Um momento de clarificação


Paulo Sousa,

ComissaoEuropeia_Ucrania.jpg

A União Europeia, do alto do seu incrível currículo de mais de sete décadas de paz, é frequentemente acusada de representar uma sociedade pós-bélica, o que, para os seus críticos, é uma fragilidade. As opiniões públicas dos seus diversos países, que já nasceram e cresceram em paz, perante tão óbvias vantagens na colaboração e na partilha, não aceitam sacrificar vidas humanas para acertar contas com a história ou pela vã glória de mandar.

Se o ataque da Rússia de Putin à Ucrânia serviu para alguma coisa, foi para unir a Europa na condenação de tal acto. Ao contrário do que aconteceu na ocupação da Crimeia e de parte do Donbass, desta vez a UE passou a linha das declarações vagas, gelatinosas e inconsequentes. Pela primeira vez na sua história, as instituições europeias decidiram gastar parte dos seus milhões na compra de armas, e até a sempre neutral Suíça irá acatar integralmente as sanções europeias contra a oligarquia russa.

Estes últimos dias serviram também para que esta sociedade pós-bélica, de que felizmente fazemos parte, entenda que a liberdade tem um custo – como os americanos dizem Freedom it’s not for free – , e que a diplomacia sem pelo menos um pau, não tem força. Mesmo os mais lunáticos finalmente entenderam que pertencer à NATO não é um capricho.

Descobrimos (muitos já o sabíamos) que os fofinhos partidos anti-sistema que adoram as luzes da ribalta e de proclamar soundbytes sonantes, que insistem em negar os crimes soviéticos, que privam a apoiam ditadores sanguinários, são uma quinta coluna apostada em enfraquecer as instituições e os valores que partilhamos.

Os recentes crimes de Putin e do seu círculo próximo, mostraram-nos também por que é que temem uma democracia à porta de casa. Se a vizinha Ucrânia se tornar próspera e funcional, e for capaz de proporcionar uma vida digna aos seus habitantes, os russos irão querer algo idêntico.

Essa é também a força de uma democracia razoavelmente decente. Nunca nenhum povo aceitaria ficar isolado do mundo para, à força da bomba e deixando um rasto de sangue, defender algo como o que Putin defende. É por isso que os déspotas não gostam da ordem liberal, e dos contra-pesos da democracia. E é exactamente por isso que esta deve ser defendida.

É também por isso que a geringonça que nos governou não deixou de ser uma aliança com o diabo, personalizado pelos partidos que nestas horas mostram aquilo que realmente são e o que verdadeiramente defendem.

Pena é que também, e mais uma vez, a ONU não consiga estar à altura dos acontecimentos. Se o seu secretário-geral quisesse honrar o propósito da Organização que lidera, deveria deslocar-se à Ucrânia, visitar as vítimas da guerra e participar nas conversões entre as partes beligerantes. Mas no que toca a gestos simbólicos, ele prefere ir lavar os pés a uma praia tropical.

5 comentários em “Um momento de clarificação”

  1. Boa noite, Paulo Sousa
    […]
    “De tempos a tempos,
    Malditos tempos,
    A gente simples é levada a acreditar
    Que estas são explosões únicas de pessoas loucas.

    De tempos a tempos,
    Malditos tempos,
    Os poderosos convencem os simples que “esta”
    Não é mais uma conta no rosário da Exploração”.
    Zé Onofre

  2. O secretário-geral da ONU deslocar-se à Ucrânia?
    Para isso é preciso coragem, coisa que o dito não tem.
    Costuma-se dizer, somos o que somos.

  3. O Pedro Correia delira.
    ‘Se a vizinha Ucrânia se tornar próspera e funcional, e for capaz de proporcionar uma vida digna aos seus habitantes, os russos irão querer algo idêntico’.
    Melhor que isto só macacadas no zoo.
    O Pedro Correia é mais perigoso que o Putin. Nem pensa em quem lê isto já poderia ter estado na Rússia várias vezes, p.ex. a assistir ao Mundial de Futebol e conheça o modo de vida de Moscovo.
    O Pedro Correia é um perigo para o regime democrático, nem a pide, o kgb ou a satsi se lembrariam destas confusões, lavagens ao cérebro e passagem de atestados de estupidez.
    O Pedro Correia quer ser o novo silva pais, pouco falta para estar a pedir a prisão de todos os atletas que perderam competições desportivas com os russos.
    O Pedro Correia é muito perigoso, até parece estar pronto para atacar kiev

    1. Pedro,
      Depois de tanto me rir com este anónimo, com tanta pontaria como os adolescentes russos que conduzem os blindados de Putin, tive de aprovar o comentário.
      Ao anónimo recomendo creme gordo três a quatro vezes ao dia, e se já tiver fissuras, lave primeiro com betadine espuma. Nasdrovie.

      1. Paulo, esse asnónimo deve ser o antigo deputado Miguel Tiago, já com os fusíveis queimados de tanto ouvir trash metal em altos berros entre genuflexões ao genocida de Moscovo.

Deixe um comentário

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *