Que os poderes instituídos etiquetam e criminalizam os grupos que os ameaçam é algo que em si mesmo não tem novidade. Mas organizar um debate acerca do percurso histórico das ideias anarquistas em Portugal, numa abordagem cruzada de algumas das tradições teóricas que se colocam sob essa etiqueta, isso é quase como meter as mãos, nuas, numa colmeia. E foi um pouco isso que aconteceu, sábado, na Casa da Achada, ao historiador Zé Neves, em mais uma discussão da UNIPOP, quando falou sobre o passado por vezes convergente de comunistas e anarquistas. A sala – cheia – agitou-se. Bocas. Dedos no ar. E as execuções estalinistas? E o esmagamento da insurreição macknovista? E o militante do PCP que durante a manifestação contra a NATO, em Novembro, na Avenida da Liberdade, apontou a dedo os elementos estranhos que não queria misturados com os do partido? Mexer na história pode exigir luvas e máscara de apicultor. Mais ainda quando as ideias libertárias parecem ocupar cada vez mais o espaço que o comunismo marxista perdeu – e deixou vazio. E têm muito boas condições para isso.
Um debate para apicultores
Fernando Sousa,

Pois têm, Fernando. Até por efeitos de contágio. Basta ver o que se passa na Grécia. Que, para o bem e para o mal, continua a servir de exemplo.