Viragem à esquerda


Adolfo Mesquita Nunes,

Insuspeito de ter simpatias pelo PS, sou daqueles que considera que a vitória do PSD foi magra demais para um partido alternativo ao socialismo da crise, da contestação social, do desemprego e do desnorte.

 

De facto, o PSD obteve nestas eleições a percentagem de votos que tradicionalmente está reservada para o segundo classificado nas eleições. Como aqui disse, o PSD obteve sensivelmente nestas eleições as mesmas percentagens que em 1999 e em 2004 (em conjunto com o CDS e então no governo), o que me parece manifestamente pouco atenta a conjuntura política em que vivemos.

 

Não pretendo retirar mérito nem sequer importância a esta vitória do PSD, que aliás veio equilibrar o jogo político e alimentar as possibilidades de estarmos perante uma mudança de ciclo.

 

Mas pretendo, isso sim, deixar a ideia de que me parece demasiado simplista arriscar uma mudança de ciclo com base em resultados eleitorais saídos de uma eleição onde tradicionalmente se fazem sentir votos de protesto e que foram ainda manchados por uma enorme abstenção. E nessas circunstâncias o partido alternativa ao PS arrecadou apenas 31% dos votos.

 

Estes resultados legitimam – e é isso que me preocupa – que a reforma do PS deva fazer-se à esquerda e pela esquerda. Porque, na verdade, o que estes resultados demonstram é que o sistema partidário tende para a esquerda, com crescimentos eleitorais inéditos em toda a Europa. Ao contrário do que possa pensar-se, o que estes resultados autorizam não é a moderação socialista na governação mas, isso sim, o seu reforço. E isto não pode ser vitória para a direita.

12 comentários em “Viragem à esquerda”

  1. Adolfo:

    Realmente o PSD teve 31% votos mas ao contrário do que tentam fazer passar nas mensagens politicas foi o único a GANHAR as eleições pois quando se concorre a algo só há um vencedor pelo menos sempre assim foi e continuará a ser.
    Fico pasmo quando vejo os analistas preocupados com a votação do PSD e não com os 26% do PS que por acaso é suporte de um governo e de um regime (socrático-propagandistico) em Portugal.
    Penso que intelectualmente é um erro pensar-se que o PSD não chega lá e o PS chegará?
    Verifico que pelos vistos as Europeias não serviram para nada ou seja os analistas dão de barato que o PS irá ganhar as legislativas mas caso curioso elas ainda não tiveram lugar, portanto tudo o resto são balelas, perante factos concretos e esses (factos) são a vitória do PSD nas Europeias e como afirmei acima o único vencedor.
    Não será assim?

  2. Subscrevo o teu comentário, André. As manifestações de regozijo do PSD parecem-me manifestamnente exageradas e há que ler correctamente os resultados a nível europeu.
    De qq modo, soube-me muito bem a humilhante derrota de Sócrates e do seu pacóvio candidato.

  3. Adolfo: esta tua análise acerta no ponto: “Parece demasiado simplista arriscar uma mudança de ciclo com base em resultados eleitorais saídos de uma eleição onde tradicionalmente se fazem sentir votos de protesto e que foram ainda manchados por uma enorme abstenção.
    Penso o mesmo. E creio que o tempo dará razão às tuas palavras se o PSD não souber ler convenientemente estes resultados eleitorais.

  4. acorde rapaz
    se o psd com 31% não é legitimo vencedor então o ps que cai dos 44% para 26% devia descer de divisão
    mudem de agencia de comunicação que o paixão martins deve ter metido licença sabatica

    1. Caro NetKingCool

      Em parte alguma do meu post está retirada a legitimidade da vitória do PSD, mas tão só o a reafirmar de que essa vitória não é ainda suficiente para falar-se de mudança de ciclo.

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