Apesar de ontem ter escrito sobre a caça ao Cavaco, confesso que não sou grande especialista na arte venatória. E que estava longe de imaginar que os tiros eram dados com o gatilho aristocrático de um par de Purdeys. Por isso, transcrevo na íntegra, com a devida vénia, um texto do Miguel Abrantes (que disto sabe bastante mais do que eu) publicado na Arrecadação Corporativa em Dezembro de 2008. A palavra ao especialista:
Pois é, de Manuel Alegre seria de esperar tudo — menos isto. Cantar Che Guevara em poesia, desancar o PS, caçar perdizes ou coelhos em ambiente bucólico, declamar com voz grave Os Lusíadas, etc., etc., etc., é habitual e ninguém se surpreende. Mas, no meio de tudo isto, Manuel Alegre ainda ter tempo para nos alertar para os perigos de salvar bancos, quando por “um par de Purdeys” (as Roll-Royce das espingardas) andou a cantar loas ao banco de João Rendeiro, mostra um amor desmesurado pela caça — e uma profunda convicção de que em política não há memória.
Adenda às 16.28: a cave corporativa acaba de publicar a nova posição abrantina sobre o mesmo assunto. O autor é o mesmo.


Caro Rui,
Para que conste, MA, por mote próprio, mandou imediatamente (2006-2007?) (não esperou por qualquer campanha eleitoral…) retirar o texto em causa e repôs a quantia de 1500€ que lhe haviam oferecido pelo texto.
Há provas da devolução do dinheiro e da carta em que exigiu a retirada do texto (e que foi imediatamente aceite e cumprida) pelo banco em causa.
Convém verificar as “notícias” antes de as divulgar…
Aliás, certas “fontes corporativas” devem logo deixar-nos de “pé atrás” com o que transpiram (e suor, meu caro, não cheira bem, tenha ou não pedigree quem o “exala”…)
Cuidado com as cascas de banana…
Estou atento, AS. E não fiz juízos de valor. Esses já os manifestei ontem. Divulguei, ipsis verbis, como documento de interesse histórico. E esse parece-me manifesto.
Mote?
Pelos vistos, era poesia obrigada a isso 🙂
Se é como diz – e acredito – por que trazer um “não assunto”?
MA retirou o texto e devolveu a quantia que lhe pagaram…nos idos de 2006 e 2007…sem a “pressão” de qualquer eleição ou campanha à vista.
Será que às “Corporações” interessa mais CS como PR do que MA?
Acho que sim… para que tudo possa continuar na mesma!
Não contem comigo!
AS, o texto do corporações é de 2008. Sendo aquele um blog que congrega gente com reconhecidos e inegáveis méritos, não creio que adivinhasse, à época, os acontecimentos de 2011. Acho que o interesse é esse mesmo. É um documento de época. E a mim atrai-me muito o conhecimento sobre outras épocas e costumes.
Se gosta de documentos de época, mais uma razão para ter acrescentado que, mesmo à època, já MA tinha devolvido o que a sua consciência lhe ditou não ser adequado ou correcto.
Ao contrário de outros…a quem receber de um banco pré-falido um lucro maior do que o da D. Branca não mereceu qualquer rebuço ou dúvida de consciência…
Fico por aqui.
