O Maio de 68 já tivera lugar há mais de um ano mas os seus ecos só chegavam quase inaudíveis a Portugal.
Na casa do Dr. Barbosa os dois filhos (de quatro) mais velhos discutiam com os amigos A Piscina de Jacques Deray.
Era uma casa alegre, onde uma multidão de adolescentes se reunia frequentemente para festas ou simplesmente convívio.
O Pai ouvia, o mais das vezes distraído, o conversê – tinha muito em que pensar por causa da profissão exigente, na qual era prestigiado e bem sucedido. E os jovens, todos teen, não precisavam de ter cuidados com a linguagem – Dr. Barbosa tinha a língua destravada, as ideias desempoeiradas e doses industriais de tolerância.
O cerne da conversa era a nudez de Romy Schneider que eles, os miúdos, viam com aprovação, e elas com alguma reserva por preferirem o desempenho de Alain Delon, ali promovido à condição do grande actor que nunca foi.
O tom foi subindo, que discussões de adolescentes são ainda mais ruidosas que as do Parlamento.
O Dr. Barbosa interrompeu e disse: Nua, nua, ora ora, só se vê por trás. E, como a matriarca, D. Isabel, ia passando, deu-lhe uma palmada no rabo, acrescentando: Para isso tenho aqui o da D. Isabel, que é muito melhor.

Mas que episódio tão edificante!
Pena ter terminado o relato demasiado breve, conte-nos mais, por favor: então e a Srª Dª Isabel, ficou-se?
Terá talvez até depositado um carinhoso ósculo na careca do Barbosa, sorrindo e arrulhando-lhe com habituada paciência: “Tens cada coisa, Barbosa…”; daí seguindo para orientar a cozinha, abanando o tão gabado rabo com um bocadinho de exagero vaidoso.
Parece quadro de um ameno serão familiar tirado às páginas do Joaquim Coelho, nem mais.
Com pequenas adaptações, substituindo a “casa alegre” familiar pelo largo da aldeia, e a multidão de festivos teens por jovens agricultores acabados de chegar da feira do gado, convivendo e comparando as respectivas reses, bem podemos imaginar um deles, o Barbosa, a dar carinhosas palmadas nas ancas da sua “Malhada”, gabando-lhe publicamente o úbere farto e sem concorrência possível.
E também se presta a edificante história que teve por bem trazer-nos a reinterpretações mais do tipo José Vilhena, que granjeou fama exactamente a descrever, com bonecos e tudo, esse género de quadros familiares envolvendo Barbosas, Donas Isabéis e rabos.
O José Meireles Graça é um brincalhão. E um provocador…
O post do J.M G. tem imensa graça , por duas coisas : o Delon não presta para nada e pelo Dr. Barbosa , um belo ser humano, que põe toda a gente à vontade . Porque a mulher ia ficar chateada ? por outros imaginarem que não era amor puro mas sim qualquer coisa com “submissão” à mistura? santa paciência com as feminazis.
Mas o que é que a leva a crer que o José Meireles Graça escreveu o post para ter piada, ou sequer que acha piada à história que nos contou?
E sempre lhe avanço que, entre ser feminazi ou ter um marido a apalpar-me o rabo em público – e sabe-se lá mais o quê, dado o belo ser humano gostar tanto de “pôr toda a gente à vontade”…, escolheria, logo e sem olhar para trás, o ser feminazi.
E logo a seguir pedia o divórcio, obviamente.
Pode ficar com o Baptistinha todo para si, espero é que tenha rabo que lhe chegue.
bem podemos imaginar um deles, o Barbosa, a dar carinhosas palmadas nas ancas da sua “Malhada”
Isto faz-me lembrar um concurso de vacas leiteiras (raça Holstein, salvo erro) a que assisti há uns anos em Águeda.
O classificador das vacas era um (supostamente) perito estrangeiro, creio que italiano, bastante gordo.
Às tantas, apreciando uma das vacas no concurso, atribui-lhe uma classificação elevada, afirmando que ela era “muito feminina” e fazendo com as duas mãos um gesto sugestivo de umas ancas, que tanto se podia aplicar (presumo eu) a uma vaca como a uma mulher.
(No fim do concurso comemos todos – criadores do gado, o classificador, e meros assistentes como eu – um porco no espeto, oferecido pela organização do concurso. O italiano comia o porco às fatias inteiras, virando as goelas para o céu e deixando a fatia escorregar lá para dentro.)
Algo me diz que esse italiano é daqueles que enfeitava a parede do escritório com a coelha peituda da página central da “Playboy” – antes da “Playboy” ter perdido a corrida com a porno-internet; se calhar, antes de ser perito em vacas era perito em coelhas.
E canibal lambão, ainda por cima.
Eu de coelhas nada sei, a não ser que têm muitos filhos e que Cavaco Silva tinha casa na Praia da Coelha. Coelhas peitudas, não conheço.
Gabo-lhe a inocência, acredite.
Não teve que frequentar garagens de mecânico ali pelos anos 80, onde as coelhas a decorar as paredes para dar as boas-vindas à clientela faziam parte da “experiência”, com as suas orelhas pretas espetadas, lacinho-coleira e os inevitáveis… úberes fartos.
Volta e meia, a minha Renault 4 pregava-me a partida, e lá tinha eu que ir à “coelheira”…
as pessoas felizes são assim como o Dr. Barbosa , valorizam mais que nada o próprio jardim.
Reconheço-lhe razão. São as pessoas felizes e os proxenetas, uns jardineiros do caraças, se me perdoa o entusiasmo.
Será que a comentadora Zebra preenche aquela condição – dos tempos em que a cultura anglo-americana ainda não era dominante em Portugal – “elle a les fesses tristes”.
Ah, sobre isso da cultura anglo-americana expressa em “connerie” francesa não sei que lhe diga.
Mas posso dizer-lhe que a condição que preencho de certeza é dos tempos em que o meu pai respeitava a minha mãe, e ela não tinha que fingir que tinha as “fesses gaies” para esconder os comportamentos embaraçosos do “dono”.
Agora, Senhor Jeremias, cada um sabe dos exemplos de preenchimento de condições que recebeu e respectivos traumas.
Antes “fesses tristes” que “queue mou”, que isso é que não tem remédio…