Uma questão de “timing”


Carlos Barbosa de Oliveira,

O Presidente da República puxou as orelhas ao governo e às empresas. Fez bem.

No entanto, é discutível o “timing” escolhido. Em ano de eleições, as declarações de Cavaco Silva podem ser interpretadas como uma tomada de posição em favor de um partido. Além do mais, outras situações em que se remeteu ao silêncio, quando teria sido oportuna e desejável a sua intervenção, poderão favorecer essa interpretação.  

Quando foi eleito, Cavaco Silva afirmou que seria presidente de todos os portugueses. Acreditei. Depois do silêncio a que se remeteu durante o gravíssimo episódio da Madeira, com o deputado populista, deixei de acreditar. Não só varreu a questão para debaixo do tapete, como é hábito fazer-se em Portugal quando os problemas são delicados, como ainda se mostrou incomodado quando o questionaram sobre o assunto. Desvalorizou a questão, dizendo que o importante era o desemprego e a competitividade das empresas.

O PR não ficou bem na fotografia. E ficou ainda mais desfocado, quando disse que não tinha poder para intervir, porque isso significa que desconhece a Constituição e os poderes do PR. Ou, melhor: só os invoca quando lhe convém.

Foi o caso daquela encenação melodramática a propósito do Estatuto dos Açores. Nessa altura não se coibiu de fazer uma inoportuna comunicação ao País, para se queixar dos malandros da AR que lhe queriam usurpar poderes. Pela mesma bitola, seria de esperar que Cavaco Silva se dirigisse ao país, quanto mais não fosse, para informar os portugueses que estava a seguir atentamente a situação na Madeira. Não o terá feito, com medo de enfrentar o senhor da Madeira que ainda há pouco tempo o tratava por "sr. Silva"? Bem, se não foi medo, é ainda mais grave. Significa que tem dois pesos e duas medidas, o que não compagina com a sua vontade de ser presidente de todos os portugueses.

Repito: Cavaco esteve bem ao tecer duras críticas ao governo (embora peque por ter esquecido que algumas das críticas assentam que nem uma luva ao seu tempo de PM),  mas gostaria de ter um presidente que mantivesse essa firmeza e fosse capaz de falar com voz grossa noutras situações e para outros destinatários. Ganhava o país e a credibilidade da figura do PR É que esta  noção que Cavaco Silva  tem de normalidade em política, deixa-me bastante preocupado…

7 comentários em “Uma questão de “timing””

  1. Concordo com tudo menos com a crítica à posição do Presidente sobre o estatuto dos Açores. Cavaco Silva reagiu com oportunidade a um disparate grosseiro que os deputados de todos os partidos fizeram – precisamente para dar graxa aos açorianos. Cavaco Silva reagiu com oportunidade, não se incomodando com esse disparate de que em Agosto o pessoal deve estar todo de férias – ele, Cavaco Silva, não esteve para férias como desculpa para deixar de censurar os deputados.

    Não vejo como pode o Carlos defender que Cavaco Silva deve censurar os deputados do parlamento madeirense, sobre o qual ele não dispõe de nenhuns poderes, e deixar de censurar os deputados da Assembleia da República.

    1. Concordo com o que diz, por isso admito que me tenha expressado mal. Na verdade, embora não concorde com a encenação que fez em relação à declaração do Estatuto dos Açores, acho-a perfeitamente legítima. No entanto, não casa bem com a posição de silêncio em relação à suspensão do “parlamento” madeirense. Tinha obrigação de intervir (podia-o fazer), mas não quis afrontar AJJ. Em minha opinião, Cavaco teve pouca dignidade e deprestigiou o órgão PR.

  2. Está na altura de o Cavaco passar a fazer presidências abertas em tudo o que seja local de desemprego e bairro degradado.

    De mandar os polícias desaparecer.

    E de organizar um simpósio ou lá o que fôr sob o lema «Portugal, que Futuro»?

  3. I Parte

    Verdadeiramente intolerável
    a incompetência socialista,
    a sua política deplorável
    é de natureza populista.

    Fantasiando a realidade
    com engenhosas colorações,
    hipoteca-se a governabilidade
    de futuras gerações.

    O jovem mexilhão,
    em idade escolar,
    não aceita o brincalhão
    que passa a vida a burlar!

    II Parte

    No meio deste foguetório
    de estardalhaços eleitoralistas
    fica público e notório
    as políticas populistas!

    Sem vírgulas e pontos finais
    as coisas deveriam ser feitas,
    estes demagógicos bacanais
    deixarão as coisas desfeitas!

    Nesta crise depressiva
    com a economia a afundar,
    esta atitude ostensiva
    deixa o mexilhão a bradar!

  4. Também gostava de ouvir o PR, pronunciar-se sobre as declarações do presidente da Madeira, quando diz, que não tem assim tantos pobres, como “alguns comunistas” querem fazer crer.
    Lamentável, mais uma vez. Bem, pelo menos o presidente da Madeira e a 1ª dama parecem estar de acordo……
    Pobres??? O que é isso???

  5. Com o país a arder
    ateado pelo (des)Governo socialista,
    pois esta gente do poder
    desenvolve uma política miserabilista.

    O Presidente não pode ficar calado
    perante o descalabro nacional,
    o mal estar está instalado
    na cooperação institucional.

    O mexilhão expectante
    não pode ficar paralisado,
    o momento é importante
    para o país ser analisado!

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