Portugal é o sexto país europeu e o oitavo do mundo a aprovar o casamento entre pessoas do mesmo sexo. Não me lembro de termos sido tão lestos desde a abolição da pena de morte.
O fim da pena de morte salvou a vida a grandes criminosos. Espera-se que o casamento homossexual possa salvar alguém de qualquer coisa, já que o resto do país continua sem ilusões de vida.

“O fim da pena de morte salvou a vida a grandes criminosos.”
E a quantos inocentes não terá salvo da morte?
A alguns, seguramente.
Inicie uma petição para restaurar a pena de morte.
Não sei para onde ia mandar o seu comentário, mas enganou-se no endereço de certeza.
Não, não me enganei. O seu texto deixou-me apatetada. Só isso.
Enganou-se, certamente. Nada no meu texto pode ter-lhe indicado que eu seria a favor da pena de morte. Só mesmo por engano.
Já agora, mais uma coisa: mesmo ironia por ironia, o meu texto não merece tanta secura e rudeza apenas por lembrar que está por fazer tudo o resto que, de importante que é, interessa à vida de dez (ou nove, ou oito) milhões de pessoas.
Secura, aceito. Rudeza, não. Não faz o meu género, mesmo em assuntos como a pena de morte.
Sans rancune, j’espère.
Ainda bem. Nem o assunto era a pena de morte.
Bien sure.
Do divórcio não se salvam com certeza, afinal é um direito adquirido e nem referendo foi preciso!!!
Por essas e por outras é que o casamento não é necessariamente uma boa conquista. Às vezes, é a perdição de uma pessoa…
“já que o resto do país continua sem ilusões de vida.”
Pois pois, mas nas imortais palavras da Teresa Guilherme, isso agora não interessa nada…
Deixe-os pousar…
?
Sócrates disse há pouco às televisões que este era um momento “muito histórico” na nossa democracia. Sem conseguir perceber muito bem onde esteja essa tão grande ‘dimensão histórica’ que o nosso PM vê na aprovação desta lei pela AR, não deixo contudo de ver que tem havido à volta deste assunto ‘muitas histórias’ e algumas delas até, bastante mal contadas. Sem estar já a querer falar sobre a oportunidade do agendamento e da grande urgência da aprovação desta lei que, ridículamente, o PM fez questão de apresentar pessoalmente na AR, (quando tem deixado de o fazer em relação a matérias bem mais importantes para o país e para o bem estar dos portugueses), não deixarei, contudo, de aqui expressar a minha total discordância em relação a alguns aspectos desta polémica matéria, nomeadamente e desde logo pela adopção do termo “casamento” em relação a algo que é substancialmente diferente. E tão diferente é que, mesmo sem querermos estar a ser discriminatórios, vemo-nos obrigados usar a expressão ‘casamento homossexual’ ou ‘casamento gay’ para o distinguir daquele que até agora e sem recurso a mais explicações ou adereços conhecíamos como ‘casamento’ puro e simples e que todos sabíamos a que correspondia exactamente. Quem realmente pensar que a sociedade, as mentalidades e a discriminação se mudam por decreto, está por certo muitíssimo enganado, como já alguém – e muito bem – comentou hoje num post anterior em relação a esta mesma matéria.
Claro. Dessem-lhe outra designação e não seria preciso dizer «casamento homossexual», que é, já por si, discriminatório. E jamais deixará de o ser, pela necessidade de distinguir duas coisas que serão sempre diferentes.
Talvez por isso é que Sócrates tenha precisado de dizer que se trata de um momento «muito histórico», não vá a História esquecê-lo. Afinal, os acontecimentos são históricos ou não são; não há acontecimentos pouco ou muito históricos. Excepto aqueles que substituem uma discriminação por outra…
Não estou a perceber. Que eu saiba, Portugal foi um país pioneiro na abolição da pena de morte. Fomos o primeio país da Europa a fazê-lo, seguramente, e não tenho de cor mas talvez o primeiro do mundo.
Fomos o primeiro país a abolir a pena de MORTE !!?? o Aborto esta em vigor, que eu saiba…
V. tem obrigação de dar mais do-có-que parece querer dar.
isso deixo para você…agora dizerem que Portugal foi o primeiro país do mundo a abolir a pena de morte quando esta em vigior a magnanima lei do Aborto, so pode vir de mentes bem formatadas…
Comece a formatar melhor os seus textos, porque este está pior do-có-que é tolerável. E aproveite para formatar algumas ideias, que andam a tornar-se ideias fixas e isso um dia acaba em sério delírio.
