José Sócrates – Já perdera há quatro anos por falta de comparência quando apostou em Mário Soares. Voltou a perder hoje porque não se quis comprometer e foi a reboque do Bloco de Esquerda. Ficará associado às duas maiores derrotas presidenciais do PS, deixando uma vez mais o partido confundido e humilhado. Não se livrou da tralha do guterrismo e ainda por cima permitiu que crescesse à sua sombra o socratismo. Se o PS não se livrar dele e da sua gente, ele encarregar-se-á de acabar com o que resta de capaz no partido.
Manuel Alegre – O candidato que apoiei nestas eleições perdeu. É imperioso dizê-lo e reconhecê-lo. Fez o que pôde. Cometeu os seus erros, como outros também cometeram sem darem a cara ou serem penalizados. Continuará a ser o cidadão de sempre e a escrever como poucos. Este é, apesar de tudo, um grande conforto.
Fernando Nobre– Serviu de lebre aos soaristas. Ficou encadeado com os holofotes e convenceu-se de que tinha um projecto, uma ideia ou uma vocação política. Vai esvaziar-se como um balão. Quis ir à segunda volta e, delirante, disse que só não ia para Belém se levasse um tiro. É claro que não levou e não chegou a Belém. Os 14% ou 15% que parece ter obtido não são dele, nem foram para a AMI. São de Mário Soares, de Vítor Ramalho, de José Lello, de Luís Represas ou da sua mulher Margarida.
Francisco Louçã – Talvez agora volte à realidade. Ele sozinho ou o Bloco não são nada. Não têm força para mudar. O Bloco de Esquerda como alternativa acabou hoje.
Alberto João Jardim e Carlos César – Por razões diferentes, é certo. Mas perderam ambos. Um para José Manuel Coelho. O outro para Cavaco Silva. As autonomias regionais saem empobrecidas.
Comunistas, verdes e quejandos – Tudo na mesma na Vidigueira. Há Portugal de um lado e o PCP de outro. O resultado é pouco mais do que sofrível. A erosão continua mas os dirigentes comunistas insistem em dizer que o PCP e a esquerda saem fortalecidos. Para Jerónimo de Sousa foi mais uma “grande vitória” das “centenas de milhares” que apoiaram a sua candidatura. Uma formiga vista à lupa torna-se num cavaco.
