Woodstock 40 anos depois


Carlos Barbosa de Oliveira,

 

 

 

Faz hoje 40 anos que terminou o festival de Woodstock. Independentemente da  avaliação que se faça, hoje, do evento da “Paz e Música”, menosprezar  o que por lá se passou é desvalorizar um episódio que marcou a história contemporânea.

Durante  três dias, 500 mil pessoas assistiram, com o maior civismo, à exibição das melhores bandas e artistas da época. Faltaram os “Doors”, é certo (Jim Morisson já se deve ter arrependido mil vezes…), mas por lá passaram nomes  como Joan Baez , Jimi Hendrix, Janis Joplin, Santana, Neil Young, Crosby Stils& Nash and so on…

Houve uma tentativa de organizar um festival comemorativo dos 40 anos de Woodstock, mas a violência durante o Festival evocativo dos 30 anos, em 1999, e a crise actual desmobilizaram os patrocinadores.

De Christiania a El Bolsón é possível, no entanto, encontrar comunidades que procuram manter o espírito de Woodstock. Uns fazem-no mal, outros mostram que ainda é possível resistir. Como se pode ler aqui.

38 comentários em “Woodstock 40 anos depois”

  1. Não me digas, Carlos. Mesmo 40 anos? Parece que foi ontem. Estarei a ficar velho?
    Lembro-me bem de ter estado no nosso Woodstock, o primeiro (e único, durante anos) festival de Vilar de Mouros. Pouco depois estava eu a começar a recruta militar. Livra!

      1. Tens toda a razão.
        Ainda me lembro de uma cena quase impensável: o homem por trás desse festival, Élio Amorim (o velho de cabelo branco que era o magnata das alcatifas Carpélio!) a passear-se no meio daquela bagunça com um dos seus carros de estimação, um Rolls-Royce todo aberto dos anos 20, rodeado de louras empoleiradas por todos os lados…

      2. … Dois dias de ‘peace & love’ em Vilar de Mouros, cujos pontos altos foram os Manfred Mann e o Elton John, ainda de calções de peitilho a tocar um piano de cauda inteira levado do Porto em cima da hora.

  2. Os nomes que tu vieste lembrar… a malograda Janis Joplin… o Neil Young, os Crosby, Still & Nash (que também foram Crosby, Still, Nash & Young)… Joan Baez, Hendrix, Melanie, John Sebastian, Creedence Clearwater Revival, The Who, Jefferson Airplane, Joe Cocker, Ten Years After… os Blood, Sweat & Tears…

    1. Todos eles de primeira água, de tal maneira que ainda hoje (e acho que cada vez mais) muitos grupos vivem de covers das músicas desse tempo. Foi uma época de criação musical única.

      1. Sem qualquer dúvida. Tenho reedições em CD de quase tudo o que foi a música daqueles tempos áureos. Incluindo alguns que faltaram à chamada de Woodstock (e se sentiram arrependidos depois), como The Doors, Led Zeppelin, Jethro Tull, The Byrds, Bob Dylan (não recusou, mas acabou por faltar porque o filho ficou doente), The Moody Blues, Joni Mitchell…

    2. Desde que regressei de férias, que ando a recordar lá no Rochedo canções dos anos 60, 70 e 80.
      Precisamente por causa de Woodstock deixei estes nomes todos para a segunda quinzena. Com Carlos Santana a abrir, claro

  3. Excelente, a tua crónica no Rochedo. Gostei imenso de ler. Ainda há alguns redutos de hippies pelo mundo, onde foram parar os que não se conformaram com as mudanças ou não se adaptaram a elas: em Goa, por exemplo, ou em Jeriquaquara, no nordeste brasileiro. São só dois exemplos, há mais.
    Mas esse tempo não se repetirá, como dizes muito bem. Nada se repete.

  4. Muito bem lembrado. Vi o Woodstock (filme) no cinema, em Moçambique, lá passou ainda antes do 25 de Abril, cá parece que só depois. Fiquei deslumbrada, o impacto foi enorme.

  5. “Uns fazem-no mal, outros mostram que ainda é possível resistir”

    Hum… E já agora, resistir a quê ?

    É que os desgraçados que vieram nas gerações a seguir não têm a menor pista. Nem tinham de seguir os vossos caminhos.

    Quanto aos redutos dos Hippies de que falam nos comentários, lamento mas fazem lembrar Mormons, muito mais modernos claro mas também cristalizaram…

    1. É natural que aqueles que vieram na geração a seguir e se consideram desgraçados não percebam. Esses “desgraçados” normalmente nunca tiveram de lutar pela vida, preferem frequentar a Jotas ou viver à pala dos pais.
      Outros meteram o nome no congelador e ficaram anónimos. Taditos, devem andar num outro Planeta

      1. “Esses “desgraçados” normalmente nunca tiveram de lutar pela vida, preferem frequentar a Jotas ou viver à pala dos pais.”

        Assinalo a sua generalização apressada mas, como o tenho em conta de melhor nível apenas lhe refiro que está enganado.

        Mas se para a sua geração é mais responder assim (É que não é a primeira vez…)

        Quanto a planetas, bem será melhor – pela consideração que lhe tenho – ficarmos assim.

          1. Limitei-me a fazer Copy / Paste do texto de V. Exa. como pode constatar.

            Quanto á explanação da atrás mencionada resistência já percebi que – para V. Exa. – não mereço a consideração de tal esclarecimento.

            Grato a V. Exa.

    2. É claro que cristalizaram, Anónimo. Linitei-me a assinalar o facto, não estou a defender o modo de vida que têm. Eu disse que eles eram inadaptados, apenas isso… não tresleia.

      1. Não precisas de exagerar. Quando falares de mim a uma senhora, diz que não sabes bem… que pareço ter idade incerta… que os anos parece nem passarem por mim…
        Agradecido.

  6. Carlos, eu também faço parte da sua (ah, o você) “equipa” , presumo, nascida no pós II guerra mundial – somos da geração Baby boom “- os baby boomers ” será mais simpático do que “cotas”, digo eu…ehehe

    Mais a sério agora – sinto imensa afinidade com o Woodstock “, com o “espírito do festival”, como diz o Carlos.
    Foi mais ou menos por essa altura que comecei a ler Jack Kerouac , que despertava para outras realidades sociais e políticas , embora ainda muito nova (com irmãos mais velhos) lembro-me dos meus irmãos e os amigos discutirem o problema da guerra do Vietname e quão desconcertante era pensar nos EU – Vietname e os EU das manifestações como o festival . Tive a sorte , mesmo tendo nascido numa ilha, de me ter cruzado com pessoas interessantes que me mostraram novos horizontes .
    O Carlos, agora aqui e no “Rochedo” ao evocar Woodstock ” de forma tão bonita e sentida fez-me recordar essa juventude que fisicamente está perdida mas o resto, enquanto cá andar, não se perderá a menos que venha o tal Alzheimer, cruzes… ;-))

    Em breve estreará o filme de Ange Lee “Talking Woodstock “, baseado na história verdadeira de Elliot Tiber , que ajudou a organizar o festival em 1969.

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