Estudos Gerais, da actual
      Universidade de Coimbra”. A Universidade portuguesa (ou Estudo Geral) foi fundada em Lisboa! O facto de ter mudado várias vezes, entre Lisboa e Coimbra, durante cerca de dois séculos, não justifica, na minha opinião, que se diga algo tão confuso, como “criação em Lisboa da actual Universidade de Coimbra”.

      Não é verdade que D. Dinis tenha proibido o Latim nos documentos oficiais! Ele autorizou que se usasse o Português, mas muitos documentos continuaram a ser redigidos em Latim. Aliás, ele legalizou uma prática que já vinha sendo utilizada antes de ele ser coroado. D. Dinis seguiu o exemplo de seu avô, D. Afonso X, que, algumas décadas antes, fizera o mesmo com o Castelhano.

      Cumprimentos,
      Cristina Torrão

    2. Já agora, deixo aqui os “links” de acesso aos meus textos sobre o drama familiar entre o rei e seu filho, que significou uma verdadeira tragédia para o reino, ao provocar uma guerra civil:

      https://delitodeopiniao.blogs.sapo.pt/um-ano-com-d-dinis-3-17832356
      https://delitodeopiniao.blogs.sapo.pt/um-ano-com-d-dinis-41-18349048
      https://delitodeopiniao.blogs.sapo.pt/um-ano-com-d-dinis-58-18729029
      https://delitodeopiniao.blogs.sapo.pt/um-ano-com-d-dinis-59-18729727
      https://delitodeopiniao.blogs.sapo.pt/um-ano-com-d-dinis-65-18773971

      E aqui o “post” sobre o irmão de D. Dinis:
      https://delitodeopiniao.blogs.sapo.pt/um-ano-com-d-dinis-2-17831858

      1. Cara Cristina Torrão…

        Obrigado pelos seus esclarecimentos.

        O desdobrável que eu referi é um resumo
        da História e Património de Portugal,
        feito por um patriota e a suas expensas.
        Cada exemplar custava 3$00. Tem o preço
        impresso. É o n.° 1 da “COLECÇÃO ESCOLAR Psi”.
        Dobrado, assemelha-se a uma pequena brochura
        com as seguintes medidas: 12cms. x 18,3cms..
        Na “capa”, tem impressa a seguinte frase:
        “Dedicado a minha querida Pátria”.
        Infelizmente, não tem a indicação da tiragem.
        Mas tem o número de telefone do autor: 07 44 23.

        Do autor Jocôndio Salter, não tenho mais nada
        e desconheço se é obra única ou se publicou
        mais alguma coisa.

        Em relação à deslocação dos Estudos Gerais
        de Lisboa para Coimbra, provavelmente
        terá sido por falta de professores.

        O Dom Dinis podia ter mantido os Estudos Gerais
        em Lisboa e ter criado a Universidade de Coimbra.

        Outro autor, José Carlos Amado, na sua “HISTÓRIA
        DE PORTUGAL”, Primeiro Volume, Verbo Juvenil,
        Editorial Verbo, Lisboa, Outubro de 1966, p. 30,
        sobre o assunto:
        “Também no sector intelectual se distinguiu
        a acção do rei. Foi ele que fundou a Universidade
        em Portugal, no ano de 1290. Criou-se ela primeiro
        em Lisboa, mas foi transferida para Coimbra, em 1308.”
        O autor refere ser Dom Dinis um Rei preocupado com
        os seus súbditos e pretender dar-lhes um “nível
        intelectual que era indispensável para que Portugal
        tivesse um lugar respeitável entre as nações mais
        adiantadas de então. E esse lugar não podia conseguir-se
        sem Universidade.”

        Cumprimentos.

        João Barros da Costa

        1. Sim, estas palavras parecem-me mais esclarecidas. A vontade de alimentar o mito de Coimbra como o primeiro berço da Universidade leva certos autores a manipularem as informações.

          A primeira transferència foi em 1308, mas, já depois da morte de D. Dinis, a Universidade iria mudar várias vezes de sítio e só assentou definitivamente em Coimbra no século XVI. Durante alguns séculos, era única que existia, por isso, essa linda cidade se cristalizou como a nossa cidade académica por excelência.

          Sim, D. Dinis criou o “Estudo Geral das Ciências de Lisboa” para que os portugueses não precisassem de ir estudar ao estrangeiro. Era, acima de tudo, um rei ciente da importância dos juristas como apoio político. Mas eu teria cuidado com a expressão de elevar o “nível intelectual dos seus súbditos”. Nessa época, os estudantes podiam contar-se quase pelos dedos. Embora adiantado em muita coisa, D. Dinis era também um homem do seu tempo e não lhe passava pela cabeça pôr toda a gente a ler e a escrever

          1. Cara Cristina Torrão…

            No Sábado, 22 de Novembro de 2025, estive a ver um documentário
            interessante relacionado com o Rei Dom Dinis, a Ordem dos Templários,
            a Ordem de Cristo e Dornes (Concelho de Ferreira do Zêzere), onde há
            um hotel com decoração templária.

            http://www.reinadodinis.com

            “Portugal Fenomenal (Temporada 3 – Episódio 5) (R. T. P. 1)”

            portugal.fenomena@rtp.pt

            http://www.rtp.pt

            http://www.rtpplay.pt

            O Presidente da Câmara Municipal de Ferreira do Zêzere
            é o Miguel Carvalho.

            Na R. T. P. Memória tem dado uma série histórica portuguesa
            intitulada “A Rainha e a Bastarda”, sobre a Rainha Isabel.
            O saudoso Nicolau Breyner faz de Rei Dom Dinis.

            P. S.: Obrigado pelos seus textos e respostas aos meus comentários.

            Cumprimentos.

            João Barros da Costa

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