"Não se deve canonizar o santo antes do milagre", diz Rui Tavares, insuspeito de obamofobia. Fala do Nobel atribuído a Barack Obama pela Academia Nobel, que tem fé nas virtudes pacifistas do inquilino da Casa Branca. O facto é que Obama está há nove meses incompletos à frente do Executivo em Washington e de concreto apenas falou. Gosto da oratória do Presidente norte-americano, inspirada e inspiradora. Mas, de facto, é um disparate canonizá-lo antes do milagre. E é bom lembrar que os tempos não andam nada propícios a milagres.


Não é inédito o Nobel “canonizar antes do milagre”, Pedro. D. Ximenes e Rui Horta foram “canonizados” antes de Timor se tornar independente. Eu sei, eu sei, claro que foram bem mais combativos do que Obama conseguiu ser até agora. Mas nove meses é pouco tempo para as lutas internas e externas que ele tem de travar. Concordo com o que há dias o Bruno Sena Martins escreveu acerca deste assunto no 5 Dias. O Nobel sobretudo entalou Obama. É neste sentido um presente envenenado que o pressionará para provar que o mereceu: 5dias.net/2009/10/10/entre-o-nobel-e-o-a bismo/
Teresa, o Nobel foi dado para condicionar a política externa de Obama menos de nove meses após ele ter tomado posse. Se compararmos com período equivalente do mandato de Bush, recuaríamos a Outubro de 2001 – logo após o 11 de Setembro. Lembra-te só do que se passou nesse mandato desde esse mês até ao fim, em Janeiro de 2009. Imagina o que poderá acontecer ainda também com o mandato de Obama. É uma irresponsabilidade ‘premiar’ um mandato de quatro anos (talvez de oito) ao fim de apenas nove meses. A Academia Nobel sempre pretendeu fazer política, mas antes ainda tinha algum pudor. Esse pudor perdeu-se de vez: é demasiado óbvia a intenção de condicionar todo o mandato de Obama. Ele respondeu da melhor maneira, considerando que não merecia o prémio. Está cheio de razão.
Eu sei que tens razão, compadre. Mas já aqui o disse: não me chocou. A primeira razão é porque não vejo melhor, no momento. A segunda é porque amarrou Obama ao discurso positivo que tem feito. Dou relevo a esta, apesar das reservas que obviamente a distinção suscita.
Como já aqui escrevi, foi muito prematuro, desvirtuou as regras do Nobel e corre o risco de o descredibilizar. Agora até andam uns italianos a propor o Berlusconni.
Quando chegará a vez de alguém avançar com o AJJ?
Que tal a Fátima Campos Ferreira?
Essa só se for para declarar a guerra das estrelas, porque paz foi coisa que ela tentou a todo o custo que não houvesse por ali.
Também me cheirou.