Acompanho com uma alguma satisfação o incómodo que o anúncio da inclusão de Helena Roseta está a provocar nalguns espíritos. Há mesmo quem se preocupe com o número e lugar de socialistas, leia-se militantes, nas listas. Helena Roseta é uma mulher inteligente e séria e uma cidadã empenhada. Sempre foi. A proximidade que tem tido em relação ao PS nos últimos anos certamente que aconselharia mais depressa a sua inclusão na lista de António Costa do que a repetição de uma candidatura independente que por muito sucesso que obtivesse nunca teria qualquer hipótese de ultrapassar os condicionalismos de uma intervenção avulsa e inconsequente. Quando em causa está o governo da cidade, a procura de soluções de governabilidade que possam dar corpo aos projectos em curso e a manutenção de um rumo que nos possa fazer esquecer a diletância santanista e a errância de Carmona Rodrigues, todas as coligações que não sejam contra-natura são admissíveis. Procurar reduzir e limitar o espaço de intervenção dos independentes aos seus próprios movimentos é tornar ainda mais redutora a participação, é afunilar ainda mais os partidos. Se a inclusão de Roseta tiver como consequência uma maior abertura do PS à sociedade, em especial aos lisboetas, não vejo que daí venha qualquer mal ao mundo, ou à cidade. Bem pelo contrário. Helena Roseta terá por essa via uma maior capacidade de intervenção e de realização e o PS ficará mais fortalecido. Santana Lopes diz que a coligação é sinal de fraqueza. Posso admitir que sim, pois que em princípio quem está numa posição de força não se coliga, limita-se a vencer. Porém, eu só pergunto se não será antes um sinal de inteligência quando está em causa ganhar a maior câmara do país? Aliás, se isso fosse sinal de fraqueza, então o PSD estaria em situação de fraqueza em dezenas de autarquias pelo país fora, a começar pela capital do Algarve, onde Macário Correia e o PSD se sentiram na necessidade de fazer uma aliança pré-eleitoral com o CDS/PP, o PPM e o Partido da Terra e de abrir a pré-campanha com a presença de Alberto João Jardim. Seria bom que Santana Lopes explicasse por que razão o que é bom para o PSD fora de Lisboa é mau para o PS em Lisboa. E também porquê que uma coligação de socialistas com independentes de esquerda, alguns que foram militantes do PS até há pouco, é mais criticável do que uma coligação entre o PSD, o CDS/PP, o PPM e o PT. A mim, preocupam-me mais alguns apoios que não trazem qualquer mais-valia do que uma coligação com Helena Roseta. Dela todos sabem quem é, de onde vem e qual é a sua postura ética e cívica. Coisa que certamente Pedro Santana Lopes terá alguma dificuldade em dizer dos muitos que no passado fizeram parte das suas listas e do PSD e que ficaram mais conhecidos pelas trocas e baldrocas em que se envolveram do que pela "obra realizada", como ele pomposamente gosta de dizer. Se quem já foi eleito por quatro anos para um cargo e "deu à soleta" quer agora mais quatro para continuar, com mais razão se dão estes quatro a quem só teve a seu favor metade do prazo normal de um mandato para arrumar a casa e começar a fazer qualquer coisa. Não voto em Lisboa, mas se votasse, seguramente que votaria naqueles que já tivessem dado melhores provas de entrega à cidade e à função. E que sendo igualmente sérios ainda merecessem o benefício da dúvida, coisa que seria sobremaneira abusivo pedir em relação a alguns que andam há 30 anos na política enchendo as páginas de revistas, triste ironia, reconhecidas como "cor de rosa".
Uma Roseta vale bem uma câmara
Sérgio de Almeida Correia,

Roseta vem do PSD
Disseram-me que vem do ventre da mãe.
Roseta não foi via marido?
Então, caro Sérgio, o subconsciente levou-o até ao advogado Carmona e Silva?… Ahahah… acontece aos melhores e Carmona Rodrigues deve pensar que o Sérgio ironizou e que pretendeu uma simbiose com o Cavaco Silva…
Abraço e cuidado com o Macário!
Caro João,
Tem toda a razão. É o que dá pensar em várias coisas ao mesmo tempo. Já está emendado. Obrigado pelo reparo.
Ora, ora, Sérgio! Então não vês que a coligação do Costa, seja com quem for, é um “absurdo”?
As boas coligações são as do Santana com o Paulinho das feiras e mais uns avulsos do PPM e toda a tralha da direita. As coligações à esquerda são inadmissíveis.
Curioso… Santana não pode sair da CML para o Governo mas Roseta pode sair do PSD para o MASP, do MASP para o PS, do PS para o MIC, do MIC para os Cidadãos por Lisboa e daí para uma coligação com o PS. Fantástico como os olhos só vêm aquilo que a mente quer ver!
Dela todos sabemos quem é e de onde vem mas adivinhar para onde vai torna-se cada vez mais uma tarefa impossível… Bem, sabemos que vai para vereadora da CML, agora só falta saber se para a oposição ou para o poder. E só falta saber se não vai chatear-se com o Presidente se este for Costa ou aproximar-se dele se este for Santana…
Como já disse no Psicolaranja, sempre defendi que apesar das mudanças, Roseta não era uma vira-casacas mas hoje percebi que me enganei!
Desculpe a minha lerdice. Mas o que é que uma mudança tem a ver com as outras? Por acaso são da mesma natureza?
Não fui eu que comecei mas sim o autor do post 😉
O autor do post é que começou? Está visto, não só sou lerda como estou trenga! Não consigo ver onde é que a sua observação se encaixa no texto. Trenguices, admito.
Não vou desmenti-la…
Não é preciso. A prática fala por si.
Minha cara Maria do Sol, não se incomode com isso, não vê que estamos em campanha eleitoral….:-)))
Minha cara Ariel
Eu não me incomodo. Só gostava de perceber se a confusão é minha ou não…
:))))
Diz-me o tacto político que alguém que tem como objectivo único defender o seu Partido (Social Democrata) e que viu nos últimos anos um Presidente da Câmara de Lisboa abandonar o cargo para ir para o Governo e um Primeiro Ministro que abandonou o cargo para ir para a Comissão Europeia, não deve falar dos saltos de ninguém.
Muito menos se se tratarem de saltos que em nada têm a ver com cargos para os quais tenham sido eleitos pelo povo.
Digo eu.
Mas caro Bruno: longe de mim impedi-lo de disparar no sentido dos seus próprios pés!
Ainda bem! é que eu não gosto nada que me impeçam de fazer seja o que for… tal como ninguém impede a Helena Roseta de saltar de nenúfar em nenúfar como mais lhe convém, dando as justificações que bem entender. A paciência é que se vai esgotando…
Sabe, as vezes custa-me a perceber a como é que um candidato ou apoiantes de candidatos conseguem ser tão pouco sérios na argumentação, do tipo o que é bom e sério em causa própria, é um erro e uma mistificação nos adversários. Pasmo, e fico a pensar, será que esta gente toma as pessoas por estúpidas, ou nem sequer pensam no que dizem?
Pois eu sou amigo e admirador de Helena Roseta e tenho pena que ela tenha caído na tentação de aceitar a sua inclusão na lista de A. Costa – porque pouco vai ganhar com isso e seguramente vai perder muito.
Para já, perde o meu voto e vai-me obrigar a votar em branco, pois PS “jamé”, Santana não é opção e a esquerda – BE e PCP – já não me convence.