Cavaco Silva– Foi reeleito Presidente da República. Venceu as eleições sem grande esforço e nenhuma glória. Sai reforçado enquanto Presidente da República e vê a sua legitimidade fortalecida. Fragilizado pelo facto de não ter conseguido alargar a sua base de apoio, de não ter sido capaz de mobilizar a abstenção, de não ter trazido nada de novo. Uma coisa é copiar Fangio ou Nuvolari, vencer à Prost ou aprender com Senna. Outra é ficar na história como um Raymond Sommer que ninguém sabe quem é, o que ganhou, nem quando. De qualquer modo venceu, merece os parabéns. Vamos ver se as taxas de juro começam a descer, se os ataques especulativos diminuem e se o FMI não vem para cá. Os discursos de vitória já mostraram que ele e a sua gente não aprenderam nada. Não prestam. Ainda agora foi eleito e “a magistratura activa” que prometeu já passou a “actuante”. Não tarda e será deslizante.
Direita – De Portas a Passos Coelho. Mas também a de Marques Mendes, Luís Filipe Menezes, Miguel Relvas e Santana Lopes. Qualquer sopro, por mais fraco que seja é quanto basta para a Direita portuguesa içar o balão e seguir à bolina até que perceba que o vento não foi suficientemente forte para ganhar balanço. A associação a Cavaco dá-lhe trunfos no curto prazo. A seguir virá o código contributivo. A embalagem em função das circunstâncias.
Soarismo – Conseguiu emparedar Manuel Alegre e o PS. Pôs a sua gente no terreno e trouxe para a ribalta uma candidatura. Fernando Nobre foi o pretexto. Fez três em um: de uma cajadada tramou Alegre, Sócrates e o PS. Os resultados não deixaram de ser medíocres, mas tiveram quem desse a cara por ele.
Fernando Lima – Valeu a pena manipular e conspirar. Agora pode pedir a Cavaco Silva a merecida promoção e sair da sombra. A vitória de Cavaco Silva era o estímulo de que necessitava para continuar a sua acção.
Oliveira e Costa e Dias Loureiro– A reeleição de Cavaco Silva é uma vitória em toda a linha da pandilha do BPN, das offshore, da fuga ao fisco, da informação privilegiada, das acções da SLN. É disso que os portugueses gostam. O país provinciano, pacóvio e ignorante dos economistas espertalhaços, dos empresários amigos, das urbanizações para coelhos e dos terrenos fantasiosos, ganhou novo fôlego e voltará a prosperar. O resultado liberta Oliveira e Costa para poder dizer no julgamento que agora começa o que muito bem entende, para defender o canastro sem correr o risco de ser visto como um revanchista. Vamos a ver se Cavaco Silva e associados dentro de quatro anos estarão tão satisfeitos como hoje.
José Manuel Coelho – Fez a diferença. O País continua a gostar de brincalhões que digam que o rei vai nu, que gozem com o pagode e que não o comprometam.
