Um dia de notícias graves


Ana Margarida Craveiro,

 

Para quem ainda não o fez, se calhar já era tempo de cortar aos pedacinhos aqueles cartões que tanto jeito dão a evitar pensar no presente. É que o futuro está negro, e, se o Estado passa relativamente bem sem comida nem tecto, nós os privados ainda temos necessidades básicas. Tão importante quanto um PEC e OE rectificativo é a nossa atitude, nas nossas economias privadas: cortar e poupar.

5 comentários em “Um dia de notícias graves”

  1. As patéticas declarações de hoje de Teixeira dos Santos, qual náufrago a pedir socorro, mais não visam do que escamotear a sua quota-parte de responsabilidade no regabofe socialista que nos conduziu à presente situação.

  2. De acordo.
    Mas:
    Cortar onde?<7b>
    1 – Nas meias que comprámos “em pacote” e que os filhos aceitam, porque já perceberam que a vida não está fácil?
    2 – Nos bifes que deixámos de comprar no talho e passámos a adquirir em embalagens que dão um mentiroso desconto no cartão do hiper?
    3 – Nas viagens de estudo da prole?
    4 – Nos livros que queríamos que os nossos filhos lessem?
    5 – Nos pneus de marca que davam segurança?
    6 – Na internet que precisamos de ter em casa?
    7 – Na TV que nos liga à informação e alguns filmes?
    8 – No telemóvel que está sempre ligado e que serve para receber chamadas de serviço ou para acudir um familiar doente?
    9 – No café? Nos cigarros? No jornal de sábado?

    E, depois destes cortes, o que vem?

    A poupança nas palavras e nos gestos, porque já pouco nos resta para sobreviver com alguma dignidade.

    Rasgar – ou cortar – um cartão de crédito é coisa inacessível a muitas pessoas.

    (@AMC – faço este desabafo num dia em que, pessoa amiga, com emprego remunerado pelo Estado, me veio lamentar a sua fome, para que os seus filhos não a sofram)

    1. acredite que sei que é difícil. também já ouvi falar de muitas despensas vazias, ou com latas de salsichas, porque as prestações do carro+playstation+cancun+roupa de marca não deixam margem para mais nada. a dada altura, não há mesmo onde cortar. e fico triste com isto tudo.

  3. Quando as linhas cruzadas faziam soar no telefone lá de casa gente a perguntar se era do Liceu Filipa, a minha sempre respondia: – “Não. Aqui é duma casa particular.”
    Agora diz-me que somos privados?
    Talvez faça sentido.
    Cumpts.

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