O que é que o leva a partir do pressuposto — a meu ver sem qualquer sustentação — que Luís Marques Mendes, por exemplo, não asseguraria a [1] coerência das ideias, ou que [2] não estaria disposto a seguir a sua agenda? Em que é que se sustenta para entender que há mais coerência de ideias e fidelidade de agenda entre Ferreira Leite e Rangel do que entre Manuela Ferreira Leite e Luís Marques Mendes?
Até podemos colocar a questão de outra maneira: o que é que o leva a pensar que Marques Mendes estaria interessado em sabotar — ainda que indirectamente — a liderança de Ferreira Leite em detrimento da maximização do seu resultado eleitoral nas europeias?
Eu aceito o argumento da confiança e da fidelidade — aqui enquanto sinónimos — para a escolha de uma equipa. Já me parece que esses critérios não têm qualquer sentido na elaboração de listas de candidatos a actos eleitorais.
P.S. — Note que nem quis discutir a questão da coerência de ideias, manifestamente uma preocupação que não existiu quando Ferreira Leite escolheu os seus vice-presidentes.

Ao chamar a atenção para “a quantidade de ‘caciques’ que existem dentro do PSD”, João Moreira Pinto, sem querer, sugere que a liderança de MFL é fraca. Goste-se ou não dele, ninguém diria o mesmo da liderança de Sócrates no PS.
Caro Pedro Correia,
A comparação que faz entre MFL e Sócrates não me parece correcta. A história dos líderes de oposição em Portugal é feita destas lutas internas. E então da historia do PSD nem se fala…
Enquanto quando um partido está no poder, tudo é controlado, e as bolsas de oposição são completamente silenciadas pelo “cheiro do poder”. A excepção terá sido mesmo Santana Lopes, que nunca conseguiu controlar o partido..
Só em teoria, Nuno Gouveia. O PS não oposição interna? No entanto, a oposição interna do PS tem-se fartado de dar primeiras páginas e aberturas de telejornais…
Nem tanto, caro Nuno. Sucedeu o mesmo com Balsemão, Nogueira e Barroso, embora em proporções diferentes. Por isso todos eles são hoje considerados ‘líderes fracos’ do PSD em contraponto com Sá Carneiro e Cavaco Silva. O poder não é condição bastante para congregar os militantes em torno de uma liderança partidária.
Quem ia bem para Bruxelas, e durante muitos e bons, era o Menezes.
Caro Paulo Gorjão,
Curiosamente, na resposta que ensaiei há dias a essa sua questão, linkei a um texto seu no Vox Pop sobre a desdita fortuna de um Partido em que Passos Coelho era liberal em Abril e passou a estar à esquerda de MFL em Março. Algumas pessoas que leram essa minha visão, como o Manuel Meirinho, da família política do PSD, concordoram com o essencial da tese: conservadores e liberais até podem ser compatíveis sobre um mesmo tecto, mas desde Sá Carneiro que a corrente liberal do PSD não se entende com a corrente social democrata: estas duas, sim incompatíveis. O post é extenso em factos históricos, e por isso não me resta senão deixar o link. O seu comentário, aqui ou lá, é sempre bem vindo, pela mais valia que representa. 4/sociais-democratas-liberais-o-psd.html
Os Nogueirismos, Barrosismos e outras coisas são a meu ver simplesmente o emergir das clivagens de base em novos tempos. E por isso a minha pergunta final é se o melhor que poderia suceder à Direita e ao PSD não era precisamente essa cisão, entre liberais e sociais democratas (estes últimos objectivamente integráveis no PS) clarificando de uma vez por todas o espaço político português 35 anos após a revolução.
O link,
http://ovalordasideias.blogspot.com/2009/0
Melhores cumprimentos,
Carlos Santos