Quando ocorreu o caso Carolina Michaelis, não faltaram vozes ministeriais a dizer que se tratava de um caso isolado. Muitos casos de agressão e indisciplina depois, um aluno apontou uma pistola a uma professora e voltaram a ouvir-se vozes apregoando que era mais um caso isolado.
Eu, habituado a frequentar escolas e a ver crianças com menos de 16 anos equipadas com facas, navalhas de ponta e mola e até armas, ficava perplexo. Cheguei a acreditar ser vítima de visões e que os casos que me foram relatados por vários professores eram fruto da sua imaginação prodigiosa.
Agora ficou a saber-se que, só em 2008, a PGR abriu 138 processos-crime relacionados com violência escolar.
Provavelmente, serão 138 casos isolados. Só assim se justifica que o ME se tenha remetido ao silêncio e tenha optado por não divulgar o relatório do observatório de segurança escolar, referente ao primeiro período deste ano lectivo.

Quer dizer: é uma quantidade de casos isolados! Tenho a certeza de que o ME “está a acompanhar o assunto”…
É um caso isolado repetido 138 vezes.Não percebo qual é a preocupação…
Verdade, verdadinha, a não ser que estejamos perante uma imensa conspiração de alunos, cada um dos casos é isolado.
Haja calma: se consideramos a quantidade de alunos que há a estudar no país, ou no mundo, 138 com certeza dá uma percentagem mínima. E depois ele só apontou com a pistola, não disparou nada.
Facas e navalhas? Então como haviam de cortar o queijo e o chouriço? Vem perigos onde não há.
Cada dia agradeço mais não me ter dedicado ao ensino.