“Os medicamentos são para melhorar a saúde das pessoas, não são para gerar lucros às empresas”- garantia à revista “Time” o fundador dos laboratórios Merck… em 1952!
Hoje, ninguém faria uma afirmação semelhante, sob pena de se cobrir de ridículo. Basta recordar o episódio do Tamiflú, para se perceber que, actualmente, o único objectivo da indústria farmacêutica é o lucro.
Resumo o caso em breves palavras. Após o aparecimento da “gripe das aves”, as vendas daquele medicamento aumentaram 260%, esgotando a capacidade de produção por parte da Roche. A empresa, no entanto, recusou ceder a patente do produto até Outubro de 2005, quando foi ameaçada com a perda do direito de exclusividade nos Estados Unidos. Aceitou, então, vender sub licenças a laboratórios americanos, cedendo ao poderoso lobby farmacêutico do Congresso americano (metade dos seus membros são lobbistas profissionais pagos pelo Pharma, uma concorrente de peso…).
Não é, porém, apenas devido ao negócio das patentes, que a indústria farmacêutica está sob fogo. As suas relações com o marketing e a publicidade são igualmente alvo de várias suspeitas.
Em Agosto de 2007 a Consumers International (CI) – a maior organização de consumidores a nível mundial – revelou os resultados de um estudo sobre as práticas publicitárias das 20 maiores empresas farmacêuticas do mundo (entre as quais se encontram nomes conhecidos como a Roche, Pfizer, Abbott, Bayer ou Johnson & Johnson)
O estudo acusa as empresas farmacêuticas de “explorarem algumas condições do estilo de vida actual, como o stress e os distúrbios alimentares”, para aumentarem os seus lucros, ou de gastar em publicidade o dobro do dinheiro que aplicam na investigação.
Lembrei-me disto a propósito do anúncio, feito hoje, de que a Pfizer comprou a Wyeth – a sua mais poderosa concorrente e rival – tornando-se no maior grupo farmacêutico mundial, no mesmo dia em que anunciava elevadas perdas (devido à concorrência dos genéricos) e o despedimento de 15 mil trabalhadores.
A compra permitirá à Pfizer acesso a novos fármacos e segmentos de negócio.
Fiquei preocupado mas, provavelmente, é por ser pessimista…

hoje foram 70 000 que ficaram sem emprego!