
Para quem ainda não o fez, se calhar já era tempo de cortar aos pedacinhos aqueles cartões que tanto jeito dão a evitar pensar no presente. É que o futuro está negro, e, se o Estado passa relativamente bem sem comida nem tecto, nós os privados ainda temos necessidades básicas. Tão importante quanto um PEC e OE rectificativo é a nossa atitude, nas nossas economias privadas: cortar e poupar.

As patéticas declarações de hoje de Teixeira dos Santos, qual náufrago a pedir socorro, mais não visam do que escamotear a sua quota-parte de responsabilidade no regabofe socialista que nos conduziu à presente situação.
De acordo.
Mas:
Cortar onde?<7b>
1 – Nas meias que comprámos “em pacote” e que os filhos aceitam, porque já perceberam que a vida não está fácil?
2 – Nos bifes que deixámos de comprar no talho e passámos a adquirir em embalagens que dão um mentiroso desconto no cartão do hiper?
3 – Nas viagens de estudo da prole?
4 – Nos livros que queríamos que os nossos filhos lessem?
5 – Nos pneus de marca que davam segurança?
6 – Na internet que precisamos de ter em casa?
7 – Na TV que nos liga à informação e alguns filmes?
8 – No telemóvel que está sempre ligado e que serve para receber chamadas de serviço ou para acudir um familiar doente?
9 – No café? Nos cigarros? No jornal de sábado?
E, depois destes cortes, o que vem?
A poupança nas palavras e nos gestos, porque já pouco nos resta para sobreviver com alguma dignidade.
Rasgar – ou cortar – um cartão de crédito é coisa inacessível a muitas pessoas.
(@AMC – faço este desabafo num dia em que, pessoa amiga, com emprego remunerado pelo Estado, me veio lamentar a sua fome, para que os seus filhos não a sofram)
acredite que sei que é difícil. também já ouvi falar de muitas despensas vazias, ou com latas de salsichas, porque as prestações do carro+playstation+cancun+roupa de marca não deixam margem para mais nada. a dada altura, não há mesmo onde cortar. e fico triste com isto tudo.
@amc – soluções?
Comprar uma caixa de robalos e oferecer a quem está habituado a comer linguado au meunier. Pode ser que a retribuição seja vantajosa.
Quando as linhas cruzadas faziam soar no telefone lá de casa gente a perguntar se era do Liceu Filipa, a minha sempre respondia: – “Não. Aqui é duma casa particular.”
Agora diz-me que somos privados?
Talvez faça sentido.
Cumpts.