Por instantes o mundo, sepultado na rotina, pensou numa performance numa pobre língua de areia na praia de Biscayne, em Miami, da autoria de um génio, anónimo, em quem se poderia rever. Mas eram só as sobras de um projecto que não deu, de uma festa de arromba, e, por fim, de um desabafo sem ambições artísticas. Nenhuma inspiração súbita, nada de surrealista, nada de ruptura. Nicholas Harrington, 16 anos, já contou a história. O piano, incendiado durante os copos na garagem, e levado a banhos, já foi removido, a navegação não corre riscos, a arte também não, a paisagem foi reposta. A vida continua. Não há motivo para preocupações.


Quem ficou a ganhar foi o autor desta fotografia, que é uma beleza. Nada se perde completamente…
… Então pesquisa no segundo link – incêndios – e vê as outras… Espantosas!
Espantosas, de facto.
Mas o mais importante é que há algo a jusante da pequena aventura de Nicholas, algo que lhe escapou do cérebro e das mãos e acabou, não em arte mas na sensação dela, o que terá tocado nas pessoas. Enfim.
Exactamente. Por isso digo que nada se perde. Intencional ou não, foi um rasgo que correu o mundo.
O quê, alguém pensou que aquilo fosse uma “instalação”?
Sim, João, houve; quem usa os primeiros olhares sem ironia e quem anda com fome de coisas espertas…
É por essas coisas que eu adoro (com ironia) a dita “arte moderna”. Não há entre ela e a idiotice – ou a bededeira, vá – qualquer fronteira..!