A Vida Humana é INVIOLAVEL !!
Não me grite que me dá cabo dos tímpanos oculares.
Ups, peço desculpa pela leitura apressada. É “desde a” e não “na”. De qualquer forma um orgulho para todos os portugueses. Ambas as alterações, digo eu.
Ah! Ias-me deixando atrapalhado. Na abolição da pena de morte Portugal foi realmente pioneiro. A oportunidade era de ouro. A oportunidade da alteração actual é mais duvidosa.
Que desalento!
Possivelmente.
Tenho uma dúvida, que gostava de ver esclarecida. Será que alguém pode responder-me?
É o seguinte: a partir de agora, um gajo como eu, quando o inquirirem sobre o estado civil, terá de dizer “casado com uma mulher”, é? Não vá o diabo tecê-las, pois então…
Não sei esclarecê-lo, mas parece-me bem. E necessário, por via das dúvidas.
Será para proteger alguém certamente !
Casam leve, levemente,
Mas casam com grande chinfrim.
Será p’ra proteger alguém certamente,
Que os outros não casam assim.
Já faltou mais para os outros serem “os diferentes” e terem que lutar por casamento heterossexual. espero que já não seja na minha geração, porque começa a faltar paciência e idade para estas coisas. Na minha modesta opinião deu-se o 1º passo para a adopção. E vai ser engraçado quando um casal homossexual perguntar ao filho “sabes como nescem os bebés”, o filho diz com toda a garantia “claro! por adopção!”
É a continuidade do actual período do leite e da galinha: vêm do supermercado.
E a desilusão do filho não será maior ao saber como nascem os bebés do que o leite e a galinha virem do supermercado ? E o trauma dos putos? Pensarão:… “Então os meus heróis aldrabaram-me durante este tempo todo?”
Então não há-de vir em continuidade, mas em crescendo.
Caro João não o conhecendo, como diria o Fernando Mendes, é um espectáculo . Alem de ter resposta para tudo, acho que o faz com grande ironia. Ainda bem. Provavelmente será daqueles que explicar aos filhos como nascem é fácil , não será preciso desiludi-los, nem dizer-lhes que vêm no bico da cegonha ou de Paris.
Meu caro, nenhum pai que se preze gostaria que o seu filho viajasse no bico de uma cegonha, não é? Já quanto a vir de Paris sempre tem outro requinte, mas isso costuma estar reservado aos pais que moram na capital francesa e poucos mais.
Um abraço.
Os poucos mais não serão assim tão poucos. Basta ver um Verão no litoral português e não é obrigatório ser no Algarve….mas isto são contas de outro rosário.
Abraço e até uma próxima.
Eu falei nos que moram em Paris e não nos que são de Paris…
João, não é justa esta sua apreciação. Por um lado a comparação com a abolição da pena de morte parece-me desabrida. Por outro, como se percebe, não é o aprovação do casamento entre pessoas do mesmo sexo que vem adiantar, retardar, acelerar ou impedir a resolução de quaisquer outros problemas do país.
Não discordo de si, Ariel. Mas tenho de sublinhar dois aspectos:
– a comparação (que não é sequer o termo mais adequado) com a pena de morte surje inevitavelmente com o peso (cultural e não só) de uma legislação de ruptura em que o país é pioneiro ou está entre os primeiros;
– é verdade que «não é o aprovação do casamento entre pessoas do mesmo sexo que vem adiantar, retardar, acelerar ou impedir a resolução de quaisquer outros problemas do país» e também é verdade, por exemplo, que um ministro ter um ou ter dois carros topo de gama ao seu serviço não altera a situação económica do país, só que há coisas que quem nos governa tinha de saber, como seja estabelecer prioridades consoante as necessidades mais prementes e evitar dar sinais sobre outras preocupações junto de quem vive no mar de angústia que afoga o país.
No fundo, trata-se de dar o exemplo (como nos carros oficiais): pedir sacrifícios tem de ser demostrá-los também e abdicar de algumas mordomias; manifestar preocupações de pequena escala na gestão da coisa pública tende a chocar uma parcela enorme e crescente da população que está à espera que lhe sejam proporcionados melhores dias com maior competência governativa e menos escândalos ou desperdídios.
Foi muita curiosa a postura do líder da extrema-direita parlamentar: 3ª fila, triste e embaraçado, Porquê?
Talvez. Vou saber se a AR tem algum grupo parlamentar de extrema-direita…