«Gripe A: mais 49 pessoas infectadas em Portugal, sobe para 554 o número total de casos». Este título é uma não-verdade. Apesar de ter passado com um não-desmentido.
Uma não-verdade
João Carvalho,
«Gripe A: mais 49 pessoas infectadas em Portugal, sobe para 554 o número total de casos». Este título é uma não-verdade. Apesar de ter passado com um não-desmentido.
Peço desculpa, mas não percebo porque se trata de uma não verdade.
Está desculpada. Realmente, não é uma não-verdade. É uma mentira. Não subiu para 554 o número total de casos de pessoas infectadas, porque a esmagadora maioria de pessoas que tiveram gripe A já estão curadas.
Como informação, se for verdade que subiu para 554 o número de casos registados desde o início, o dado é pouco ou nada relevante. Quando muito, teria antes alguma relevância saber-se quantas pessoas estiveram já com a gripe e se curaram, isso sim.
É mentira que há houve 554 casos de Gripe A em Portugal? É que parece-me que, interpretando o português daquele título, isso é uma verdade. Não diz ali que há neste momento 554 infectados, falam sim de casos. Concordo que falta o número total de ex-infectados que se curaram, mas a imprensa tem acompanhado todos os casos e, sempre que há uma cura, essa é noticiada. Logo, o título não é mentira nenhuma. Falta é uma notícia semelhante que diga que dentro desses 554 casos já a esmagadora maioria ficou curada.
É mentira que «sobe para 554 o número total de casos», sim. Só teria subido se os casos fossem simultâneos. Como não são, não subiu.
Já agora, também é mentira que, «sempre que há uma cura, essa é noticiada». É capaz de haver aí uma centena de casos simultâneos, no dia de hoje, e não me parece que tenham sido noticiados 400 curas ou mais.
Finalmente, vou já avisando que só em casos muito especiais é que alimento discussões sobre interpretação do português.
Então cada um fica na sua, já que, sim, “sobe para 554 o número total de casos”. Não diz ali que há 554 infectados com a gripe A, fala-se de casos no geral, aqueles que foram e que são. Eu acho que se percebe perfeitamente, mas pronto. Se a imprensa noticia da maneira que mais lhe convém porque o medo gera receita (para os media, para farmacêuticas, para quem quer que seja), sim. Agora o título, a meu ver, é uma verdade.
A TSF online tem exactamente a mesma informação:
Portugal registou mais 49 novos casos de infecção de gripe A nas últimas 24 horas, elevando-se assim para 554 o número de infectados no país desde Maio. Segundo o Ministério da Saúde, 13 casos são importados, 35 são secundários e um é terciário.
Já no Diário Digital:
Gripe A: Mais 28 pessoas infectadas em Portugal, 505 no total
Portugal registou 28 casos de infecção pelo vírus da Gripe A (H1N1) nas últimas 24 horas, o que eleva para 505 o número total de casos no país, anunciou hoje o Ministério da Saúde.
A bagunça total.
:))
Não é?
É sim senhor.
🙂
Aaaaaahhhh!!!…
Antes Aaaaaahhhh
que
Aaaaaatchimmmm
:)))))
[Então nem reage à minha observação ao seu comentário no post sobre a TVI, do CBO?]
Já lá vou.
Uma boa verdade seria começar a dar conta dos casos curados. O alarmismo não se evita a somar diariamente como infectadas pessoas que já não estão infectadas há muito.
Exactamente.
Calma que o negócio ainda vai no adro. A gripe A – podia ser a B, a C ou até mesmo a D, que o efeito seria o mesmo – veio afastar a crise, os problemas no BPP, no BPN, as angústias do presidente, que não sabe que fazer ao jeep cheio de diplomas para ler e outras coisas, enfim, menores, que nos ocupam e atormentam a existência.
A gripe A e o Avastin e, infelizmente, a morte de Raul Solnado é que são os musts do momento. De resto, não pasa mais nada.
O desemprego sobe, a polémica com as listas do PSD continua, o governo soma barracas atrás de barracas, os agricultores estão aflitos, os produtores de leite, idem, os pescadores igualmente, mas uma qualquer central de informações – pensam que não há? Há sim senhor… – determinou que agora é preciso valorar a vacina da gripe, que é para o pagode se manter entretido e os laboratórios facturarem. (Dez mil milhões de euros foi o valor estimado que vale o negócio).
Posto isto, digam lá se é necessário saber quantos infectados já estão curados, quando o importante é manter o pagode com o pânico em lume brando, enquanto o negócio evolui.
PS: lembram-se da gripe das aves? Ia morrer meio mundo.
Não percebo o seu anonimato para dizer o que disse. Se clicar no ‘tag’ «gripe» encontrará o que penso sobre o assunto («Quem ganha com o drama?», em 08.05.09). Certo?