A opinião é sua, AS. Tanto como o critério editorial é meu. Não sendo esse o intuito do post, o seu comentário leva-me aos seguintes pontos: não sei se Manuel Alegre devolveu o dinheiro e escreveu a carta por imperativo moral ou por outro imperativo qualquer. Não reconheço a uns o exclusivo da moralidade e a outros o exclusivo da sua falta. A AS também não, pelo que tenho lido. Afirmou ainda ontem que o carácter de um candidato a Presidente deve ser escrutinado. E o dos seus filhos e genros. A AS defende que um inocente Manuel Alegre caiu num logro e logo que se apercebeu voltou atrás por imperativo de consciência. Eu não faço ideia. Terá sido por isso ou por outro qualquer tipo de pressão? Sei lá! Sei que quem exige esclarecimentos dos outros, deve esclarecer. Sei que aplicando a Manuel Alegre a exigência que coloca aos outros, devia divulgar o contrato que deu origem à publicação do texto. Sei que não vi Manuel Alegre publicar no jornal qualquer esclarecimento sobre o âmbito da sua intervenção na campanha de publicidade. Foi vítima de um abuso? Devia ter promovido o esclarecimento público dos que associaram o nome impoluto de MA a uma marca bancária. É ingénuo? Onde é que isso nos deixa quando se candidadta ao mais alto cargo da nação? E fiquei a saber também que Manuel Alegre considera o salário de deputado uma pelintrice, o que, dito por outras bocas, faria cair o Carmo e a Trindade. Vindo de MA, torna-se um devaneio poético… E termino dizendo o que disse ontem: gostaria muito que se discutissem os verdadeiros problemas de um país que se está a afundar. Não pactuo é com moralidades dúplices que ponham os poetas de esquerda de um lado e os outros naquela parte. Discutam tudo, sobre todos, em pé de igualdade. E concentrem-se nos problemas do país.
Rui,
Meu último comentário e que faz a diferença:
MA devolveu o dinheiro…
Devolver é um acto exterior. Nada diz sobre a origem moral da decisão tomada. Sobre isso, falaria um contrato que desse corpo à relação de troca texto/dinheiro. Ou troca de correspondência/documentos. Ou será que MA escreve textos a troco de dinheiro sem assegurar um mínimo de suporte documental? Sem saber para quem? Para que finalidade? Um naif. E Alegre.
Aparecerá, porque existe….e pode ser mostrado…
Ao contrário de outros…porque dariam lugar a responsabilidade criminal, mais que não seja por “insider-trading”
Aguardo. Até lá, mantenho-me sem pré-juízos relativamente a qualquer uma das partes. Para prejuízos bem bastam os do país. E acrescento: se o que está em causa é responsabilidade criminal, ou outro tipo de dano para o país, é lamentável que se tenha esperado por 2011 para suscitar o tema.
Quando uma campanha eleitoral se centra em pseudos-julgamentos de carácter, o tiro faz logo ricochete – seja ou não disparado por uma Purdey. Quem perde é a política: os eleitores, já pouco motivados para acorrer às urnas, debandam ainda mais. Assim sucedeu a Manuela Ferreira Leite na sua disparatada campanha legislativa de 2009, centrada não em temas políticos mas no carácter do seu principal adversário.
Sobre isto mesmo, conto deixar aqui um texto mais logo. Também como contributo para o debate.
Tens toda a razão, Pedro. Como já ontem sublinhaste. Premonitoriamente.
O candidato poeta (pseudo “doutor” de Coimbra) fez publicidade a um banco (o BPP – Banco Privado Português, esse outro bom exemplo de transparência do nosso sistema bancário), e não sabia para quem estava a escrever (um texto literário)? Afinal de contas, que exemplo é que ele dá? Que confiança é que ele merece ao ter publicitado o BPP? Ai, os telhados de vidro…
Gonçalo,
Ainda bem que apareceu…!
Estava a ficar com sérias dúvidas sobre as verdadeiras intenções do Rui nesta “nossa conversa a dois”…!
O comentário do Pedro Correia ali mais acima é a melhor síntese, Gonçalo.
Sem dúvida, Rui.
Eis o exemplo de um post canalha.
Já agora aproveito e faço um comentário canalha.
Quando o primeiro ministro Cavaco Silva resolveu indeferir uma pensão a Salgueiro Maia e aprovou uma pensão a dois ex Pides, estava a pagar um favor a dois
ex companheiros bufos como ele?
Sim porque ao preencher a ficha pessoal para a Pide não se limitou a preencher o formulário, achou por bem por uma adenda a respeito da sua sogra.
Num acto de pura bufaria.
Como prova de honestidade e integridade estamos conversados.
O argumento ad postem qualifica quem o profere. E o caro ratazana já definiu o seu comentário. Que mais posso dizer…
Para uma canalhice só outra canalhice.
Moral da história
Estava aqui à espera que voltasses, ratazana. Vou dar-te um exemplo de canalhice para poderes ir lá comentar: 8.html
http://jojoratazana.blogs.sapo.pt/20925
E ainda te digo mais uma de graça. Não prolongo discussões com idiotas. Estes gostam de nos arrastar para o campo deles, porque só aí nos podem derrotar. E eu para a tua toca não vou.
