Um país sem tomates


J.M. Coutinho Ribeiro,

Ando com a sensação de que a única coisa estável, duradoura e verdadeiramente importante que estes mais de 30 anos de democracia geraram foi uma associação criminosa, imensa e ramificada, que atravessa os principais partidos políticos e que assenta no Estado em conluio com os privados. Passa pelos gabinetes dos governos, pelos demais órgãos de soberania, pelos órgãos desconcentrados da administração pública, pelas empresas públicas, pelas autarquias locais. Bastaria para que ficássemos consternados. Dir-se-á que não é um exclusivo português. Não, não é. O que é exclusivo português é a falta de pudor com que tudo se faz e, mais ainda, a impunidade que se lhe segue. E, também, a forma como todos vamos encolhendo os ombros a cada notícia sobre corrupção. Concluindo: Portugal é um país sem tomates.

 

 

20 comentários em “Um país sem tomates”

        1. Uau! Quanto charme nessa alma invicta… mas está visto que o teu probema está mesmo nos olhos. Ao jantar irei eu, meu amigo. É o que se pode arranjar… se fores esquece-te outra vez dos os óculos, ok?

          1. Nãaaa . O que disse aqui, disse-o no último jantar. Numa noite em que estava demolido, embora tenha disfarçado, tanto quanto pude. A história dessa noite dava um filme. Ou um post , no mínimo. Não tanto pelo jantar, mas pela viagem entre o cá e lá e o lá e o cá. E pelo desassossego . E pela vertigem da velocidade. Mas não era de associação criminosa que falavamos ?

            1. Pois era. Mas não te sabia um Fangio! Fico à espera do post ou do filme, como queiras. Agora espicaçaste-me a curiosidade…

            2. Não sou um Fangio, Ana, apenas um tipo que guia rápido. E que, ainda por cima, é capaz de, a mais de 200, enviar sms, num voo rasante na A1. Acho que a Leonor – que me lia por outros sítios – percebeu, vagamente, nesse noite, quando falámos de tantas coisas Não te expllicarei por aqui a dureza dos caminhos. Mas haverá outros aqui.

      1. Antes dos 30 anos de democracia já havia corrupção, toda ela concentrada no mesmo partido, é certo, mas o cenário não era diferente.

  1. Permito-me discordar, meu caro. Pode parecer um contra-senso mas o país continua a ter tomates. Alguns portugueses é que os foram perdendo, outros viram-nos definhar e os poucos que ainda os têm protegem-nos para os tempos que aí virão.

    Fico satisfeito por saber das melhoras e que tudo está a voltar à normalidade.

    Um abraço,

  2. Não seja tão pessimista. Exclusivo nosso a falta de pudir com que tudo se faz? Olhe que não… olhe que não… se olhar para Itália, fica parvo!
    E só para dar um imediato exemplo europeu!

  3. A corrupção ocultada
    entre teias espinhosas,
    qual certeza enquistada
    de práticas manhosas!

    Da carência de tomateiros
    e da respectiva produção
    surgem negócios sucateiros
    envolvidos em corrupção.

    Um universo de roubalheira
    feito de concursos viciados,
    é o resultado da bandalheira
    de tantos valores depreciados.

    É um bando de intocáveis
    de tentáculos enegrecidos,
    com posturas estucáveis
    por materiais apodrecidos.

Deixe um comentário

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *