Com alguma regularidade, na sequência das mais diversas situações, lembro-me desta célebre máxima de José Ortega y Gasset. A circunstância tem um impacto e uma influência nas nossas vidas muito para além daquilo que, por vezes, gostaríamos de admitir. A circunstância está permanentemente a testar-nos e a pregar-nos rasteiras. Manter ao longo da vida uma linha de coerência no confronto com a circunstância não é fácil. António Barreto, na sua recente reflexão de 10 de Junho, quando abordou e nos exortou a ser (e a seguir) exemplo(s), no fundo estava (também) a reflectir sobre os portugueses e a sua circunstância. Maldita circunstância que nos oprime e nos derrota. Os exemplos servem também para isso, i.e. para nos mostrar que é possível escolher um outro caminho, apesar da — ou graças à — circunstância. Para nos mostrar que existe uma alternativa. Ninguém nos promete um caminho de facilidade, mas sim de liberdade, de escolha e, porventura, de realização pessoal.
Yo soy yo y mi circunstancia
Paulo Gorjão,

Temos uma palavra a dizer no que ainda não somos. Apesar de todos os condicionalismos. Apesar da circunstância que nos molda o olhar e filtra o entendimento.
Suponho que também em termos colectivos. Assim se mobilize(m) a(s) vontade(s). O que me parece é que os tempos vão mais no sentido do apetecer do que no sentido do querer.
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