Um verdadeiro nojo


Patrícia Reis,

No país modernaço dos powerpoints governamentais, das Novas Oportunidades, do ‘choque tecnológico’, do simplex e do magalhães a pataco, acontecem coisas destas em organismos públicos – no caso, o Hospital de Santa Maria e o Instituto de Medicina Legal. Uma indignidade que devia envergonhar qualquer português: uma adolescente violada viu, à insuportável violência de que foi alvo, somar-se o enxovalho de aguardar horas a fio que os especialistas cumprissem um horário qualquer da função pública, sem poder sequer deslocar-se ao WC.

(I)moral da história: neste país as violações só podem ocorrer das 9 às 17, sob pena de se aguardar uma noite inteira por um perito – e nem pensar que sucedam no mês de Agosto. Um verdadeiro nojo.

12 comentários em “Um verdadeiro nojo”

  1. Um nojo completo. Desde que ouvi a notícia que não consigo pensar noutra coisa. Nem consigo imaginar pelo que a garota passou, depois de ser violada ter de esperar doze horas, porque o IML só funciona em horário de funcionário público. São os cortes na função pública. As pessoas que vão para o diabo.

  2. É, Pedro, infelizmente é isso mesmo.
    Pior ainda vai ser quando chegar o dia do julgamento do suspeito, daqui a 2 ou 3 anos, a ofendida tiver que repetir a história, os pormenores , depois, as testemunhas, a começar pelo pessoal que era suposto ter memória, disserem que já não se lembram, que não estão a ver o caso, que já passaram muitos anos e o juiz, impaciente, perguntar ao advogado se quer mais alguma coisa da testemunha porque ela já disse que não se lembra.
    Enquanto não se tratar da limpeza – dos corpos, das mentes e das almas – não vale a pena comprar mobília nova e colocar enfeites.
    O problema passa de governo para governo mas a culpa é nossa, de todos nós. Não vale a pena culpar o sistema.

  3. Pedro:

    Tens toda a razão É UM NOJO.
    É revoltante ouvirmos todos os dias, da boca dos propagandistas do regime, que Portugal é um país moderno e virado para o seculo XXI, pois é depois acontecem coisas destas tipicas de país do 3º mundo.
    Triste e revoltante mas rápidamente será esquecido vai uma aposta.

    1. Quantos casos semelhantes já sucederam nos últimos dez anos?
      Que medidas deveriam ser tomadas a nível de País e com que custos / redundância?
      Porque se encerram escolas, maternidades, urgências onde os custos não justificavam as ineficácias?
      Morrer no corredor da urgência de um hospital por esperar quatro horas pelo atendimento… é (quase) pior que aguardar 12 horas pela recolha em causa.

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