A tia, que saudades, era tia dos sobrinhos, dos amigos dos sobrinhos e dos sobrinhos-netos e seus amigos. Todos a tratavam por tia como se fosse a ordem natural das coisas. E sem excepção todos lhe dedicavam o afecto que se reserva para o que fala ao coração e que, décadas mais tarde, nos povoa a memória dos tempos bons.
Tendo nascido em Vila Real no final do séc. XIX, cedo enviuvara, com dois filhos para criar.
Contava um ror de histórias da sua cidade natal. E uma era que quando foi instalada a rede eléctrica pública a miudagem, varada com a maravilha, deu em atirar pedras aos candeeiros, partindo os vidros.
O administrador do concelho, irado, tomou uma medida radical: mandou forrar os candeeiros com chapa.
Foi em 1894 que se inaugurou a luz eléctrica naquela cidade, e portanto não podia ser contemporânea dos factos – isto apurei agora.
E, consultada a IA, diz ela que esta história é, na verdade, uma famosa piada popular e anedota de humor burocrático em Portugal.
É que é burra, a IA. Os nossos autarcas não caíram do céu, pertencem a uma tradição. A IA não sabe das coisas. A tia Ema sabia.
