Estive a ouvir, com toda a atenção que o meu sono me permitiu, a entrevista do ministro da cultura no programa Diga lá, Excelência, na 2. Pinto Ribeiro falou de uma profusão de iniciativas culturais do seu mandato, tão especiais e sofisticadas que ninguém tem dado por elas. Falou da secreta alquimia que pelos vistos domina como ninguém e lhe tem permitido fazer, com menos verbas atribuídas, mais e melhores prodígios. Espantou-se com as queixas e acusações contra si, que não conhece e de que nunca ouviu falar. Vangloriou-se de ter levado, com a sua persistência e exemplo, o big boss a admitir ter descurado a cultura e estar arrependido disso. Disse que Portugal não evoluía culturalmente desde o século XIX. Falou, falou, falou. Não há dúvida de que Sócrates fez escola entre os seus ministros: à sua imagem e semelhança, são totalmente imunes a críticas e não deprimem. Às tantas, o ministro fez até uma gracinha… enxotou uma mosca que entrou no estúdio e se intrometeu na conversa, comentando, prazenteiro: "Estou a fazer de Obama". Pena que não o imite noutros gestos.

Pinto Ribeiro só pode disputar a sua ausência governativa com outro: o ministro do Ambiente, cujo nome é impossível reter e que parece retirado para parte incerta desde a tarde daquele dia remoto em que foi empossado.
É verdade, mas ninguém diria, João. Quem o ouvisse ontem, prolixo e auto-confiante, acharia que não há ministro mais dinâmico nem ministério mais activo. Este governo é perito no trompe l’oeil, já se percebeu.
Conheço-lhe o estilo há muito, Ana. Palavras e mais palavras… pró-lixo.
Bem visto.
Não vi a entrevista. Não tenho visto nada.
:))
Não perdeu grande coisa, Maria.
O actual ministro da cultura sempre foi assim.
Um bom advogado na acepção tradicional.
De qualquer modo um homem “culto”.
(em terra de cegos…)
Não precisou de exemplos de Sócrates para nada.
Não é na qualidade de advogado que aqui o qualifico, Aviador. E não é nessa, certamente, que ele se parece com Sócrates.
Certo. Não é nessa que ele se parece com Sócrates. Já na presunção, parecem feitos um para o outro.