Anda. Agora vai lá. Vais ver que vais gostar de comer queijo a chafurdar na lama. Depois disto que está no link, de moral não falas mais comigo. Fim de conversa.
Muito bem, Rui. Esta personagem, com um nome muito apropriado, não tem cabimento aqui. Uma coisa é o debate, a troca de ideias, a discussão até acalorada, outra é a injúria gratuita e rasteira. Estão em esferas opostas.
Caro Rui,
Não quer agora – cerca das 16h e 20m – consultar as suas “fontes corporativas” e ver o esclarecimento de MA sobre o “par de Prudeys”?
Eles publicaram.
Já tinha visto, AS. Penso que perceberá agora o interesse de transcrever um documento de época.
Caro Rui,
Claro que sim.
Ai.. ai… Cavaco…!
Não tenho a certeza que me tenha percebido, AS. O que digo é que em 2008, já MA tinha dito o mesmo que disse hoje. E os corporativos não se eximiram de publicar o post em questão. Nem quiseram saber de explicações. Hoje, perante a mesma explicação, já está tudo bem. É este tipo de contorcionismo que é intolerável. E que acaba por acabar com a pouca credibilidade que tudo isto ainda possa ter. E repito que não me move qualquer apreço por Cavaco. Que me provoca urticária. E que tem muitas decisões políticas que deviam ser discutidas. Como ontem afirmei.
Ao longo das várias horas que este post de Rui Rocha foi estando no blog;
dos seus ziguezagues a que formos assistindo a propósito dos comentários e das suas respostas (com destaque especial para aquela em que diz aguardar pelas explicações e “provas” de MA);
e da “notícia” dos esclarecimentos de MA divulgados, entre outros meios de comunicação, no blog que divulgou a “original” insinuação;
foi preciso vir uma comentarista do DO anunciar ao Rui Rocha que o assunto estava completamente esclarecido e, como ela refere, era um “não assunto”.
Rui Rocha comentou que já sabia… mas não “delitou” opinião.
Caso para dizer ao Rui Rocha que este seu “tiro” saiu completamente ao lado!
Ainda assim teve utilidade: por “comparação”, Cavaco está cada vez mais atascado na lama.
Et pour cause…
Registo a sua particular noção de ziguzague anónimo. E que o facto de um post de 2008, já depois de todas as explicações de MA dizer uma coisa e outro de hoje dizer o seu contrário (com o mesmo autor) lhe parecer uma coerência extraordinária. Mantenho tudo o que disse, ontem e hoje. E sublinho que não reconheço a Alegre nenhuma superioridade moral. Acho que não explicou nada, como já respondi mais acima. Acho que a campanha de pseudo carácter prejudica todos, principalmente o país. Aqui não se apagam opiniões. Quando elas se alteram, em face de factos, assume-se. Não é o caso. Aconse-lho-o a regressar à cave corporativa para assessorar a escrita de mais posts coerentes.
*aconselho-o.
Para além da situação vergonhosa em que se colocou, o pior para o poeta é mesmo o texto!!! Vejam a transcrição total do texto que fiz: http://ecotretas.blogspot.com/2011/01/pu rdeys-da-treta.html
Ecotretas
Tudo isto é muito triste, Ecotretas.
A estrutura mental de um traidor à Pátria tinha de se manifestar! O senhor que investe o dinheiro em armas de caça importadas,em privado, defende em público o emprego e a industria nacional. Por menos dinheiro e em todos os aspectos om a mesma qualidade, teria comprado um par de JLagoas-Tavira, fabricante português que luta pela sobrevivência no mercado, não obstante a qualidade dos produtos que fabrica, paga impostos que por sua vez são gastos pelo Sr. Manuel Alegre a comprar Purdeys.
José Morais
José, não entrarei na avaliação de carácter de Manuel Alegre porque não o conheço. Acho, todavia, que a actuação política de MA pode e deve ser objecto de crítica. Dou-lhe como exemplo o que ainda hoje escrevi aqui 63107.html
http://delitodeopiniao.blogs.sapo.pt/25